Localização estratégica

Localização estratégica

Construtoras investem na aquisição de terrenos em áreas diferenciadas para conquistar os consumidores

Na hora de adquirir um imóvel, seja para moradia, para fins corporativos ou, ainda, para investimento, o cliente leva em consideração uma série de fatores: projeto arquitetônico bem elaborado, funcionalidade da planta, qualidade dos acabamentos, opções de lazer, itens tecnológicos e sistema de segurança são alguns deles. Porém, na maioria dos casos, é a localização que figura no topo dessa lista de exigências para efetuar o negócio. Sabendo que esse atributo é decisivo na opinião dos consumidores, as empresas que atuam na construção civil investem na compra de terrenos em pontos estratégicos da cidade.

“O cliente preza pela comodidade e pela conveniência”, aponta José RenatoCom 30 anos de experiência no setor e um portfólio com mais de 100 obras entregues, José Renato Magdalena, diretor da Copema, sabe bem como esse mecanismo funciona. “O cliente preza pela comodidade e pela conveniência, ou seja, quer ter fácil acesso a tudo que precisa em seu dia a dia, como supermercados, padarias, postos de combustível, escolas, academias, entre outros serviços. Ter essa infraestrutura completa ao redor faz toda a diferença. Por isso, antes de dar qualquer passo, realizamos um estudo criterioso, baseado em informações de profissionais qualificados. Analisamos o tipo de produto que o mercado precisa naquele momento, além das características do terreno e da região onde ele está inserido. Casando todos esses dados, conseguimos definir o endereço ideal”, relata José Renato.

O arquiteto e urbanista Silvio Trajano Contart, diretor da Contart & Takano Arquitetos e diretor de projetos da Vila do Ipê Empreendimentos, explica que a escolha da área realmente depende muito da proposta do empreendimento. Segundo ele, algumas incorporadoras e construtoras focam na velocidade, pois pretendem atender a uma demanda já existente. Assim, buscam oportunidades em regiões consagradas. Outras, em contrapartida, percebem o potencial em lugares ainda não reconhecidos, acreditando na valorização a longo e médio prazo.

A Vila do Golfe é um exemplo que se enquadra nessa situação. O projeto, iniciado em 1997, teve como ideia principal a implementação de um campo de golfe em Ribeirão Preto. A escolha do local, na zona Sul, além dos limites do Anel Viário, foi considerada ousada. Porém, o desenvolvimento previsto pelos empreendedores àquela época se concretizou e o complexo foi tomando forma de maneira planejada, com diversos residenciais, além do Liceu Albert Sabin e do Shopping Iguatemi. “Não é possível pensar em uma grande proposta urbanística em áreas pequenas. Para inovar, criando uma visão de cidade diferente, é preciso ter volume, pensar em vários usos, interagindo com uma ocupação gradual. Essa era a nossa meta para a Vila do Golfe. Por isso, tivemos que fugir dos espaços convencionais e encontrar um terreno com um perfil compatível para receber a nossa ideia. O resultado foi extremamente positivo”, destaca Silvio.

A Stéfani Nogueira Incorporação e Construção também colhe os frutos por ter sido visionária. A empresa comprou uma vasta área no entorno do Parque Luiz Roberto Jábali, mais conhecido como Curupira, há 12 anos. “Esse terreno, especificamente, acabou se tornando um dos últimos vazios urbanos da cidade, um lugar extremamente almejado pelo público. Durante todo esse tempo, estudamos o formato mais interessante a ser oferecido. Queríamos algo realmente especial, um bairro planejado de alto padrão”, lembra o diretor de incorporação, Pedro de Stéfani Nogueira.

Assim, surgiu o complexo Panamby. O espaço foi dividido em duas partes: o Panamby 1, com cerca de 80 mil m², e o Panamby 2, com cerca de 140 mil m². Por enquanto, apenas a primeira parte foi lançada. Do total de cinco empreendimentos, desenhados para abranger uma diversificada gama de clientes, dois já foram apresentados: o Residencial Baraúna e o Residencial Guaecá. De olho no futuro, a empresa continua garimpando o mercado para enriquecer seu “land bank”, ou seja, seu estoque de terrenos. Segundo Pedro, com o acervo atual, a Stéfani tem como garantir ótimos produtos para seus clientes nos próximos 15 anos.

Crescimento x lotes disponíveis
O ritmo acelerado de lançamentos em Ribeirão Preto na última década fez com que o número de lotes disponíveis diminuísse. De acordo com um levantamento conduzido pelo professor Antônio Vicente Golfeto, coordenador do Instituto de Economia da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), em 1996, a relação era de 52 mil construções para 150 mil terrenos, uma média de três espaços vagos para um ocupado. Hoje, essa proporção está quase completamente invertida: há apenas uma área livre a cada duas edificações.

A cidade, em si, não é grande territorialmente. “O desenvolvimento ocorreu mais intensamente na zona norte e na zona sul, que possui, aproximadamente, 20 km de extensão, e já está chegando no limite. De Leste a Oeste, existe um estreitamento. São apenas 8 km. Diante desse cenário, o planejamento da expansão urbana torna-se imprescindível. A existência de um Plano Diretor, com normas que regulem o uso e a ocupação do solo e sua devida aplicação na prática, é essencial”, afirma Golfeto. O professor ainda comenta que essa escassez é um dos motivos para o aumento do valor dos imóveis. “O preço do terreno disparou. Antes, ele representava 18% do custo total da obra. Agora, gira em torno de 25% a 30%. Esses elementos, unidos, causam a verticalização do Município, que, por sua vez, gera transtornos estruturais, como o caos no trânsito, por exemplo”, destaca.

Silvio também faz uma análise sobre o assunto. “A cidade continuará crescendo, não só porque a população aumenta, mas porque as famílias buscam melhores condições de moradia. Elas desejam organizar suas vidas de maneira a usufruir mais de suas casas e dos bairros onde vivem. Esse é o processo natural. Temos que encontrar soluções que permitam que isso aconteça com organização, criando centralidades regionais, preservando as qualidades ambientais e urbanísticas, facilitando a locomoção da população, promovendo a interação entre os novos empreendimentos e a cidade existente, renovando usos e tipologias construtivas. Deve haver uma interação entre os empresários e o poder público para defender essa causa”, conclui.

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Texto: Paula Zuliani

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