Melhora no IDHM
Apesar da melhora, Ribeirão Preto caiu no ranking nacional
De 1991 a 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Ribeirão Preto saltou de 0,626 para 0,800, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil.
O município está situado na faixa de Desenvolvimento Muito Alto (com IDHM entre 0,8 e 1). Apenas 8% dos municípios brasileiros estão nessa faixa. porém, a cidade caiu no ranking nacional. Em 2000, a cidade ocupava a 22ª posição. Em 2010, caiu para a 40ª .
O índice é formado por três componentes: Educação, Longevidade e Renda. Em termos absolutos, a Educação foi o componente que mais cresceu no período, pulando de 0,429, em 1991, para 0,739, em 2010.
Em 1991, 44,75% dos adultos tinham completado o ensino fundamental, em 2000, o percentual foi de 55,68%, e em 2010, de 68,31%. A escolaridade também aumentou nos últimos anos. A taxa de pessoas com mais de 25 anos com diploma do ensino superior passou de 11,46%, em 1991, para 20,9% na última pesquisa, enquanto a taxa de analfabetismo caiu de 7,7%, em 1991, para 3,4% em 2010.
Segundo o professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP), Alberto Borges Matias, o aumento do índice da educação não resultou no aumento da qualidade do ensino. “A educação não está na pauta política da sociedade de Ribeirão Preto. Tanto o poder público, representado pela Prefeitura e pela Câmara, quanto a sociedade civil, incluindo a imprensa, não discutem a educação da cidade. Quando se fala em Educação, a única coisa que se fala é em destinação de recursos”, afirma.
O professor alerta para o papel fundamental dos pais na melhora da qualidade do ensino. “As escolas que têm melhor qualidade são aquelas em que os pais têm maior participação nas decisões, cobrando mais”, ressalta. 
Quanto ao aumento do número de pessoas com diploma do ensino superior, o professor critica a mercantilização. “A preocupação da maioria dos alunos é ter o diploma e não realmente aprender, enquanto a maioria das faculdades se preocupa mais com o negócio, do que com o ensino”, analisa.
Outro indicador importante da qualidade de vida, a expectativa de vida do ribeirão-pretano, teve um aumento de mais de cinco anos. Em 1991, a expectativa ao nascer era de 70,2 anos, em 2000, subiu para 72,5 anos e subiu novamente em 2010, para 75,7 anos. No país, a expectativa de vida é de 73,9 anos.
A renda per capita média dos moradores de Ribeirão Preto teve um incremento de 46,14% nos últimos 19 anos. Em 1991, era R$ 899,18 e subiu para R$ 1.070,28, em 2000. Em 2010, a renda média era de R$ 1.314,04. Caiu a proporção de moradores de Ribeirão Preto em situação de extrema pobreza, ou seja, com renda domiciliar per capita menor que R$ 70,00. Em 1991, o percentual era de 0,81%, em 2000 subiu para 1.52% e, em 2010, a proporção baixou para 0,61%.
Alberto Matias lembra que a melhora da qualidade do ensino pode alavancar a renda per capita. “Há em Ribeirão Preto uma falta de mão de obra qualificada e a cidade está importando profissionais, enquanto poderia, ela mesma, qualificar os seus moradores”, aponta.
Mesmo com a melhora dos índices de renda e a queda no índice de extrema pobreza, a desigualdade em Ribeirão Preto aumentou nas últimas duas últimas décadas. O Índice de Gini, que aponta a diferença entre a renda dos mais ricos e dos mais pobres, varia de 0 a 1 (sendo 1 a representação da desigualdade total), variou de 0,53 para 0,54, comparando dados de 1991 com 2010. No ano 2000, o índice foi de 0,56.
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Texto: Brunno Vogah
Fotos: Divulgação