Manifestações em RP
Sociólogo ressalta a importância de delimitar com precisão quais são as pautas e o motivo das manifestações
A manifestação, que teve início na esplanada do Theatro Pedro II, às 19 horas desta quinta-feira (20), além de ser contra o aumento da tarifa do transporte público - incentivado pelo Movimento Passe Livre (MPL)-, também foi uma maneira de os manifestantes pedirem por várias mudanças na cidade - entre elas, melhora na “saúde” e na “educação”.
Raphal Inacio, um dos representantes do MPL em Ribeirão Preto, afirma que o foco das manifestações foi perdido, pois muitos manifestantes estão buscando interesses maiores. Contudo, na opinião de Inacio, consequentemente, isto está fortalecendo o movimento. “Desde ontem (dia 20), as pessoas têm questionado se é válido ou não pensar em algo tão abrangente. O MPL é pela democratização do transporte público. Por isso a ideia do Passe Livre. Outros temas surgem no bojo destas reinvindicações, mas que não são pautas do Movimento. E isso certamente trará e fomentará outros movimentos que tenham pautas bem específicas e definidas”, explica Inacio.
O sociólogo José Elias Domingos acredita ser essencial que sejam delineadas e qualificadas as pautas de reivindicação. Na opinião de Domingos, o caminho é justamente delimitar com precisão quais são as pautas e o motivo dos manifestantes estarem nas ruas. “As pessoas devem tornar as reivindicações menos genéricas e mais explicativas. O que está faltando é organização, e acho que ela aos poucos vai sendo construída”, esclarece o sociólogo.
José Elias salienta ainda que, da maneira como estão sendo realizadas, há pontos positivos e negativos nas manifestações. Para ele, o povo se sentir participante e não alheio à vida política é um ponto positivo que precisa ser alimentado. Por outro lado, ainda existe o risco de, ao não delinear os pontos de luta, bandeiras que não representem a democracia, também serem levantadas.
Movimento Passe Livre
O MPL de São Paulo, que vinha convocando os atos na capital, anunciou na manhã desta sexta-feira (21), em entrevista à rádio CBN, que não convocará mais nenhuma manifestação. A decisão foi tomada devido a hostilidade sofrida por membros de partidos políticos durante as manifestações.
Douglas Beloni, representante do MPL-SP, contou durante a entrevista que os partidos hostilizados por manifestantes estavam desde o início compondo a luta contra o aumento e pela revogação da tarifa.
Mesmo com o anúncio do término dos atos na capital, Raphael Inacio, representante ribeirãopretano do MPL, afirma que em Ribeirão Preto os atos continuarão. “Continuaremos enquanto a tarifa não baixar”, ressalta.
Mantendo o foco
Além dos pedidos por uma democratização do transporte público, uma outra lista com cinco diferentes reivindicações circula nas redes sociais. A lista pede:
1 - Não à PEC 37;
2 - Saída imediata de Renan Calheiros da presidência do Congresso Nacional;
3 - Imediata investigação e punição de irregularidades nas obras da Copa, pela Polícia Federal e Ministério Público Federal;
4 - Criação de lei que torne corrupção no Congresso crime hediondo;
5 - Fim do foro privilegiado.
Na opinião de Raphael, esta pauta representa uma “desmobilização”. “Ela contribui para que muitas pessoas entrem nas manifestações sem saber o que de fato levará aquilo”, conclui.
Manifetantes pedem saída de Dárcy Vera
Dentre as várias reivindicações, os gritos dos manifestantes em Ribeirão Preto também pediam pela saída da prefeita Dárcy Vera (PSD). “A manifestação não começou com esse intuito, mas o povo é livre e está gritando pelo que pensa ser de direito”, diz o estudante Luiz Gustavo Porto. Na sua opinião, além da redução da tarifa do transporte público, outros vários motivos também fizeram a população protestar. “Isso ficou claro, pois o povo saiu às ruas empunhando diferentes cartazes e gritando diferentes frases”, conta.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Carolina Alves