Missão de paz
Porto Príncipe foi uma das cidades que mais sofreu com o terremoto de 12 de janeiro de 2010
Fragilizada por conflitos e desastres naturais como tempestades tropicais e furacões, a República do Haití passou a receber ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU) depois que a situação no país foi considerada uma ameaça à paz internacional. O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu criar a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), que em 1º de junho de 2004, passou a realizar trabalhos para a manutenção da paz no país.
O 1º Tenente Dentista Cristiano Augusto Paulino de Alvarenga, de Ribeirão Preto, foi voluntário em Porto Princípe de setembro do ano passado a abril deste ano, participando da missão chefiada pelo Brasil. A Missão de Paz busca manter um ambiente seguro e estável no Haiti. São realizadas ações conjuntas com os países integrantes da Minustah, com militares direcionados à patrulha, que são Batalhão Brasil (Brabat-1 e Brabat-2) e Bramar, composto por fuzileiros navais. A Companhia de Engenharia de Força de Paz (Braengcoy) é responsável por desenvolver projetos para reconstrução do país, tendo papel fundamental na perfuração de poços e recapeamento de estradas, levando para os haitianos a esperança de um futuro melhor. Os militares do contingente brasileiro participam de Ações Cívico-Sociais (ACISOS), além das tarefas realizadas em cada função. A função desempenhada pelo 1º Tenente ribeirãopretano era a de cirurgião dentista. “No entanto, caso fosse necessário, atuaria em outras funções militares, pois antes de ser dentista, sou militar e estava a serviço do Exército Brasileiro”, conta o tenente Alvarenga.
No dia 12 de janeiro de 2010 o país sofreu com um sismo que atingiu 7.0 na escala Richter, com um epícentro a poucos quilometros de Porto Príncipe, que destruiu praticamente toda a cidade, deixando 300 mil mortos e muitos desabrigados.
No período em que esteve no Haiti em missão de paz, tenente Alvarenga atuou, principalmente, nas áreas de Cité Soleil, Cité Militaire e Bel-Air, presenciando a pobreza, a destruição causada pelo terremoto de janeiro de 2010, a falta de saneamento básico, os altos índices de malária, HIV e cólera. Mas, segundo o tenente, mesmo com toda essa tristeza, o povo haitiano se mostrou muito alegre e esperançoso, o que para ele, proporcionou uma ótima experiência de vida.
“O que para nós é básico, para eles vale ouro como a água, comida e eletrícidade. Aprendi a valorizar a tudo isso. Como os recursos de sobrevivência, a tolerância, a paciência e a crença de que somos realmente favorecidos por uma vida mais justa”, ressalta.
Em Porto Príncipe, os soldados brasileiros criaram o Orfanato “Soldadinho da Paz”, que até a volta do Tenente Alvarenga para o Brasil, abrigava cerca de 300 crianças. O local é mantido por um Tenente Capelão (Pastor) e pelos soldados brasileiros presentes em Porto Príncipe, que conseguem roupas, água e eletricidade para o local. “Lá a situação é tão crítica que nem água encanada as crianças têm. É só com caminhão pipa. Também conseguimos geradores e levamos roupas do Brasil para eles”, explica.
Muitas crianças se perderam dos pais no fatídico dia 12 de janeiro de 2010, mas dois anos depois da tragédia, o 1º Tenente Alvarenga presenciou uma cena emocionante quando uma mãe encontrou seus filhos de três, cinco e dois anos após desaparecerem em meio aos escombros do terremoto. “A família é a base de tudo, e vendo que eles estavam unidos de novo, fiquei muito emocionado”, conta Alvarenga.
Processo de seleção
Para integrar a Missão de Paz, a seleção é realizada criteriosamente entre os militares voluntários. O tenente Alvarenga conta que normalmente, há mais candidatos do que vagas, por isso, são feitos testes da capacitação técnico-profissional requerida para cada função oferecida. Depois são feitos vários exames e testes físicos, psicológicos, médicos, odontológicos, entre outros es em seguidas uma série de instruções militares e específicas da ONU. “Desde que ingressei nas fileiras do Exército Brasileiro sempre almejei fazer parte da Missão de Paz do Haiti. Depois de três anos com a esperança de participar desta missão, fui selecionado e pude compor o 15º Contingente Brasileiro”, comemora.
Tropas no Haiti
Para ajudar na manutenção da paz no Haiti, contingentes militares de vários países fazem parte da Missão. São em torno de 8.740 militares de 19 países, sendo que 2.309 pertencem às Forças Armadas Brasileiras. Alguns dos países participantes são: Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Equador, França, Guatemala, Índia, Japão, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Filipinas, República da Coréia, Sri Lanka, Uruguai e Estados Unidos.
Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação