Marketing Digital

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Com o surgimento da internet e das redes sociais os consumidores passaram a ser “donos” da marca e responsáveis por sua divulgação

Uma empresa pensa numa ação de marketing e adapta sua campanha para o meio digital. Feito isso, a campanha publicitária sai das mãos dos profissionais de marketing de uma certa empresa e passa para as mãos dos internautas. Com o surgimento da internet e das redes sociais os consumidores passaram a ser “donos” da marca e responsáveis por sua divulgação. “As marcas não são mais dos profissionais de marketing, os melhores profissionais de marketing agora são os consumidores” afirma Edmar Bulla, expert em marketing digital e diretor executivo da Croma Marketing Solutions. 

“A dificuldade desses profissionais de marketing hoje é não se desapegarem da marca. Tem que desapegar, porque se não desapegar a coisa não acontece. A marca não é dele, a marca é das pessoas. Se a marca não for das pessoas a marca não ‘fermenta’. Isso é condição ‘Sine qua non’ -  ‘Sem a qual não pode ser’, explica o expert.

Mas, para ser bem sucedido, o profissional deve ter a consciência de que o marketing não tem lugar para acontecer. Segundo Bulla, a empresa tem de ir onde o público está. “Existe um ditado que diz ‘keep fishing where fish is are’”, cita. “O ditado quer dizer: ‘Continue pescando onde os peixes estão’. Se os peixes estão lá - na internet, pesque lá”. 

No entanto, se o público alvo de uma empresa qualquer não consumir a mídia internet, o marketing dessa empresa, voltada para a internet, não obterá sucesso. “O marketing tem de ser feito onde o consumidor está” ele ressalta. 

Edmar Bulla afirma que as pessoas estão na internet, não para falar com marcas, mas sim, com pessoas. A internet trouxe a possibilidade compartilhamento de gostos  e interesses mútos entre os grupos que tenham os mesmos ideias. Bulla diz que a “mídia social não substitui teoria de marketing. Internet e marketing digital, não passam de recursos da teoria clássica de marketing que se reinventa a cada dia.  Temos de tomar cuidado para não cairmos no banal e sair vendendo solução para os clientes, criando assim a nossa própria armadilha”.

Bulla diz ainda que não há coisa mais irritante que uma marca que “queira virar gente”. Ele cita o exemplo dos personagens infantis Pinóquio, da boneca Emília e do Visconde de Sabugosa. “Usei esses personagens pois todos eles queriam ser gente então eu creio que, por isso, eles sejam mais ou menos engraçadinhos. Com a internet tem a história de que a marca precisa ser engraçadinha e a marca não precisa ser engraçadinha. Se está no atributo da marca ser engraçadinha ela será engraçadinha” e completa. “Grandes empresas de telefonia fizeram uns ‘filminhos’ recentemente. Empresas assim acham que estão fazendo conteúdo interessante na internet e não estão. Porque aquilo é publicidade e com  a publicidade você não aproveita o potencial que o meio digital te traz. Gastar 150 mil reais na produção de um filme fantástico, que poderia ser veiculado principalmente na TV e colocá-lo na internet. Isso não é conteúdo de marca”. 

E aponta um dado muito interessante. “Existe uma pesquisa que aponta que 25% de todo conteúdo de pesquisa relacionados as 20 maiores marcas do planeta é produzido por pessoas que não recebem nada por isso. A exemplo disso temos a coca-cola, que tem ¼ do seu conteúdo global disponível na rede mundial de computadores, 25% de todo o conteúdo relacionado a sua marca é produzido por pessoas na internet. O que é isso senão conteúdo de marketing? O conteúdo já está lá, sempre esteve, ele só precisa ser gerido e administrado”.

Para finalizar, Edmar Bulla diz que tem de se levar em consideração que a internet mudou drasticamente a maneira das pessoas consumirem as mídias. E ele levanta a seguinte questão. “Como uma marca tem a pretensão de achar que um filme ‘bacaninha’ baseado numa idéia pode sustentar a relação de uma marca com as pessoas? Eu respondo que não pode”. E diz que “isto é engodo, é uma armadilha. O que precisamos entender, primeiramente, é que a internet não é a melhor maneira do mundo funcionar”.

Revide on-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Arquivo Revide e Divulgação

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