Mudança de escola
Por optarem por um novo colégio, o início do ano representa, para muitos estudantes, uma nova fase de adaptação
Enfrentar os medos e fazer novas amizades são atitudes presentes na rotina de muitos estudantes que precisam encarar a mudança de colégio, seja por opção ou por necessidade. Experiente no assunto, Marina Bonini, de 15 anos, passa por sua segunda mudança e já não se aflige com isso. Já Tainá de Lima, de 15 anos, está passando por duas trocas: a de cidade e a de escola.
De acordo com o psicólogo Luiz Toledo, mudar de escola não é simples, pois não envolve apenas a troca de endereço ou de professores. Segundo o especialista, mudar implica no enfrentamento do desconhecido, no temor de não conseguir dar conta das exigências da nova escola, no receio de ser rejeitado pelos colegas e de não conseguir fazer justiça ao esforço dos pais, que pagam a mensalidade. “Ao mesmo tempo, os jovens sentem vontade de frequentar a nova escola, têm curiosidade sobre os professores e sobre as avaliações, além do interesse de se integrar ao grupo de colegas. Os sentimentos são muito ambivalentes. Não é por acaso que tantos alunos sofrem, dormem mal, ficam mais inquietos e pensativos antes ou nos primeiros dias da volta às aulas. A sensação é similar à que nós, adultos, sentimos quando mudamos de empresa, de emprego ou de cidade: algumas dúvidas e angústias”, complementa o psicólogo.
Tainá ainda está se acostumando com o novo ambiente. “Foram muitas mudanças. Saí de uma cidade muito pequena, então tenho que me adaptar a duas novidades: Ribeirão Preto e o colégio”, explica a jovem, que já conheceu todos os colegas de sala. Ao contrário dela, Victor Gardim Fabris, de 14 anos, se considera extrovertido e não encontrou nenhuma barreira quando mudou para uma escola diferente. Para estudante, o grande segredo dessa adaptação é participar das atividades de integração, geralmente oferecidas pelo colégio em conjunto com professores e psicólogos.
Para isso, é muito importante estar atento aos programas oferecidos pela nova instituição de ensino. Para o psicólogo, a tarefa dos profissionais é acolher os novos estudantes. Além disso, os pais podem ajudar, exercendo um papel importante nessa fase. “Os pais podem conversar sobre as dificuldades e as alegrias que eles tiveram quando passaram por mudanças importantes em suas vidas, ajudando a conter a ansiedade e a urgência dos filhos”, complementa o profissional.
Aproveitar ao máximo as atividades extras que a escola oferece é um ótimo caminho para fazer novas amizades. “Apesar de eu ter vários amigos no novo colégio, estamos compartilhando a mesma sensação: de desbravar um ambiente novo. Interagir com os professores é um caminho que tranquiliza e nos deixa seguros”, explica Vitor Fabri de Oliveira, de 15 anos, que junto com Marina Bonini, está entrando em contato com novas metodologias de ensino, estrutura diferente e outros professores.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Carolina Alves e Ibraim Leão