Lixo eletrônico em RP
Necessário, o descarte sustentável do lixo eletrônico não recebe a devida atenção do poder público em Ribeirão Preto
A Organização das Nações Unidas (ONU), realizou uma pesquisa que constatou: anualmente o mundo produz cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico, o que corresponde a 5% de todo o lixo gerado pela humanidade.
O dado é alarmante quando associado ao descarte. Os resíduos derivados do avanço tecnológico, tais como celulares, computadores, aparelhos de som e baterias entre outros, se tornam altamente contaminadores. Ao descartar estes objetos junto ao lixo comum, são liberadas substâncias químicas contidas dentro dos componentes eletrônicos, tais como mercúrio, Cadmo, chumbo, cobre, arsênio, lítio, entre outros, e estas substâncias penetram no solo contaminando lençóis freáticos, e, consequentemente, plantas e animais. Além disso, são substâncias pesadas, que causam inúmeras doenças ao ser humano.
Apesar disso, a coleta desse tipo de resíduo, em Ribeirão Preto, é deficitária. Falta ao município um programa público permanente de coleta destes resíduos. No ano passado, entre 25 de junho e 6 de julho, a Secretaria do Meio Ambiente promoveu um Mutirão de Lixo Eletrônico, em parceria com a empresa Eletrolixo Logística Reversa Ltda, oferecendo Ecopontos de coleta e também realizando palestras de conscientização, abordando a importância do gerenciamento de resíduos eletrônicos e de informática para prevenção de impactos ao meio ambiente e à saúde da população.
A campanha arrecadou monitores, impressoras, televisores, computadores, CPUs, celulares, telefones, fax, máquinas de Xerox, aparelhos de DVD, videocassete, aparelhos de som, fios, cabos e conectores, placas e circuitos eletrônicos (motherboard - Placas Leves e Pesadas - de celulares e DVD), processadores, transformadores, hds, cds drivers, pilhas e baterias (exceto as contendo chumbo ácido como as automotivas de sistema de alarme).
Programa de Lixo Eletrônico - USP
Uma opção permanente, para quem pretende dar uma destinação correta ao seu lixo eletrônico, é o programa da USP, desenvolvido desde julho de 2010, pelo Centro de Informática de Ribeirão Preto (CIUSP-RP).
No programa, os resíduos eletrônicos são recolhidos para o programa do Centro de Reuso e Descarte Sustentável de Lixo Eletrônico, implantado na capital, e desenvolvido por funcionários dos Campi de São Paulo, Piracicaba, São Carlos e Ribeirão Preto. São computadores; monitores; teclados; mouse; filmadoras; máquinas fotograficas; hub, switches, roteadores; telefones, celulares; no breaks; scanners; impressoras; webcams e cabos.
Em 2010, foram 1.556 itens recebidos em Ribeirão Preto. Em 2011, 1.375. Em 2012 as doações caíram expressivamente, baixando para 432. E, em 2013, o número voltou a subir. Já são 1.168 itens recebidos.
O projeto da USP está alinhado com as diretrizes de sustentabilidade definidas pela ONU, satisfazendo requisitos ambientais, sociais e econômicos. O CEDIR - Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática - está instalado no Campus USP/SP em um galpão de 400 m2 com acesso para carga e descarga de resíduos, área com depósito para categorização, triagem e destinação de 500 a 1000 equipamentos por mês.
Seguindo os padrões do CEDIR, o CIRP oferece o serviço à comunidade ribeirãopretana, porém ajustando a realidade da infra-estrutura do Campus Ribeirão Preto. O CIRP recolhe o material, faz as doações possíveis às entidades, e encaminha o restante ao CEDIR ou empresas de reciclagem.
As entidades (pessoas jurídicas) sem fins lucrativos e de utilidade pública, devidamente documentadas, podem participar do programa, sendo beneficiadas com equipamentos para seu uso, que uma vez obsoletos ou inúteis, devem ser decolvidos ao programa, para um descarte final sustentável.
De acordo com Claudia Helena Bianchi Lencioni, chefe de Serviço Técnico de Informática, do CIUSP-RP, o lixo eletrônico mais recebido na unidade são computadores pessoais. “Todo material recebido é comercializado com empresas de reciclagem. A universidade paga para que empresas de reciclagem fiquem com os monitores, pois eles não são de interesse para as empresas de reciclagem. A USP tem uma parceria com a RecilaTesc de São Carlos, e o Campus de RIbeirão Preto encaminha para ela os resíduos”, explica.
Para Lencioni, é importante a conscientização das pessoas quanto ao encaminhamento do lixo, seja ele eletrônico ou não, para um destino correto, pois isso faz parte da cidadania. “Seria interessante que Ribeirão Preto possuisse uma empresa de reciclagem que pudesse servir a toda a cidade. Para uma cidade do porte de Ribeirão Preto, e com sua liderança regiona, esse tipo de atividade faz falta”, argumenta.
Para encaminhar o lixo eletrônico (somente de pessoa física) ao CIRP, é preciso acessar o site https://www.cirp.usp.br/lixo-eletronico e preencher o formulário de solicitação de descarte de lixo eletrônico, especificando o que será descartado. Depois, o lixo eletrônico deve ser entregue na USP-RP (Rua Clóvis Vieira, nro. 23, fone 3602-3504), às segundas-feiras, das 9h30 às 17h horas.
Na entrega, a pessoa física assina um termo que está destinando o material ao CIRP, que a seguir encaminhará ao CEDIR. Os materiais aproveitáveis são destinados a ONGs e instituições. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail : [email protected] .
Disposição da população
Próximo ao prazo final para a implementação da coleta seletiva e para o fim dos lixões em todo o país, uma pesquisa inédita do Ibope revelou uma situação curiosa: a população brasileira quer cuidar melhor de seu lixo, mas não é atendida pelos governos.
O estudo, encomendado pelo WWF-Brasil no âmbito do Programa Água Brasil, revelou que a maioria da população (64%) não é atendida pela coleta seletiva e 1% não sabe o que é isso. De acordo com o estudo, entre os 35% da população que são atendidos pela coleta seletiva, em apenas metade dos casos o serviço é prestado pela prefeitura. A outra metade é informal, prestada por catadores de rua, cooperativas ou associações ou entregues em pontos de coleta voluntária.
Entre aqueles que não contam com serviço de coleta seletiva, a disposição para separar materiais é alta: 85% se dizem dispostos a separar o lixo em casa se tiverem coleta seletiva ou ponto de entrega voluntária, pois a pesquisa também mostrou que a população não quer pagar para ter o serviço. A maioria – 65% - é contra a cobrança da taxa do lixo.
O estudo revelou, ainda, desconhecimento dos brasileiros em relação ao destino dos resíduos. Uma em cada três pessoas não faz ideia para onde vai o lixo produzido em sua casa. E a consciência sobre resíduos prejudiciais para meio ambiente ainda é desigual: pilhas e baterias são os mais conhecidos.
Apesar disso, a disposição para adotar comportamento sustentável é alta: 41% dos entrevistados se dizem dispostos a adotar os três erres (reduzir, reusar e reciclar). E um em cada três entrevistados está disposto a abrir mão de produtos, ainda que com prejuízo da comodidade, e a exigir dos fabricantes solução para os impactos ambientais dos produtos.
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Texto: Yara Racy
Fotos: Carolina Alves e divulgação