Limpando as gavetas

Limpando as gavetas

Seja em relação ao universo externo ou ao interno, o desapego é imprescindível para a “faxina da alma”

Geralmente, cada ano que inicia desperta nas pessoas certa inquietação, uma urgência em escrever uma nova história, alterar velhos hábitos e condutas. Isso é bom? Conforme o poeta Carlos Drummond de Andrade, autor do poema “Faxina da Alma”, é fundamental: “Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisas tristes. (...) Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor”.

A necessidade de desapegar-se não é tema apenas da poesia. Psicólogos e arquitetos defendem que esta é uma prática saudável e necessária para quem pretende que o novo faça parte de sua vida. “É preciso renovar para criar espaços. Para ter uma nova ideia é preciso abrir espaço para o novo e o único jeito de fazer isso é tirando aquilo que está em desuso”, destaca a arquiteta e designer Maitê Orsi, que utiliza os princípios do Feng Shui em seus projetos.

A designer afirma que o movimento é constante, tanto que a premissa está na base das leis da física e que o mundo é caracterizado pela coexistência dos opostos, como o cheio e o vazio. “A ideia nova vem quando abrimos espaço para ela. Portanto, temos que nos desfazer de certas convicções e criar novas plataformas e modos de pensamento. O mesmo ocorre na concepção de um novo espaço”, argumenta a especialista. 

Segundo o feng shui, o que não se movimenta se deteriora, desperdiça energia e provoca uma quebra no equilíbrio. Mas a renovação não requer, necessariamente, aquisição, os três Rs — reciclar, reutilizar e reduzir —, cernes da sustentabilidade ambiental, são uma boa forma de poupar recursos naturais e assegurar o reequilíbrio. “Quando você faz um movimento no ambiente, Geralmente, cada ano que inicia desperta nas pessoas certa inquietação, uma urgência em escrever uma nova história, alterar velhos hábitos e condutas. Isso é bom? Conforme o poeta Carlos Drummond de Andrade, autor do poema “Faxina da Alma”, é fundamental: “Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisas tristes. (...) Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor”.

A necessidade de desapegar-se não é tema apenas da poesia. Psicólogos e arquitetos defendem que esta é uma prática saudável e necessária para quem pretende que o novo faça parte de sua vida. “É preciso renovar para criar espaços. Para ter uma nova ideia é preciso abrir espaço para o novo e o único jeito de fazer isso é tirando aquilo que está em desuso”, destaca a arquiteta e designer Maitê Orsi, que utiliza os princípios do Feng Shui em seus projetos.

A designer afirma que o movimento é constante, tanto que a premissa está na base das leis da física e que o mundo é caracterizado pela coexistência dos opostos, como o cheio e o vazio. “A ideia nova vem quando abrimos espaço para ela. Portanto, temos que nos desfazer de certas convicções e criar novas plataformas e modos de pensamento. O mesmo ocorre na concepção de um novo espaço”, argumenta a especialista. 

Segundo o feng shui, o que não se movimenta se deteriora, desperdiça energia e provoca uma quebra no equilíbrio. Mas a renovação não requer, necessariamente, aquisição, os três Rs — reciclar, reutilizar e reduzir —, cernes da sustentabilidade ambiental, são uma boa forma de poupar recursos naturais e assegurar o reequilíbrio. “Quando você faz um movimento no ambiente, cria um movimento interior”, ressalta Maitê. Por isso, as pessoas têm que prestar atenção aos sentimentos e às emoções que as prendem aos objetos. 

O problema é que nem sempre é fácil se desapegar das coisas, sejam elas relativas ao contexto interno ou externo. “Temos medo de perder, de um dia vir a precisar ou de sentir falta do que nos desfazemos, e também de nos dispormos a analisar se devemos ou não abrir mão de tais coisas, pois essa avaliação pode nos levar a lembranças que não queremos ter”, destaca a psicóloga Maria Fernanda Lopes. Assim, há uma dificuldade tanto de entrar em contato com o conteúdo implícito nas coisas, quanto de se libertar delas.

Mas, é possível aprender a se desapegar, conforme afirma a psicóloga, e o primeiro passo é aceitar o fim da necessidade de determinado objeto, de algumas relações e mesmo da própria vida. “É interessante estabelecer metas, perguntar-se sobre as próprias prioridades e traçar planos viáveis, permitindo-se criar alternativas. Aprender a se desfazer do que não se precisa mais é importante para abrir espaço para o novo, outras relações, amores e até profissões”, acrescenta Maria Fernanda. É preciso aprender a perder e a tirar proveito do que entra no lugar. 

Para ser saudável, o desapego precisa de critério: é necessário refletir sobre o que se quer descartar ou manter. “O reaproveitamento e a transformação de objetos são formas de desprendimento do antigo e, nesse caso, a criatividade é a nossa saída”, destaca Maria Fernanda. Um bom indicador é o incômodo que se sente. Quando apegar-se ou desfazer-se incomoda, requer cuidados.

Desapegar é bom

Quando a psicóloga e neuropsicóloga Silvana de Lucca trocou uma casa de 300 m² por um apartamento de 150 m², percebeu quantos objetos desnecessários havia em sua despensa. Livrar-se do excesso foi sua primeira grande reciclagem.

A partir daí, percebeu que era possível viver confortavelmente com bem menos do que estava habituada, e o desapego passou a fazer parte de sua vida. “Se não praticamos o desapego, não conseguimos sequer aprender; se não nos desfazemos de pensamentos e posturas, não criamos lugar para o novo”, ressalta.

Silvana descobriu na Yoga uma grande aliada para a “faxina da alma”. “Com a meditação, esvazio minha mente e, desse modo, consigo me abrir para novas ideias”, afirma. Com o aikido, arte marcial japonesa, aprendeu a lidar com a energia do outro e com sua própria energia. Já com a troca e o empréstimo de livros, aprendeu a acumular conhecimento sem lotar prateleiras. “Sinto-me muito bem em me desfazer de algo que não prescindo, mas que pode servir a alguém. Em minha casa, tenho exatamente o que preciso”, garante a psicóloga.

Texto: Carla Mimessi
Fotos: Carolina Alves e Julio Sian

Compartilhar: