Liderança Generosa
Autor do livro "Liderança Generosa, Marcelu Jabur, comenta para o portal da Revide sobre coach e relações de trabalho
Graduado em Educação Física, aos 20 anos, Marcelo Jabur iniciou o curso de pós-graduação na área de treinamento de atletas de alto rendimento e, paralelamente, aos 22 anos, fez um curso de aperfeiçoamento em treinamento desportivo em Moscou/Rússia. "Quanto voltei ao Brasil fui convidado para assumir a disciplina de Treinamento Desportivo na Universidade de Ribeirão Preto. Ali começava uma carreira acadêmica que continua até hoje. Mas com 24 para 25 anos de idade, fui convidado pelo coordenador da Unaerp (Prof. Peterson Antunes de Campos) para assumir a disciplina de Marketing Esportivo. Penso que esse foi um momento decisivo na minha carreira. Me envolvi profundamente com as atividades de gestão e passei a assumir (dentro e fora da universidade) cargos de liderança que puderam me fornecer uma importante base prática para as atividades profissionais que desenvolvo nos últimos 15 anos", explica.
Há mais de seis anos, o professor atua nos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas em todo o território naciona tendo sob sua responsabilidade disciplinas voltadas para Liderança, Gestão de Pessoas, Processo Decisório e Pensamento Sistêmico na Gestão de Pessoas e Empresas. A partir de 2005, após formação em coaching, Jabur desenvolve trabalhos em empresas, com executivos nos níveis tático e estratégico.
Nesta semana, Marcelo Jabur lançou oficialmente seu livro “Liderança Generosa” e conversou com o portal da Revide sobre a obra e outros assuntos relacionados ao trabalho. COnfira!
Como foi o processo de elaboração do livro?
A ideia nasceu já há alguns anos. Principalmente depois que comecei a lecionar nos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (tive aproximadamente 8 mil alunos até então). O trabalho na FGV e dentro das empresas (treinamentos, palestras, workshops e coaching) me coloca em um contato constante com os anseios, angústias e paradoxos vivenciados pelos profissionais no mercado de trabalho. A queda no rendimento das pessoas, bem como o frequente abandono ou troca de emprego, têm muitas vezes, como pano de fundo, um ambiente de trabalho profundamente comprometido. As relações interpessoais, principalmente dos gestores com os liderados, apresentam práticas pouco produtivas. Mais do que isso: é comum encontrar ações de pessoas em cargos de liderança que contrariam os interesses de melhor rendimento e produtividade nas equipes. Acabam “jogando contra o patrimônio”. Isso, basicamente, por conta de não conseguirem olhar para a atividade da equipe com um pouco mais de empatia. Um comportamento que leva o líder a uma certa cegueira emocional e intelectual, reduzindo suas possibilidades de tomar melhores decisões e conduzir melhor seu time.
O que o leitor pode esperar da leitura?
Algumas saudáveis provocações. Não acredito em receita de bolo em gestão de empresas. Acredito sim que as pessoas devem ser provocadas a pensar e entender que pode haver vida fora de um padrão de gestão autocrática e centralizadora, que ainda predomina nas empresas brasileiras. Quero também entender que essas provocações possam fazer com que os leitores pensem em formas de se estimular um maior comprometimento e um senso de ajuda mútua dos membros das equipes de trabalho. Um objetivo é estimular a reflexão de que as pessoas apenas se envolvem de forma sustentável com seu trabalho e com a empresa à medida que acreditam que aquele trabalho e aquela empresa se preocupam continuamente com as questões particulares de seus funcionários. A busca pelas metas da empresa passará também pela busca do atendimento dos anseios dos profissionais envolvidos.
Por que resolveu atuar na área de coach?
Penso que todo gestor tem um pouco de coach. É fundamental que o líder procure alternativas para solucionar os problemas do dia a dia nos próprios liderados. Os colaboradores têm normalmente um repertório de informações e ideias que não podem ser negligenciados pelo gestor. E, sem ainda a devida base teórica, percebia que essa era minha principal ferramenta na gestão dos professores, funcionários e alunos na universidade. Procurava desenvolver uma gestão mais participativa e, à medida que isso acontecia, tinha um comprometimento muito maior das equipes que eu coordenava. Quando conheci os princípios do trabalho de coaching, senti profunda identificação. O coach sempre acredita que as alternativas para solucionar os problemas estão nos clientes. A função do coach é de provocar o cliente para que ele encontre os próprios objetivos com clareza, descubra quais são os passos que devem ser dados e, finalmente, percorra efetivamente o caminho. Quando procurei o curso de formação em coaching, sabia que era um caminho importantíssimo para os trabalhos (treinamentos, palestras, cursos e coaching executivo) que realizo.
Por que acredita que a área de coach esteja tão valorizada ultimamente?
Na verdade eu acredito que esse é um caminho sem volta. As pessoas estão cada vez mais conscientes de que é possível buscar alinhar alto rendimento no trabalho com satisfação pessoal. A busca pela carreira dos sonhos ou a otimização das atividades no trabalho são buscas perfeitamente possíveis desde que exista disciplina e organização. Esse caminho pode ser facilitado com o trabalho de um profissional de coaching. Devo deixar claro que de milagroso esse processo não tem nada. É sempre bastante demandado um forte senso de responsabilidade por parte do coach e do coachee (cliente). Existem casos de clientes que iniciam um trabalho entendendo que encontrarão uma fórmula mágica e percebem precocemente que a exigência é bem forte para que se atinja os objetivos. É preciso foco.
Como o processo de coaching contribui para a carreira de sucesso de um profissional?
Pode contribuir de formas distintas. Alguns clientes procuram o trabalho de coaching sem ao menos uma noção aproximada do objetivo profissional; isso é relativamente comum. Nesses casos, cabe ao coach, dentro das técnicas próprias do trabalho, estimular o cliente a encontrar as possíveis respostas para sua dúvida. Dentre o leque de possibilidades que pode aparecer, os dois deverão caminhar para estreitar essas possibilidades até chegarem em uma meta que verdadeiramente sensibilize o cliente e o leve ao entendimento de que encontrou o objetivo profissional que realmente valha a pena os esforços seguintes. Bom, depois disso, dentro de uma sequência lógica, a busca é por encontrar os caminhos que podem (ou devem) levá-lo às metas. Esse é um passo decisivo porque faz com que a pessoa otimize seu tempo se dedicando a atividades perfeitamente alinhadas com suas buscas; não perdendo tempo com tarefas que não tenham relação com seus sonhos. A sequência natural é a fase de execução propriamente dita. O coach deve fazer cobranças regulares ao cliente para que ele procure ser sempre regular no cumprimento das tarefas assumidas. Na verdade, no final das contas, é a adequada realização das tarefas que deverá trazer os tão sonhados objetivos.
Há uma mudança no perfil do profissional brasileiro acontecendo?
Certamente. As pessoas estão cada vez mais conscientes de que é possível ter sucesso financeiro e também ser feliz com o trabalho. Claro que estão muito mais exigentes também. Mas é certo que a geração que entrou no mercado de trabalho, especialmente nos últimos 10 anos, entende que tem um maior poder de escolha. Isso gera um profissional com um senso crítico mais apurado. Aumenta, nesse contexto, a responsabilidade das empresas em desenvolver políticas para atrair e reter os melhores profissionais. Os líderes, com a grande e delicada responsabilidade de conduzir as equipes a resultados cada vez mais desafiadores, devem se atentar para esse novo perfil. As mesmas ferramentas utilizadas nas décadas de 1990, 1980 ou 1970, não devem trazer os bons resultados que por ventura já trouxeram no passado.
Como avalia as relações de trabalho nos próximos anos?
A gestão participativa e o trabalho em equipe devem predominar. A quantidade e a qualidade das informações não permitem que uma única pessoa possa ser a única fonte intelectual dentro da empresa. Além disso, os profissionais devem saber que dificilmente conseguirão rendimentos de alto nível se não estiverem aptos para evoluir em conjunto. Para isso, no ambiente de trabalho, é importantíssimo que as pessoas estejam prontas para contribuir com os outras. Passar aos colegas, superiores e liderados, informações que possam ajudá-los a realizar os trabalhos de forma mais eficiente e eficaz. Da mesma forma, os profissionais também devem ter abertura para receber os ensinamentos das outras pessoas. Humildade nesse caso é fundamental. A arrogância talvez seja a maior inimiga no processo de aprendizagem e melhoria dos profissionais e da empresa como um todo.
Na sua opinião, qual a relação entre alto rendimento e satisfação? Como ela se dá e como pode ser alcançada?
A relação é total. Há várias décadas a literatura apresenta a estreita relação existente entre satisfação e motivação no trabalho. Uma equipe motivada depende de um nível aumentado de satisfação. Essa satisfação pode estar associada ao tipo do trabalho realizado, à estrutura do trabalho e da empresa, à maneira como a liderança normalmente age, às recompensas recebidas e etc. Mas é fato que a motivação é presente quando esse sentimento de satisfação predomina. Como consequência, teremos, de forma lógica, a relação entre motivação e alto rendimento. Principalmente o rendimento em alto nível, de forma sustentável, dependerá de uma política regular que cuide da satisfação e, como resultado, da motivação dos colaboradores.
Quais os próximos projetos?
Em outubro participarei do lançamento de um novo livro como co-autor. O título é “Coaching para Alta Performance” e trará várias abordagens que devem auxiliar as pessoas na busca dos próprios objetivos (pessoais e profissionais). Mas hoje estou ainda muito focado nos trabalhos que venho realizando junto aos clientes e à FGV; essas são atividades que me dão muito prazer por conta da possibilidade de aplicar, diretamente com os profissionais e nos locais de trabalho, as ferramentas que acredito que podem efetivamente ajudar as pessoas na busca de melhores rendimentos. Claro que, nesse momento em especial, também estou muito engajado em falar com as pessoas sobre as ideias apresentadas no “Liderança Generosa”. É algo que tem me deixado muito feliz.
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