Maio Roxo

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Campanha de conscientização alerta a população sobre as doenças inflamatórias intestinais (DII)

Nas últimas três décadas, o Brasil vem registrando um crescimento no número de casos de doenças inflamatórias intestinais (DII). Fatores relacionados à vida moderna, como a poluição, o estresse e a produção de alimentos em massa com conservantes, são apontados como responsáveis por elevar as estatísticas. Segundo Dr. José Joaquim Ribeiro da Rocha (CRM: 37.522), professor livre docente do Departamento de Cirurgia e Anatomia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), da divisão de Coloproctologia, e sócio proprietário da ProctoGastroClinica, cabe à sociedade contemporânea buscar meios para reverter esse grave panorama. Na entrevista a seguir, o especialista explica como essas patologias se desenvolvem no organismo e destaca a importância de campanhas preventivas, como o Maio Roxo, para ajudar a conscientizar a população sobre o tema.  

O que são as doenças inflamatórias intestinais?
São doenças autoimunes que acometem o trato gastrointestinal, desencadeando um processo inflamatório agudo na mucosa do intestino. Há teorias que citam como causa, diretas ou indiretas, bactérias, fungos e vírus, além de fatores genéticos e ambientais, mas a real origem dessas patologias continua desconhecida.  

A Doença de Crohn (D.C) e a Retocolite Ulcerativa Inespecifica Idiopática (RCUI) são as principais DII. Qual a diferença entre elas?
Uma das diferenças é a extensão da inflamação que, na RCUI, acomete somente o intestino grosso. Já na D.C, pode atingir o intestino grosso e o delgado. O grau de invasão também não é igual. Na RCUI, o processo fica restrito à mucosa e à submucosa, enquanto na D.C, penetra em todas as camadas da parede intestinal. As fístulas anais e entéricas ocorrem, predominantemente, na D.C. Há variações, ainda, nos achados histopatológicos das biópsias.

Quais os sintomas?
O sintoma mais comum é a diarreia, que se torna crônica. Cólica abdominal, presença de sangue e de muco nas fezes, perda de peso, febre, anemia, abscessos e fístulas anais são outros sinais que merecem atenção.

Como se faz o diagnóstico?
Geralmente, a DII se manifesta em jovens entre 20 e 40 anos. Os exames complementares para confirmar o diagnóstico são a Colonoscopia, a Ressonância Magnética, o Raio X Trânsito Intestinal e as biópsias.

Quais são as opções de tratamento?
Há a abordagem clínica, com drogas anti-inflamatórias como corticoides, mesalazina, imunossupressores e imunobiológicos. Também são úteis os antibióticos e os suportes nutricionais e psicológicos. Nesses casos, o atendimento multidisciplinar é essencial. Quando há refratariedade ou quando ocorrem complicações durante o tratamento conservador, então, a intervenção cirúrgica é necessária. 

É possível prevenir a DII? Essas doenças têm cura?
Não há nenhuma forma de prevenção, mas uma alimentação equilibrada, cuidados higiênicos adequados, atividade física regular, ausência de vícios e tratamentos de ansiedade e de depressão ajudam a manter uma boa resposta imunológica. Mesmo não tendo cura, o diagnóstico precoce das lesões permite um controle rápido do processo inflamatório, com remissão dos sintomas. Assim, os pacientes podem ter uma vida bem próxima da normalidade. Por isso, é tão importante divulgarmos ações que conscientizem a população sobre o tema, como o Maio Roxo.

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