Mania de fotografia
Foto da viagem, da balada ou do intervalo da escola, pode ser com o celular, com a máquina digital ou com a câmera profissional. O que importa é registrar
Foto da viagem, da balada ou do intervalo da escola, pode ser com o celular, com a máquina digital ou com a câmera profissional. O que importa é registrar todo tipo de evento para guardar, revelar e postar. Centenas de adolescentes aproveitam esse recurso tecnológico para capturar cada momento dessa fase da vida. Para ver o resultado, já não é necessário revelar as fotos, o que tornou esse hobby ainda mais prático.
Desde menina, a jovem Graciela Dias Pereira, de 17 anos, sempre gostou muito de estar à frente da câmera, ou seja, de ser fotografada. Entretanto, o interesse pela fotografia cresceu quando ela teve a oportunidade de tirar a primeira foto. “Para mim, saber que era possível capturar luz através de um objeto sempre foi mágico. Mesmo com uma câmera digital, das mais simples, eu fazia questão de tirar fotos em eventos familiares”, lembra Graciela, que procurou um curso para aprender mais sobre a área e hoje trabalha com fotografia.
Foi o que também fez Gabriel Silva Lobato, de 17 anos. O adolescente acredita que fotografar é registrar um momento especial para toda a vida. “Sempre tive uma boa noção de como tirar fotos, mas sentia que faltava conhecimento técnico. Antes de planejar uma viagem para a Europa, decidi me inscrever em um curso de fotografia”, conta o aluno, que agora também sabe como ajustar todas as opções de sua câmera e busca um olhar diferente em cada clique.
De acordo com Tony Miyasaka, engenheiro civil e proprietário de um estúdio fotográfico, os adolescentes acessam os recursos tecnológicos com muita facilidade. Hoje, celulares e câmeras digitais com preços acessíveis, além de outros acessórios, são companhia certa dos teens. “O contato com a tecnologia ocorre muito cedo. Em seguida, vem o interesse pelos sites de relacionamento, que estimula a divulgação do dia a dia das pessoas, especialmente dos jovens, incluindo a exposição de fotografias, que não precisam mais ser reveladas e impressas”, explica o especialista. Mesmo nesta nova realidade, Tony ressalta que o registro de um momento especial ainda é a razão da existência da fotografia, que continuará sendo útil para relembrar um instante marcante da vida, um lugar diferente, uma comida inesquecível, entre outros.
Para Carolina Kotchetkoff Henriques, algumas fotos podem emocionar mais do que um texto, por exemplo. “Como cientista social, sinto-me tocada por fotografias que retratam a realidade bruta, pobre e desigual que, muitas vezes, não percebemos no nosso dia a dia. A fotografia é a arte que congela este momento para não passarmos por ele despercebidos. Mesmo que seja uma realidade que não queiramos ver, precisamos sentir e refletir sobre o que podemos fazer para melhorar a realidade. Gosto das fotos que funcionam como uma ‘tapa’ para acordarmos e vermos aquilo que antes fingíamos não enxergar, fotos que mostram o que a maioria não quer olhar”, conclui a aluna de fotografia, que já se adaptou aos álbuns virtuais e gosta de escolher as fotos para revelar. Para Carolina, ver as imagens na tela não é o mesmo do que ter a foto nas mãos.
Texto: Mariana Secaf | Fotos: Carolina Alves, Ibraim Leão e Júlio Sian