Menalton e a 6ª edição

Menalton e a 6ª edição

Confira a seguir uma rápida entrevista do portal da Revide com o autor

Membro e ex-presidente da Academia Ribeiraopretana de Letras, o escritor Menalton João Braff  acaba de ter lançada a sexta edição de seu livro de contos “À Sombra do Cipreste”, publicado pela primeira vez em 1999 e ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura em 2000, na categoria “Livro do Ano - Ficção”

Primeiro parágrafo da orelha da 6ª edição:

À sombra do cipreste é a obra que projetou Menalton Braff no cenário literário brasileiro, no limiar do terceiro milênio. E o grande sucesso deste livro junto ao público e à crítica ? laureado com o Prêmio Jabuti ? Livro do Ano, em 2000 ? foi previsto pelo saudoso Moacyr Scliar, no apaixonado texto que escreveu para a orelha das primeiras edições, publicadas por Galeno Amorim em sua antiga editora, Palavra Mágica: “Não tenham dúvida os leitores: estamos diante de um notável contista. (...) O que temos aqui é o conto em sua melhor expressão. São textos muito curtos, mas carregados de intensidade dramática: aquelas situações-limite em que o ser humano se vê cotejado com sua realidade externa e interna”.

Confira a seguir uma rápida entrevista do portal da Revide com o autor.



Como se sente vendo seu livro chegar à 6ª edição?
Sinto que às vezes acerto. E é claro, isso é estimulante.

O sentimento em relação a esta publicação é sempre o mesmo ou se renova?
Na verdade, há uma gama de sentimentos simultâneos, mas que se sucedem no primeiro plano. Hoje, por exemplo, sou o pai de um garoto que passou no vestibular. O sentimento principal é de orgulho.

Como descreve a emoção primeira de ter um livro publicado e de ser ganhador do prêmio Jabuti?
Bem, primeiro é necessário esclarecer que ninguém escreve livros para ganhar prêmios. O prêmio, se vier, faz bem, se não vier não atrapalha. Meu primeiro livro publicado, Janela aberta, não teve repercussão nenhuma e me deixou com muitas dúvidas a respeito do caminho que pretendia seguir. É uma sensação de alegria e angústia emboladas na mesma cor. O livro com que ganhei o Jabuti já foi minha terceira obra, e, então, já vislumbrava meus caminhos, minhas opções estéticas, e o prêmio, apesar de estimulante, não poderia alterar mais nada em minhas convicções.

Quantos exemplares deste livro já foram publicados?
Quem poderia responder isso era a editora, que não existe mais. Mesmo assim, me lembro do momento quando estava ultrapassando os 15.000.

Porque acha que o livro alcançou tamanho sucesso?
Bem, há um tom de desencanto finissecular nos contos, um sentimento de perplexidade quanto ao futuro do ser humano, uma frustração pelos atos falhos que acompanham a vida de cada um que talvez tenham caído no gosto do público.

Qual o maior desafio em escrever?
O domínio da linguagem, suas virtualidades. Uma boa história pode resultar um texto medíocre; uma história apenas razoável pode ser base para um texto excepcional. Criar o estado poético, com as palavras, causar o estranhamento no leitor, carregar o leitor para o mundo das palavras, com sua carga de emoção e o sentido da beleza, esses são alguns dos principais desafios da escrita literária.

E a maior alegria?
A maior alegria é o sentimento da criação. Botar o ponto final, olhar para trás e pensar: esta obra, que antes não existia, saiu de minhas mãos. É o sentimento do autor demiúrgico.

E as próximas publicações, a quantas andam?
Bem, ainda este ano a Global vai lançar o romance Tapete de silêncio. Já conversamos sobre os detalhes e o contrato está em elaboração. Gosto muito desse romance. E, além de outros originais que mantenho na gaveta, estou trabalhando atualmente em um novo romance. Esse ainda sem título.

Texto: Yara Racy
Fotos: Arquivo Revide


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