Médicos vão às ruas
Manifestação reuniu em RP cerca de 200 médicos e estudantes, em protesto contra a contratação de estrangeiros sem revalidação do diploma
Médicos de Ribeirão Preto protestaram ontem, dia 3, no centro da cidade, contra a contratação de médicos estrangeiros em regime de urgência (por três anos, sem atestar conhecimento médico), proposta pelo governo federal.
A convocação partiu do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) e do Centro Médico de Ribeirão Preto e esteve em sintonia com as manifestações da classe que aconteceram em todo o país.
Estudantes, professores e médicos de diversas especialidades participaram com os rostos pintados de verde e amarelo. O encontro foi marcado em frente à esplanada do Theatro Pedro II, e os manifestantes seguiram pela Rua General Osório até o Palácio do Rio Branco, onde cantaram o hino nacional e entoaram gritos de ordem contra os médicos cubanos, a presidente Dilma Roussef e a favor do voto distrital. Segundo a PM, haviam cerca de 200 manifestantes no local.
Samira Ubaid Girioli, cardiologista há 20 anos, alerta para o fato de que, uma possível contratação de médicos estrangeiros sem o Revalida poderia afetar a credibilidade da medicina brasileira no exterior, já que, por exemplo, um médico daqui não consegue atuar em Portugal sem revalidar, antes, o seu diploma naquele país.
Entre os estudantes mais novos, a maioria também não concorda em abrir esta exceção, mesmo em caráter de urgência. Defendem a possibilidade de grande parte de médicos estrangeiros não conseguirem passar no Revalida e apontam a falta de infraestrutura no país como principal problema da Saúde.
Acampados em frente à prefeitura municipal desde terça-feira da semana passada, dia 25 de junho, representantes do Movimento Passe Livre, que protesta contra o aumento das tarifas de ônibus, se espremeram entre os manifestantes da medicina. Alguns disseram não compreender muito bem as reinvindicações dos médicos e que precisariam de tempo para conhecê-las melhor.
Revalida
Aplicado em diversos países, tais como Reino Unido, Portugal e Estados Unidos, o exame de revalidação de diploma emitido no exterior tem por objetivo testar a equivalência das grades disciplinares e, também, o conhecimento sobre os problemas estruturais que as instituições em cada país enfrentam.
Não Brasil, o Revalida existe desde 2011, é aplicado por 37 universidades públicas, entre elas a USP, e composto por 110 questões objetivas, cinco discursivas e uma prova prática.
Revide Online
Texto: Gabriel Gonçalves (colaborador)
Fotos: Ibraim Leão