Mercado renovado
Assim como no ramo de vestuário, o setor de móveis e decorações é diretamente influenciado pela moda
Assim como no ramo de vestuário, o setor de móveis e decorações é diretamente influenciado pela moda. A cada temporada, novidades são apresentadas pelas mais importantes fábricas, agitando o mercado e deixando o público deslumbrado pelas inovações de materiais, de design e de tecnologia. Milão, na Itália, é o ponto de partida das tendências. Em abril, a cidade se transforma em uma verdadeira vitrine para todo o mundo. Porém, nem sempre o que é lançado nos estandes durante o evento chega ao consumidor final. Isso porque as ideias costumam ser extremamente modernas e conceituais. “O novo nem sempre é aceito imediatamente pelos clientes. Milão é um centro de referência; mostra para que lado devemos seguir. Daí, os profissionais nacionais, altamente qualificados, absorvem as informações e fazem algumas adequações ao gosto e às necessidades do público local”, afirma o empresário Stélio Robusti, proprietário da UneRobusti.
Depois de muitos testes e aperfeiçoamentos, o que foi exibido na edição do ano passado da Feira de Milão chega ao mercado. O resultado desse trabalho de regionalização foi apresentado na Feira da Associação Brasileira das Indústrias de Móveis de Alta Decoração (ABIMAD), realizada entre os dias 8 e 11 de fevereiro, em São Paulo. Este é um dos maiores e mais relevantes encontros do segmento. Após um breve período de promoções, as lojas já realizam a troca de showroom e os interessados podem conferir o que estará em alta este ano. Segundo Stélio, algumas fábricas se anteciparam e, em novembro e dezembro, já colocaram as novidades em seu catálogo. Mas é agora que o setor se renova efetivamente.
Antonio Carvalho Neto, gerente de compras da Móveis Carvalho, comenta que o lançamento de novidades é fundamental para manter o mercado em atividade, despertando o desejo e estimulando as pessoas a investirem na ornamentação da casa. “A evolução da indústria fica perceptível em cada nova coleção. Muita gente espera por esta renovação e, consequentemente, a procura na loja e o volume de vendas aumentam”, ressalta o gerente.
Para o arquiteto Sergio Coelho, Ribeirão Preto abriga, cada vez mais, apreciadores de móveis e ornamentos de alto padrão. “Nada exagerado. A pessoa não vai ter a casa toda com traços modernos. Apenas alguns elementos escolhidos com cautela para trazer bom gosto, elegância e sofisticação”, enfatiza. Maria Fátima Santos Chapini segue essa receita. A professora, que gosta muito do assunto, acompanha de perto as tendências através de revistas, programas de TV e visitando algumas lojas. As novidades têm espaço garantido em sua casa, mas sem deixar os clássicos de fora. “A história é muito importante. Ajuda a preservar a nossa identidade. Tenho móveis que foram dos meus avós ao lado de peças bem modernas. Essa união é fantástica”, opina Maria Fátima.
Ainda segundo Sergio, as tendências são reflexo da realidade que as pessoas vivem em determinado momento. “A crise financeira que abala a Europa e os Estados Unidos, por exemplo, afeta diretamente a produção das indústrias. A recessão interfere na moda. Eles vivem uma fase cinza, por isso a presença significativa das cores em uma tentativa de trazer alegria”, diz. Não tendo mercado consumidor, os designers precisam reciclar seus conceitos. O arquiteto acredita que, em breve, as tendências serão voltadas para o que o público realmente precisa, o básico. O design continuará se desenvolvendo, mas o preço deve ser mais acessível.
As tendências
Entre as muitas opções disponíveis, confira alguns dos itens que merecem atenção especial
As cores
Elas voltaram com tudo e mais vibrantes do que nunca. As tonalidades são variadas. Além dos tradicionais preto e branco, a ousadia fica por conta do vermelho, do laranja, do amarelo, do vinho, do roxo e do azul, por exemplo. A maneira mais usual de aplicar a cor é na laca, tipo de revestimento dos móveis. Há, ainda, os vidros coloridos nos tampos de mesas de jantar, centro e aparadores, entre outros. O indicado é colocar pequenas doses em um espaço predominantemente neutro, como peça-chave, para manter o equilíbrio.
Sustentabilidade
Os materiais ecologicamente corretos estão em alta — as madeiras, principalmente. O estilo rústico, de demolição, tem boa aceitação por parte do público. As lâminas industrializadas, que reproduzem perfeitamente o material, também ganharam espaço, em tons naturais.
Conforto
Além da beleza, o conforto é essencial. Nessa parte, os estofados são os campeões. “Quando estamos em casa, queremos tranquilidade, descanso. Através de uma tecnologia apurada, os modelos atuais usam mecanismos retráteis e reclináveis que atendem às necessidades do público oferecendo mais conforto do que os convencionais”, indica Antonio.
Acessórios
Alguns acessórios fazem a diferença na composição. As tachas, características dos anos 60, foram repaginadas e ornamentam poltronas, cadeiras, pufes, cômodas e outras peças. O mesmo se aplica ao inox, ao couro e aos tecidos de diferentes texturas. “Esse contraste costuma render combinações bem interessantes”, sugere Stélio.
Texto: Paula Zuliani
Fotos: Julio Sian e arquivo