Literatura sebo
Opções para quem busca livros fora de circulação e a preços mais acessíveis, os sebos são verdadeiras ‘fontes’ para todas as classes
Um comércio aparentemente simples, localizado nas movimentadas ruas de Ribeirão Preto, muitas vezes de fachada comum, mas que atrai uma enorme gama de clientes. Assim são os sebos, como são denominadas as livrarias que vendem livros usados.
Os sebos são originários da Europa. Os primeiros datam do século 16. Hoje, estão por toda parte, talvez até na esquina mais próxima. É o caso do sebo Mania de Cultura, situado há oito anos na Rua Américo Brasiliense, no coração de Ribeirão.
A proprietária, Claudenice Camilo, 40 anos, viu a chance de expandir os negócios, de Londrina, no Paraná, para São Paulo. A ideia inicial era abrir o sebo em Araraquara, onde tem parentes. “Perguntei se o comércio de lá era bom, e me disseram que Ribeirão Preto era melhor”.
O Mania de Cultura contém um acervo de cerca de 40 mil títulos usados, além de revistas, CDs e DVDs. “Muitas pessoas compram [em sebos] por ter um preço em conta e também por não encontrar mais o livro nas livrarias. No sebo, elas facilmente acham”, afirma a gerente Tatiane Dacanal.
O sebo Loucos por Livros nasceu há dois anos vindo de outro famoso da cidade, o Sebo do Brechó. A vendedora Hildete Gomes, 44, afirma que o mercado de sebos em Ribeirão Preto é bom e que há muitos compradores. “O sebo é opção para se encontrar livros que não estão mais nas livrarias ou não têm mais edição”, ressalta.
O comércio de venda de livros usados funciona de duas formas: o sebo pode comprar o livro ou as pessoas podem trocar um título por outro. É possível também fazer doações de livros usados. O sebo Loucos por Livros trabalha também com locação.
Livros de ficção, literatura em geral, autoajuda, específicos de profissões (jurídico e medicina) e também espíritas estão entre os mais vendidos dos sebos.
Nesse mundo da literatura, podem-se encontrar títulos escassos como ‘O Mundo de Sofia’, ‘Quarto de Despejo’ e o raríssimo ‘Patriarchas e Prophetas’, de 1929. O que agrada também é o preço, menor em comparação com as estantes das livrarias, por se tratar mercadoria usada. Quando são livros seminovos e de autores renomados, geralmente, há uma diferença de 40% a 60%. Há casos em que essa diferença pode chegar a 90%. Por exemplo: se um livro custa, em média, R$ 50 em qualquer livraria, este mesmo passa a custar apenas R$ 5 nos sebos – com a diferença de que no sebo o livro é usado, porém em bom estado de conservação.
Movimentado, o ramo de sebos avançou tambem para as plataformas digitais, tornando-se acessível ao público online, tudo ao alcance do clique. “O cliente efetua a compra pelo site, podendo pagar com cartão ou por depósito em conta”, explica o livreiro Severino Ferreira de Carvalho, da Livros & Cia.
Os sebos online, caso da Livros & Cia, estão cadastrados em um único portal, o Estante Virtual, que reúne quase 2 mil sebos e livreiros do Brasil. As vendas são feitas pela internet e a entrega é via correios. O próprio site calcula também o frete, o que oferece grande praticidade ao comprador.
Carvalho veio de São Paulo para Ribeirão em 2007 com um caminhão de livros e ficou por um ano instalado no centro. “Na época, ainda sem experiência no ramo, fechei as portas e parti para o comércio virtual”, contou. As vendas online começaram há cinco anos e Carvalho garante que o retorno é bom.
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Texto: Fernando Belezine
Fotos: Carolina Alves