Lidia Muradás

Lidia Muradás

Sem Limites Para Criar

A frase resume bem a minha relação com a Revide, revista que se mistura com a minha vida e carreira de fotógrafa.  

Comecei na Revide em 1992. Como num susto, fui convidada a fazer um editorial de moda, a convite do amigo e produtor Airton Isidoro Jr., que, vendo minhas fotos de viagens, propôs o desafio. Fui com a cara e coragem , o coração a mil e nem me passava pela cabeça ser fotógrafa profissional um dia. A construção dessa carreira veio com anos de aprendizado diário, insistência, desafios — e mais desafios.  

Gosto de lembrar das dezenas de exposições  que fizemos, mas destaco  o “Livro dos 10 anos da Revide”, onde assumi para sempre o meu amor por fazer retrato e fotografar pessoas. Era isso que eu queria e, quanto mais eu fotografava, mais gente a Bel arrumava para fotografar. Dizem que a melhor escola é a prática. Aqui na Revide, fiz PHD! O livro dos 10 anos me fez ter um contato com ícones da cidade, pessoas a quem eu admirava e que pude fotografar, como o artista plástico Bassano Vaccarini, meu mestre Tony Myasaka , e outros. 

Com o passar dos anos, foram muitas exposições e cada uma mais interessante que a outra. Destaco a “Inclusão social”, que fizemos em 2017, e me trouxe outro olhar sobre o tema. Outra mostra importante foi “Toque de coragem”, onde a esperança era a mensagem.

Agora me diga: como não se envolver espiritualmente com um projeto desse? A Revide foi pioneira na cidade a creditar os nomes dos profissionais que participavam da construção da foto, afinal, sempre achei que um fotógrafo de moda é responsável por apenas 50% do trabalho — se não tiver uma boa equipe da produção à finalização, não se vai a lugar algum. Talvez por isso nosso trabalho tenha sido sempre reconhecido com mérito.

A Bel e o Murilo sempre incentivaram a minha arte — ela, com ideias mirabolantes de fazer exposição em uma semana (até hoje é assim). Acredito que é isso que move a vida: termos de nos superar todos os dias, criar, ir além. Quando penso que não tenho mais ideias, como mágica, surgem novas imagens e o próximo trabalho para a revista, que me faz renascer. 
Aprendi, desde cedo, que, ao trabalhar em uma revista, o “tempo é luxo”. Somos aquele coelho da Alice, “sempre atrasados”! Isso, às vezes, incomoda, pois gosto de curtir, fazer mais devagar minha parte — especialmente a escolha das fotos.

Minha história com a Revide começou sem compromisso. Aprendi, com calma, a arte de fotografar. Conheci, nessa casa, dezenas de pessoas que tive o prazer de fotografar e conviver. Fiz muitos amigos, escutei muitas histórias. Posso dizer que toda essa experiência acrescentou muito em minha formação e ajudou a formar a pessoa que sou hoje.  
Parabéns, Bel e Murilo, por terem insistido e investido em um projeto que hoje se transformou em referência à cidade. Obrigada por sempre acreditarem e incentivarem a minha arte e meu trabalho, com liberdade e respeito. Muitos anos de histórias ainda por vir serão contadas pela Revide! 

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