Mais uma prisão

Mais uma prisão

Desdobramento da Operação Themis resultou na detenção de Clóvis Ângelo, conhecido como “Capitão”, que, segundo o MP, captava clientes para os advogados em troca de comissão

O Mistério Público (MP), com o apoio da Polícia Civil, realizou a prisão de Clóvis Ângelo, conhecido como “Capitão”, em mais um desdobramento da Operação Themis na manhã de 6 de fevereiro, em Ribeirão Preto. Segundo o promotor de justiça responsável pelas investigações Aroldo Costa Filho, Ângelo era responsável por captar clientes por meio da associação “Pode Mais, Limpe Seu Nome” e repassar os contatos aos advogados em troca de comissão. Oitavo investigado preso, Ângelo foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ribeirão Preto, onde ficará até o término das investigações.

Segundo o promotor, Ângelo abordava pessoas no centro de Ribeirão Preto e em cidades da região com a promessa de que limparia o nome delas, levando-as a assinar atestados de pobreza e procurações que, depois, eram repassadas ao escritório dos advogados que já estão presos preventivamente. “As investigações indicam que ele tem vínculo com os advogados e com outras pessoas presas desde 2011”, diz o promotor. Cada indicação de Ângelo ao escritório tinha um valor. De acordo com o promotor, é possível que o investigado tenha encaminhado mais de 300 vítimas.

A investigação chegou até Ângelo após a delação de testemunhas ouvidas pelo MP. Na casa de Ângelo, a Polícia apreendeu planilhas que indicavam vínculos com os advogados, além de material de manutenção em máquinas de caça-níqueis. Segundo o promotor, após a deflagração da operação, testemunhas relataram ameaças feitas por Ângelo para mudarem o depoimento. Há suspeita, também, de que outras pessoas estariam ameaçando as testemunhas. “Chegaram informações dando conta de que algumas pessoas estão procurando vítimas e testemunhas já arroladas na ação penal oferecendo, inclusive, dinheiro para saírem de Ribeirão Preto”, acrescenta o promotor.

Ângelo foi candidato a vereador do município nas eleições de 2016 pela Coligação Rede/PPL. Para a campanha, contou com doação feita pelo também investigado na operação, Klaus Philipp Lodoli, proprietário de um bar no bairro Simioni, Zona Norte. Conforme Filho, Ângelo negou usar a associação Aroldo para compra de votos. Ganhou o apelido de “Capitão” por fazer retiradas de areia de rios e dar ordens a funcionários.

Operação Themis
A Operação Themis, cujo nome faz uma referência à deusa da Justiça, investiga uma organização suspeita de fraudar processos judiciais. Ao todo, seriam mais de 53 mil processos abertos com procurações falsas, que teriam rendido aos investigados cerca de R$ 100 milhões. Com Clóvis Ângelo, somam-se oito pessoas presas preventivamente até o momento, entre eles, quatro advogados e dois empresários.

Segundo a denúncia do MPE, os advogados captavam clientes e abriam processos ilegais no nome de cada um deles sem o conhecimento das vítimas, buscando, principalmente, a obtenção de lucro com honorários. Além disso, os advogados propunham ações em nome de homônimos das vítimas a fim de receber valores depositados em cadernetas de poupança decorrentes dos Planos Verão, Collor e Bresser. A captação dos clientes seria feita por meio das associações que procuravam as vítimas e prometiam a elas limpeza de nome e remoção do registro nos serviços de proteção ao crédito em três meses. 

Compartilhar: