Mais de 2.800 morreram devido a Aids desde 1980

Mais de 2.800 morreram devido a Aids desde 1980

Pesquisadora da USP traça perfil dos portadores do vírus HIV em Ribeirão Preto

A incidência de portadores do vírus HIV em Ribeirão Preto é de 33,5 para cada 100 mil habitantes, um pouco superior à concentração do restante do Brasil, de 20,2 para cada 100 mil pessoas. Desde 1980, no auge da epidemia da doença, mais de 2.800 pessoas morreram devido a ela na cidade, e cerca de 6.000 foram diagnosticadas com o vírus.

Os números do País, disponibilizados pelo Portal Aids, do governo federal, são comparados com os dados levantados pela enfermeira Aline Andrade, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, que entrevistou  pacientes do Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) do Programa DST/Aids de Ribeirão Preto, e traçou um perfil do portador da doença no município.

Segundo o estudo, homens, heterossexuais, solteiros, com mais de 40 anos de idade, sem parceiro fixo e com ensino fundamental incompleto são as principais características dos portadores da aids.

Em 2014, um levantamento da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto, mostrou que a cidade tem 144 casos confirmados de Aids e 150 pessoas infectadas pelo HIV.

Aline observou que o diagnóstico da doença nestas pessoas só foi realizado após a maioria dos pacientes apresentarem sintomas e doenças oportunistas que ocorrem em decorrência do vírus, como candidíase oral e tuberculose.

A enfermeira identificou que o número de homens infectados ainda é maior do que o de mulheres, já que existem 1,04 homens para cada mulher infectada, proporção mais equilibrada entre os sexos do que no fim da década de 1980, quando chegou a ser seis casos masculinos contra um feminino.

“O aumento do numero de casos entre as mulheres refere-se ao processo de feminização do HIV/aids e acompanha a tendência nacional”, diz Aline.

Estudo

O perfil clínico, composto para dissertação de mestrado da enfermeira Aline Andrade, indica que quando os entrevistados foram diagnosticados com aids, eles já apresentavam sintomas, e a via sexual foi a provável fonte de transmissão do HIV.

“A obtenção do diagnóstico geralmente ocorre em função do aparecimento de sinais e sintomas da doença, seguido pelo diagnóstico do parceiro”, afirma a enfermeira.

Além de trazer o perfil sociodemográfico deste público, a pesquisa também mostra que mesmo com acompanhamento, mais da metade dos portadores apresentavam uma condição de saúde que favorece a instabilidade da doença, comprometendo o seu controle.

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Fotos: Divulgação

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