Melhor caminho

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Manter hábitos de vida saudáveis e exames periódicos são atitudes que ajudam a prevenir e a identificar precocemente o câncer de próstata

De evolução lenta e silenciosa na maioria dos casos, o câncer de próstata, cujo tipo mais comum é o adenocarcinoma, está diretamente ligado ao avanço da idade. Isso porque o órgão aumenta de tamanho gradativamente a partir dos 25 anos. No entanto, a hiperplasia prostática benigna raramente causa sintomas antes dos 40 anos de idade. Por volta dos 55, cerca de um a cada quatro homens apresenta alguns sintomas da próstata aumentada, como aumento da frequência urinária ou sangramento na urina e ardência para urinar. Quando há um tumor e esse já está em um estágio avançado, pode disseminar para os ossos, causando dores, em geral, no quadril e na coluna, mas a doença pode afetar qualquer osso do corpo.

Aos 75, quase metade dos homens relata algum tipo de sintoma relacionado à próstata. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mais de metade dos homens na faixa etária dos 60 anos e 90% daqueles com mais de 70 anos apresentam algum tipo de alteração. Uma pesquisa realizada pela SBU, em 2013, junto a cinco mil homens revelou que 47% deles nunca haviam realizado exames para detectar o tumor, 44% jamais tinham consultado um urologista e 51% nunca realizaram exames para aferir os níveis de testosterona no sangue.

Para evitar complicações na saúde do homem, especialistas indicam manter uma vida saudável, com prática regular de exercícios, boa alimentação e a visita regular ao urologista. O rastreamento para identificar qualquer tipo de alteração na glândula é indicado a partir dos 40 anos de idade. Isso é feito por meio do toque retal e da medição do Antígeno Prostático Específico (PSA) no sangue. Para um diagnóstico ainda mais preciso, em caso de alteração, o médico pode solicitar um ultrassom transretal, com biópsia da próstata para verificar a presença ou não da doença.

Se não for diagnosticado a tempo, alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos. “Por isso é tão importante o acompanhamento médico e a realização de exames preventivos”, orienta o urologista e professor da disciplina de Urologia do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, Rodolfo Borges dos Reis. Nesse sentido, a campanha Novembro Azul faz um alerta ao público masculino, por meio de diversas ações, como palestras e distribuição de folders informativos sobre os procedimentos, os exames, entre outras iniciativas que objetivam reduzir os índices da doença e de mortes.

Rodolfo lembra que a indicação do tipo de tratamento ou a cirurgia para retirada da próstata depende das condições de saúde do paciente e também do grau evolutivo da doença. Para isso, além dos exames já citados, o especialista leva em conta a classificação de Gleason, praticamente uma tabela que ajuda a identificar o grau de agressividade do câncer e contribui na tomada de decisão em relação ao melhor tratamento. Segundo o urologista, o ambulatório do Serviço de Urologia-oncologia do Hospital das Clínicas atende em torno de 400 pacientes por mês com câncer de próstata e realiza, em média, 20 cirurgias no mesmo período.

Como se prevenir

• Manter uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos, cereais integrais e com menos gordura é uma boa forma manter a saúde em dia. Além de ser eficiente no controle do peso, uma rotina alimentar saudável melhora a qualidade de vida, diminuindo, inclusive, o risco de doenças cardíacas. Vegetais possuem vitaminas e nutrientes que podem reduzir a ameaça do câncer de próstata.

• Aumentar a ingestão de alimentos ricos em licopeno, como tomate, cenoura, morango, pimenta vermelha, melancia, cereja, rabanete, pimentão vermelho e goiaba é outra dica eficiente.

• Praticar exercícios, pelo menos, 30 minutos diários contribui para a saúde global do corpo. Caminhar mais e escolher as escadas em vez do elevador são boas maneiras de se exercitar no dia a dia.

• Manter o peso adequado
, de acordo com as recomendações para a altura, é fundamental. A obesidade está relacionada ao aumento do risco de diversos cânceres, incluindo o de próstata.

• Diminuir o consumo de álcool e não fumar são atitudes apropriadas para prevenir todos os males do corpo.

• Quem tem histórico familiar da doença deve avisar o médico, que indicará exames complementares, quando necessário.

• Manter os exames de rotina em dia é a única maneira de garantir um diagnóstico precoce do câncer.


Triplamente vitorioso

Prestes a completar 71 anos de idade, no dia 21 de novembro, e depois de passar por dois outros cânceres, na cabeça e na
bexiga, em 2014, Gerson Hamilton Sembeneli foi diagnosticado com câncer de próstata. O tumor pequeno, do tamanho de um grão de arroz, não pôde ser tratado com cirurgia ou radioterapia, devido a complicações no intestino e na bexiga por conta do grande número de radioterapias anteriores. “Fiquei tão apreensivo e com tantas dúvidas que acabei indo a oito médicos diferentes”, recorda Gerson. Diante do quadro clínico, o médico optou pelo tratamento medicamentoso, por meio de vacinas aplicadas mensalmente.

O primeiro câncer surgiu aos 58 anos na cabeça. Depois, em 2006, teve 30% da bexiga retirado devido a um novo carcinoma. Em julho de 2014, foi a vez da vesícula, removida por precaução, por conta de algumas pedras. “Eu tenho algumas restrições, não posso abusar da alimentação, da bebida e devo manter o peso equilibrado. Vou ao urologista desde os 40 anos. Hoje, as visitas acontecem a cada três meses, bem com a realização de exames de rotina, como o PSA,”, relata Gerson, ao lado da esposa Silvia, sua maior incentivadora.

Fotos: Julio Sian

 

 

 


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