Maternidade 4.0
Mães do coração, de quadrigêmeos, de bebês arco-íris... O século 21 modernizou, também, as relações maternais, oferecendo desafios — e prazeres — às mulheres que decidiram ter filhos
O que soaria impossível há décadas se tornou realidade corriqueira. O papel da mulher, por vezes submisso, contrasta com o empoderamento feminino emergido no século 21, que traz mais autonomia, inclusive, à decisão de se ter, ou não, filhos. É a partir dessa maior liberdade de escolha e da independência, que mulheres de Ribeirão Preto optaram pela maternidade, cheia de surpresas e de desafios.

Com experiência em desenvolvimento pessoal e foco em cultura e clima organizacionais, a psicóloga Mônica Silvestre Santos comenta que, apesar da transformação da sociedade em relação ao papel da mulher no mercado de trabalho, a divisão entre o papel profissional e de mãe é motivo de cobrança e sofrimento entre elas. “Além da saudade por, algumas vezes, ser necessário viajar a trabalho, por exemplo, uma das causas do sofrimento é a auto cobrança e o sentimento de culpa proveniente de crenças inconscientes, como o papel exclusivo da mulher de cuidar da família”, comenta.
Para ela, dar novo sentido a essas crenças e compreender as novas necessidades do mundo moderno amplia a visão da mulher e da sociedade para os seus múltiplos papéis, o que implica ser mãe, ser profissional, ser amiga e, também, provedora da família. Ela ainda acrescenta que o grande desafio do mundo digital, acelerado e cheio de demandas, é o gerenciamento do tempo e das prioridades.
A administração de todos esses papéis, segundo a especialista, depende do equilíbrio do tempo e dos cuidados da mulher em relação à atuação dela como multitarefas. “Estar presente e inteira é fundamental para a qualidade das relações. Qualidade de tempo é mais importante do que quantidade”, afirma a psicóloga.
De acordo com Mônica, a escolha por focar na profissão e ter uma vida sem filhos era inaceitável antigamente. Hoje, entretanto, é visto que, cada vez mais, elas têm adiado ou até não optado pela maternidade como uma única razão de felicidade e propósito de vida.

Acúmulo de funções
Para a psicóloga e doula, especialista em desenvolvimento de bebês em seu primeiro ano de vida, Ludmilla Dell'Isola, a escolha pela maternidade tardia, tão comum atualmente, é resultado da busca pela estabilidade financeira e profissional que tem impacto direto no papel da mulher na sociedade contemporânea.
Para ela, a questão vai além da gestação e da decisão em ser mãe: a fase implica, também, na licença maternidade, segundo a qual, pela lei vigente, o pai não usufrui do mesmo período, o que o impossibilita de apoiar os cuidados com o bebê. “Após o breve afastamento, a mulher retorna às demandas profissionais e, ainda, acumula a função de cuidadora dos filhos. Além disso, nem sempre conta com uma rede de apoio como avós ou outros familiares que ajudem, o que contribui para a sobrecarga dessas mulheres e até mesmo do casal”, comenta.
A pluralidade do amor materno
Para comemorar o Dia das Mães, a convite da Revide, a fotógrafa Lidia Muradás clicou 15 mulheres e seus filhos, gerados das mais variadas formas: depois da perda de algum bebê, por fertilização, por adoção, ainda na adolescência, ou depois dos 40 anos. “A série de fotografias surgiu com o propósito de apresentar, por meio de histórias de vida, o quanto a mulher é forte, guerreira e merece respeito, em suas diversas formas e, sobretudo, ser valorizada e amada”, comenta Isabel de Farias, diretora comercial da Revide.
Fotos: Lidia Muradás
Agradecimento: Sierra – UneRobusti – Tel.: (16) 3621-8709
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