Mães discutem novas formas de educar filhos
Movimento Família em Rede organiza encontro no Centro Cultural Palace, neste próximo sábado
O Movimento Família em Rede realiza neste sábado, 25, a partir das 9h, encontro para discutir as relações familiares na atualidade e medidas para que sejam aperfeiçoadas. A primeira reunião acontecerá no Centro Cultural Palace, e contará com a presença da bióloga Ligia Moreiras Sena, que é especialista em métodos de educação dos filhos.
A pesquisadora Daniella Mac Dowel, uma das organizadoras do evento, explica que o movimento tem o propósito de promover encontros de reflexão e troca de vivências e visa a apoiar o desenvolvimento das relações familiares com a discussão de temas como desenvolvimento infantil, conexão e presença nas relações e sustentabilidade, por exemplo.
Ela lembra que neste sábado, o assunto debatido será a educação sem violência, e explica que embora a primeira coisa que vem à cabeça em se tratando de violência infantil são situações gravíssimas, como quando o pai “espanca” o filho, existe outra forma de praticar isso, tanto de maneira física quanto psicológica.
“Pode ser submetendo a criança forçadamente, de forma agressiva, a agir desnecessariamente contra sua vontade. E digo desnecessariamente porque muitas vezes repreendemos nossos filhos por razões que nem sabemos direito o motivo. Compramos brigas com eles muitas vezes porque temos medo do que ‘os outros vão pensar?’, ou do que ‘os outros vão dizer?’”, diz.
A pesquisadora emenda dizendo que cometemos “violência” com as crianças quando elas são obrigadas a fazer coisas que os pais possam imaginar que é melhor para elas. “Já vi mãe bater em filho porque ele bateu no amiguinho. Colocado dessa forma parece um total contra senso, ou seja, a mãe bate para ensinar que não pode bater. Depende muito mais de nós do que das crianças”.
Daniella aponta que a sociedade valoriza mais a questão profissional do que a pessoa, que é deixada em segundo plano, prejudicando desta forma a relação com as pessoas que estão à nossa volta.
“Quando a criança chega nesse mundo somos pegos de surpresa, despreparados para viver esse papel, independente da criança ser desejada ou não. Mas o mais bacana é que, de um tempo pra cá, algumas pessoas resolveram se aprofundar nessas questões, se dedicando a estudar como melhorar essa conexão entre pais e filhos, ou até mesmo as relações entre os adultos de uma família” ,conta a pesquisadora, que tem um filho de 3 anos, o Francisco.
Ela recorda que existem metodologias que podem ajudar nessas relações em família, como as terapias convencionais com o apoio de psicólogos e também novas iniciativas, que vão desde consultores familiares até práticas como a da Constelação Familiar, que por meio de árvores genealógicas, permite localizar bloqueios de fluxos amorosos, ou o uso das técnicas de Comunicação Não Violenta (CNV).
Neste contexto que entra a sustentabilidade, já que para isso também é necessário a reflexão de que tipo de mundo as pessoas pretendem deixar para os filhos, e como os valores de ética, respeito e honestidade são trabalhados dentro de casa.
“Pessoalmente, não acredito que seja possível educar se não pelo exemplo. Se eu só falar sobre esses valores e depois agir de forma contrária é claro que meu filho, irá perceber e me questionar, ou pior, entender que esses valores não são importantes. Se queremos um mundo com mais ética, com mais respeito, incluindo o meio-ambiente, com mais inclusão, com mais respeito à diversidade humana e biológica precisamos apoiar as famílias para que reflitam sobre esses valores, e possam avaliar quais os ganhos e as perdas que existem em uma sociedade onde esses eles não são importantes”, conclui Daniella.
Para participar do encontro é necessário se inscrever pelo site do Movimento Família em Rede, e as inscrições custam R$ 30,00, associados da Geração Mãe tem 15% de desconto, e para as crianças participarem de atividades o custo é de R$ 10,00 por interessado.
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Fotos: Luiz Cervi