Mitos e verdades

Mitos e verdades

Diversos mitos fazem parte do universo dos vinhos, por isso, vale a pena conferir a veracidade de algumas dessas questões

Inúmeras são as afirmações sobre o mundo dos vinhos. Na mesma proporção que muitas são verdadeiras, há diversos mitos envolvendo a bebida. Segundo os especialistas no assunto, com o passar do tempo, muitos rituais passaram a fazer parte do momento de degustar uma taça de vinho — algumas regras, aliás, são consideradas desnecessárias. Segundo o sommelier Marco Antônio Tegano, do Museu da Gula, a sabedoria popular afirma que uma mentira contada e recontada por muito tempo acaba virando verdade. “Quando o assunto é vinho — uma bebida cheia de detalhes e, até bem pouco tempo, pouco habitual entre os brasileiros — algumas histórias foram tão recontadas que passaram a ser presumidas equivocadamente como verdades”, pontua.
Marco Antônio desmistifica alguns mitos do mundo dos vinhos
Para desmitificar alguns tabus e facilitar a compreensão do universo dos vinhos, o sommelier listou dez questões que povoam as conversas em confrarias e encontros de vinhos e apresentou o que é verdade ou mentira sobre a bebida.

1. Vinho pode ser feito de quaisquer frutas fermentadas

Pela legislação brasileira e do mundo inteiro, o vinho é nada mais do que o resultado da fermentação alcoólica natural da uva, e de nenhuma outra fruta. Os outros produtos são fermentados de frutas e, no caso da maçã, o nome é sidra.

2. Quanto mais velho, melhor

O vilão, no caso dos vinhos, não é exatamente o tempo, mas o ar, ou especificamente o oxigênio, em contato com o vinho. Esse encontro inicia uma série de reações químicas que levam à oxidação da bebida. Apenas alguns vinhos podem — e devem — envelhecer. O vinho Verde português, por exemplo, deve ser consumido jovem — em, no máximo, dois anos — para que se aproveite seu frescor. Alguns tintos da uva Gammay (conhecidos como Beaujolais Nouveau) devem ser consumidos no máximo um ano depois de prontos para conservarem o frutado rico e o frescor. Dessa forma, irão adquirir maciez e delicadeza. Portanto, cada vinho tem sua idade ideal.

3. Rolha de cortiça é melhor do que screw cap?

Apesar dos vinhos australianos já utilizarem o screw cap desde 1970 e de boa parte dos vinhos da Nova Zelândia também priorizarem esse material, no resto do mundo, existe um certo preconceito com o lacre de alumínio. É correto afirmar que o screw cap é hermeticamente mais lacrado do que as rolhas convencionais, o que contribui para a preservação dos aromas e dos sabores do vinho. Principalmente para vinhos mais jovens, este é o tipo de tampa mais indicado.

4. Vinho branco é feito com uvas brancas e vinhos tintos, com uvas tintas

Nem sempre. É possível fazer vinho branco com uvas tintas: basta, durante o processo de fermentação, retirar a casca da uva (pois é ela quem dá cor ao vinho). Existem raros Malbecs e Pinot Noirs brancos, assim como uvas brancas — como a Viognier, por exemplo — podem fazer parte de cortes tintos para agregar aromas, trazer acidez ou suavizar o paladar. Espumantes, principalmente Champagnes, são belos exemplos de vinhos brancos que levam uvas tintas na composição.

5. Vinho meio-seco é doce e não é bom

Vinho meio-seco não é sinônimo de vinho doce ou “mais ou menos doce”. Os vinhos etiquetados como meio-secos têm, na maioria dos casos, a mesma percepção em boca de um vinho seco. A classificação obedece a legislação. Quem define se o vinho será etiquetado como “seco” ou “meio-seco”, no Brasil, é o Ministério da Agricultura. Aqui, a legislação leva em conta apenas a quantidade de açúcar residual. Já na Europa, é feita uma relação entre açúcar e acidez. Isso faz com que muitos vinhos considerados “secos” na Europa sejam classificados como “meio-secos” no Brasil.

6. Vinho verde é verde, e vinho do Porto é feito no Porto

Nem um, nem outro. Ambos os nomes se referem a denominações de origem. Vinho verde é feito em Portugal, às margens do Minho. As bebidas designadas dessa maneira podem ser tintas, brancas ou rosés. O famoso vinho do Porto, na verdade, é produzido na região do Douro. Ficou assim conhecido por ser o primeiro vinho de Portugal a ser exportado e, portanto, sua armazenagem e comercialização eram feitos no porto. 

7. Para fazer vinho rosé é preciso misturar vinho tinto e branco

A cor dos vinhos tintos vem do contato das cascas da uva com o líquido gerado pela fruta por um período. De maneira geral, o vinho rosé passa pelos mesmos processos de uma vinificação tradicional, mas a pele da uva (que dá cor à bebida) fica em contato com o mosto (“suco”) por menos tempo, deixando-o mais clarinho.

8. Queijo só combina com vinho tinto

Ao contrário do que se imagina, em muitos casos, vinhos brancos harmonizam melhor com determinados queijos que vinhos tintos. Isso porque a acidez dos vinhos brancos, ao estimular a nossa salivação, tende a diluir melhor a gordura presente nos queijos. O princípio é simples: queijos mais leves combinam com vinhos mais leves; queijos mais ricos harmonizam com vinhos mais encorpados.

9. Vinho argentino bom é elaborado com a uva Malbec

Os vinhos argentinos ganharam notoriedade com excelentes vinhos produzidos com a uva Malbec, mas outras uvas também vêm ajudando a fazer a fama dos vinhos elaborados no país sul-americano: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Torrontés são algumas delas. É possível se aventurar e experimentar vinhos argentinos com outras uvas sem se arrepender.

10. Todo vinho espumante é Champagne?

Apenas os vinhos espumantes feitos na região de denominação de origem na França e submetidos a uma legislação rígida podem levar esse nome. Os vinhos com borbulhas são chamados genericamente de espumantes ou conforme a denominação do país de origem. No caso da na Espanha, por exemplo, essa bebida é conhecida como “Cava”.

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