Manifestantes ocupam plenário da Câmara

Manifestantes ocupam plenário da Câmara

Numa cena inusitada e histórica, manifestantes entraram no plenário e vereadores saíram correndo; sessão foi paralisada sem encerramento

Cerca de 60 manifestantes ocuparam na noite desta terça-feira, dia 17, o plenário da Câmara Municipal. Eles pularam o guarda corpos no momento da votação de um projeto que eles queriam ver rejeitado, mas que aparentemente seria aprovado. Os vereadores abandonaram seus lugares e saíram pela copa do prédio, apavorados com a ação. A sessão não foi encerrada e nem suspensa.

O ato realizado na Câmara era pela rejeição de um projeto da prefeita Dárcy Vera (PSD) que autoriza a prorrogação de contrato de professores temporários por dois anos. Os manifestantes são professores que prestaram um concurso homologado em outubro deste ano e ainda não foram chamados. A ocupação teve início assim que começou a votação do projeto.

Quatro vereadores da oposição –Beto Cangussú (PT), Gláucia Berenice (PSDB), Marcos Papa (PV) e Ricardo Silva (PDT)- encaminharam pela rejeição do projeto, mas quando a votação se iniciou e nove governistas votaram a favor da proposta da prefeita, os manifestantes entraram no plenário, por volta de 18h40. Sete vereadores votaram contra o projeto.

Como precisaria de maioria absoluta (12 votos), o projeto não foi aprovado e nem rejeitado. A votação pode ser retomada na quinta-feira, quando os manifestantes prometem voltar à Casa de Leis. O ato provocou um impasse, já que o Executivo precisaria da lei aprovada para prorrogar os contratos.

Na justificativa enviada à Câmara, a prefeita argumentou que em função de ter atingido o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) não pode neste momento chamar os professores concursados. Manifestantes e vereadores da oposição, no entanto, alegam que o projeto é inconstitucional.

Assembleia

Depois de mais de uma hora no plenário, sentados no chão ou nas cadeiras de vereadores, os manifestantes fizeram uma assembleia onde decidiram permanecer vigilantes contra a aprovação do projeto. No momento da discussão, a maioria dos vereadores já haviam deixado o prédio. Apenas Ricardo silva e Marcos Papa (PV) permaneceram no local, falando com os manifestantes e concedendo entrevistas a veículos de comunicação.

O prédio que já estava guardado por Guardas Civis Municipais (GCMs) recebeu reforço da Polícia Militar. No estacionamento estavam quatro viaturas de cada corporação. Um veículo de resgate do Corpo de Bombeiros também esteve no local. Mas não houve feridos nem depredações.

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Texto: Guto Silveira
Fotos: Divulgação 

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