Miopia: incidência epidêmica
O crescente número de pessoas míopes pelo mundo — especialmente crianças e adolescentes — vem merecendo grande atenção dos oftalmologistas
Pesquisas internacionais já revelaram que, em cinco décadas, o número de pessoas que sofrem de miopia — problema de visão que dificulta a capacidade do indivíduo de focar objetos que estão distantes — duplicou. As estimativas indicam que, em três anos, um terço da população mundial terá que conviver com a doença. Geralmente manifestada em crianças e adolescentes em idade escolar, sua maior incidência é verificada na Ásia, mas os números relativos aos Estados Unidos e à Europa também preocupam.
Se há alguns anos, a miopia era intimamente relacionada à herança genética, hoje já se sabe que outros fatores, comportamentais e ambientais, também contribuem consideravelmente para o seu desenvolvimento. “Muitos estudos vêm comprovando que permanecer por longos períodos em ambientes fechados e estar cada vez mais exposto a certos tipos de iluminação podem levar o indivíduo a se tornar míope”, explica o oftalmologista Gleilton Mendonça (CRM: 101.076), diretor do Centro de Oftalmologia Especializada (COE) de Ribeirão Preto. Sendo assim, a crescente demanda educacional colabora para que a miopia se torne epidêmica, assim como a alta exposição à luz emitida por smartphones, tablets e outros equipamentos do gênero.
De acordo com o especialista, passar mais tempo ao ar livre, sob a luz natural, e deixar de lado os “gadgets” eletrônicos são medidas que podem evitar que a miopia se desenvolva ou, pelo menos, desacelerar seu processo de evolução. “Estimular as crianças a brincar ao sol, portanto, é uma boa ideia, também, para garantir a saúde dos olhos”, reforça Dr. Gleilton.
Se a miopia já está instalada, óculos e lentes de contato, adotados o mais precocemente possível, também ajudam a diminuir a velocidade de sua evolução e, consequentemente, derrubar as chances de aparecimento de problemas oculares mais graves, como catarata, glaucoma, desprendimento da retina, maculopatia míope e até cegueira. “Concluída a fase de desenvolvimento do indivíduo, é possível recorrer a outros tipos de procedimentos, como as cirurgias a laser”, tranquiliza o oftalmologista.