Manifestantes voltam às ruas
Organizadores estimaram que o protesto do último domingo, dia 12 de abril, reuniu 30 mil pessoas. Com a ajuda de um helicóptero, a Polícia Militar calculou em 25 mil o número de manifestantes
Mais uma vez, e com um número menor de manifestantes, os ribeirão-pretanos voltaram às ruas no domingo, dia 12, para protestar contra o governo federal. Seguindo o mesmo roteiro do dia 15 de março, quando foram às ruas cerca de 35 mil pessoas, 30 mil manifestantes, para os organizadores, e 25 mil para a Polícia Militar, estiveram na passeata de cerca de quatro quilômetros pela rua Visconde de Inhaúma e avenida 9 de Julho. Proporcionalmente, Ribeirão Preto é uma das cidades do país que reúne o maior número de manifestantes convocados,
principalmente, através do aplicativo WhatsApp.
O pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) liderou a lista de reivindicações, como nos demais locais onde ocorreram manifestações, mas os protestos foram também contra a corrupção, desvios de dinheiro da Petrobras, contra a participação do ministro, Dias Tóffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento de acusados da operação Lava-Jato e até contra o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinícius. Houve também manifestação de apoio ao juiz federal do Paraná, Sérgio Moro, que atua no caso.
Convocada pelos grupos “Brasil Limpo” e a regional de Ribeirão Preto do “Vem pra Rua”, a manifestação contou com a participação de três trios elétricos, dez jipes no final da passeata e até da banda Fabulosa, que tocou hinos durante a caminhada. Na concentração, nas praças XV de Novembro e Carlos Gomes, os organizadores venderam camisetas, vuvuzelas e distribuíram apitos e balões.
Segundo o coronel da PM, Renato Alves, sete quarteirões da avenida 9 de Julho ficaram totalmente lotados. “O helicóptero Águia sobrevoou a região e constatou a lotação das quadras, o que calculamos em 25 mil pessoas”, disse o oficial. Inicialmente, a organização fez o mesmo cálculo, mas na segunda-feira o revisou para 30 mil. Cerca de 500 homes da PM estiveram envolvidos na segurança da manifestação, sendo cerca de 200 no patrulhamento das ruas. Mesmo que o número seja 25 mil, adesão supera em número o de várias cidades maiores. “Somos o município com uma das maiores mobilizações do Brasil, perto da participação de Brasília. Se fizermos a contagem por proporção com o número de habitantes ou de eleitores, somos imbatíveis”, disse Marcos Spínola de Castro, um dos administradores do grupo Brasil Limpo.
Recados
Com faixas, cartazes e muitos gritos de ordem, os manifestantes mandaram recados para o governo federal. O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, o ministro do STF Dias Tóffoli, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e o ex-deputado federal, José Genuíno (PT-SP), ganharam adereços usados por manifestantes que incluíram imagens da bandeira do Brasil e um rato, numa alusão à soltura de ratos durante depoimento do tesoureiro do PT José Vacari Neto na CPI da Petrobrás.
Já os cartazes e faixas mandaram mensagens de críticas e de apoio. A maioria com pedido de impeachment da presidente. As palavras de ordem mais ditas durante a caminhada fizeram um convite a quem assistia a manifestação com um sonoro “vem pra rua” e de defesa das cores da bandeira: “nossa bandeira jamais será vermelha”, gritavam em coro os manifestantes.
Pela segunda vez, o agente de viagens Fifo Ramos, 51 anos, foi para as ruas protestar contra o que ele classifica de “governo péssimo”. Numa cadeira de rodas, o empresário seguiu os manifestantes pelas ruas. Fifo conta que ficou paraplégico há oito anos, após um mergulho em águas rasas, mas a deficiência não o segura em casa. Integrante do grupo Pátria Amada na Rua, ele disse que na época da campanha eleitoral também participou da organização de manifestações. “Muitos problemas ficaram represados. Além disso, há muita enganação e dúvidas sobre a lisura da urna eletrônica”, comentou o empresário. Para o agente de viagens, há possibilidade de o impeachment da presidente ser concretizado. “O impeachment será validado quando estourar o escândalo do BNDES, que é muito maior que o do Mensalão e do Petrolão”, apontou Fifo.
O aposentado Sebastião Lopes Ferreira, 77, foi ao protesto de roupa social, sapato brilhando e um cartaz protestando por ser roubado após tantos anos de trabalho. Ele diz ganhar menos de dois salários mínimos de aposentadoria, depois de trabalhar na construção de dez hidrelétricas. “Meu primeiro emprego foi na hidrelétrica de Paulo Afonso, na Bahia, onde trabalhei na escavação de barragens. Também participei da construção de siderúrgicas do norte da África, no Caribe e na Argélia”, conta. Sebastião trabalhou ainda na Saresp, antecessora da Sabesp. “Agora, o governo está massacrando a gente. Temos que protestar”, reclama o aposentado.