Mais chances de vitória
Avanços e novas descobertas em tratamentos para o câncer de mama permitem diagnósticos e acompanhamentos mais assertivos, aumentando a qualidade de vida das pacientes
Texto: CÁRILA COVAS
Prevenção é palavra de ordem quando o assunto é câncer de mama. Segundo estimativa de especialistas, 30 a 40% dos tumores estão associados aos hábitos de vida. Os principais fatores de risco para esse tipo de câncer estão ligados à obesidade, à ingestão excessiva de hormônios sem supervisão médica, ao longo tempo de uso de anticoncepcionais, além do histórico de diagnóstico em parentes de primeiro grau, como mãe e irmã.
Contudo, uma vez descoberto, o câncer de mama cujo diagnóstico é precoce, e que é combatido de forma correta por tratamentos adequados, tem grande possibilidade de cura. Durante os últimos anos, a evolução em tratamentos e exames tem sido grande aliada das mulheres, permitindo ainda mais superações.
De acordo com Cristiane Alves Mendes Parizzi, oncologista clínica do Instituto de Oncologia de Ribeirão Preto (InORP), há sete maneiras de tratar o câncer de mama e cada procedimento é avaliado pelo médico responsável a partir do quadro de cada paciente. Tradicionalmente, são usados a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia, os bloqueadores hormonais, a terapia biológica anti-HER-2 e, mais recentemente, a imunoterapia e a terapia alvo.
Segundo ela, os exames e os tratamentos têm evoluído, garantindo mais qualidade de vida.“Tomografias de alta definição, cintilografia óssea, pet scan (utilizado em alguns casos), biópsias guiadas por imagem, testes moleculares prognósticos definem a necessidade de uso de quimioterapia ou não. Quando o diagnóstico é mais preciso, mais informações temos do tumor e, assim, conseguimos fazer um tratamento mais personalizado. Estamos caminhando a passos largos na definição de ‘marcadores tumorais’, e a identificação de genes mutados, objetivando o uso de uma medicação que bloqueie atuação desses genes ou das proteínas geradas por eles. São as chamadas terapias alvo”, pontua.
Guilherme Luna Martinez, ginecologista, mastologista e diretor clínico do Hospital de Câncer de Ribeirão Preto também evidencia o avanço nos procedimentos cirúrgicos. “O que se tem em relação às cirurgias é que elas têm sido mais conservadoras. Cada vez mais se consegue preservar a mama e, também, as axilas das pacientes. Isso se deve ao avanço dos tratamentos, com cirurgias menos invasivas que se mostram eficazes”, argumenta o especialista, que ainda ressalta a importância de se considerar as particularidades de cada paciente. “O tratamento é muito individualizado, então não são todas as mulheres que fazem quimioterapia, nem todas fazem radioterapia, nem que recebem os hormônios, mas quase todas passam pela cirurgia. O procedimento e a ordem dependem exclusivamente das particularidades de cada uma”, afirma.
Ainda de acordo com Guilherme, as reconstruções também possuem, hoje, técnicas mais modernas e avançadas, como a mastectomia feita por vídeo, por exemplo. Além disso, assim como Cristiane, ele ressalta a evolução da terapia alvo. “É o que mais tem mais avançado quando se trata de câncer de mama, já que são causados menos efeitos colaterais e combatem especificamente o tumor”, conta.
Do diagnóstico à cura
“A paciente é submetida à biópsia da lesão de mama e são feitos exames de sangue e imagem. Quanto mais inicial for o tumor, maior a chance de se buscar tratamento curativo. Tumores pequenos podem ser operados e depois é avaliada a necessidade de complementação de terapia sistêmica — como o uso de quimioterapia, bloqueio hormonal e tratamento local com radioterapia. A paciente precisa ser orientada a manter hábitos de vida saudável após o tratamento, pois isso muda a história natural da doença”, esclarece Cristiane.
Segundo o Guilherme, é possível que a paciente seja curada do câncer de mama, mas esse diagnóstico final de vitória sobre a doença só pode ser consolidado após cinco anos de seguimento. “O processo todo, entre cirurgia, radioterapia e quimioterapia, dura em torno de nove a dez meses, mas, para se falar em cura do câncer de mama, tem de se esperar pelo menos cinco anos após o diagnóstico e todos os processos”, conclui.
A descoberta
O diagnóstico do câncer de mama é feito com base em três pilares: rastreamento pelo exame de imagem — mamografia —, exame clínico, realizado por um profissional nas consultas médicas e autoconhecimento de mama — diferente do autoexame, esse pilar remete ao fato de a própria paciente se conhecer e saber como é a mama, para procurar um especialista no caso de alguma alteração.
Segundo Cristiane Alves Mendes Parizzi, é essencial as mulheres conhecerem o próprio corpo e se questionarem com relação a mudanças repentinas. “As mulheres devem ficar atentas a algumas mudanças nas mamas, como o surgimento de nódulos, ou alteração na coloração da pele, quando fica mais avermelhada, e alteração do formato do mamilo, ou quando dele passa a sair secreção, sobretudo de aspecto sanguinolento”, destaca a oncologista.
A idade certa
Embora ainda haja discussão sobre a idade inicial para a realização de mamografias nas mulheres — especialistas divergem entre 40 e 50 anos —, Guilherme Luna Martinez ressalta que a idade mínima para fazer o exame é 30, fundamentalmente se há algum caso da doença em parente próxima. “Algumas pacientes precisam ser investigadas antes dos 40 anos, por exemplo. Se ela tem algum caso na família, como mãe ou irmã, é bom que inicie um acompanhamento em torno de dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado com a doença”, sugere.