Muito além das letras

Muito além das letras

A Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto se reinventa e chega à sua

A 10ª edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto já está bem próxima. Entre os dias 10 e 20 de junho, a esplanada do Theatro Pedro II e as Praças XV de Novembro e Carlos Gomes serão, mais uma vez, o cenário para esse evento que estimula a leitura e proporciona um entretenimento de alta qualidade, reunindo em um só espaço diversas manifestações culturais, como literatura, música, dança e interpretação.

Adotando uma proposta inovadora, a Feira tornou-se itinerante. Assim, outros espaços passam a fazer parte do evento, como os Estúdios Kaiser de Cinema, a biblioteca Padre Euclídes, o campus da FAAP de Ribeirão Preto, o Teatro Auxiliadora, o Centro Cultural Palace, o Pinguim Cultural, o Cineclube Caium, os shoppings e o Auditório da ACIRP, por exemplo, o que facilita o acesso da população a essa festa cultural.

Quem prestigiar a 10ª edição da Feira poderá ver uma infinidade de títulos, desde os últimos lançamentos do mercado livreiro até clássicos da literatura mundial, em 66 estandes que abrigam diversas editoras. A programação é variada para atingir públicos diversificados. São 80 autores convidados, como Luiz Tatit, Rubem Alves, Zuenir Ventura, Tony Belloto, Saulo Gomes, Pedro Bandeira e Ana Paula Maia, e ainda 25 shows, entre eles o re-encontro do Clube da Esquina, formado por Milton Nascimento, Flávio Venturini e Lô Borges, além de Nana Caymmi, Maria Gadú, Martinho da Vila.

Como já é de costume, a Feira também elegeu seus homenageados. O país escolhido é a Espanha e o estado, o Acre. O autor de destaque é o pernambucano Gilberto Freyre e Nádia Gotlib foi escolhida como autora local. A patronesse da 10ª edição é Marylene Baracchini, e o autor infanto-juvenil, Ziraldo.

Muitas pessoas não têm ideia do trabalho necessário para que um evento desse porte saia do papel e se concretize. É preciso tempo e dedicação de uma grande equipe, entre funcionários e voluntários apaixonados por essa causa, que cuidam de cada detalhe para que tudo saia como o planejado. Desde sua criação, em fevereiro de 2004, a Fundação Feira do Livro é responsável por realizar o evento. A Fundação não é uma empresa ou um órgão público. É uma entidade de caráter privado, sem fins lucrativos e de utilidade pública, ou seja, as pessoas que fazem parte de uma fundação são curadores sem remuneração que administram um patrimônio que é do povo para trazer benefícios para o povo.

A Fundação Feira do Livro trabalha pela cultura. Seu principal objetivo é estimular a leitura de maneira constante na cidade. Por isso, investe em ações efetivas, como encontros literários, palestras e saraus, que acontecem durante o ano todo para instigar o interesse da população que busca por novos conhecimentos como forma de cidadania.

“A meta de todos que contribuem com a Fundação não é apenas a realização da Feira, o que já é um trabalho grandioso. Queremos, também, envolver a sociedade e despertar nela o amor pela leitura todos os dias. A Feira deve ser a conclusão desse trabalho, fechando um ciclo e inaugurando outro com chave de ouro”, explica Isabel de Farias, presidente da Fundação. Além de Isabel, a diretoria executiva é composta por Heliana Palocci, vice-presidente administrativa, e Edgard de Castro, vice-presidente financeiro. O Conselho Administrativo é presidido por Sérgio Roxo Fonseca e o Conselho Fiscal, por Francisco Sérgio Nalini.

Esses conselhos, autônomos, analisam as propostas da diretoria e prestam contas ao promotor de justiça, Sebastião Sérgio da Silveira. “Nossos conselhos são extremamente atuantes. Estamos presentes nas reuniões e acompanhamos cada passo da Fundação. Reportamos tudo ao Ministério Público. Fazemos o nosso trabalho de forma correta, pois agimos em favor de uma causa nobre. Obedecemos ao ideal adotado pela instituição e isso se reflete em todas as ações da Fundação”, comenta Sérgio Roxo.

Há, ainda, o Conselho Consultivo, espaço aberto para a sociedade participar desse processo, formalizando suas sugestões e opiniões. “A população faz questão de participar, o que mostra a intensa identificação conquistada em apenas 10 anos. As pessoas gostam, valorizam, vivenciam e fazem questão de apoiar o crescimento contínuo desse encontro cultural”, opina Sérgio Nalini.

A cada ano, a Feira se torna mais estruturada, conquistando recordes de vendas e de público, com reconhecimento nacional e internacional. “A 10ª edição é a consolidação do nosso trabalho. Mostra que estamos no caminho certo”, comenta Isabel. Entretanto, a presidente faz questão de ressaltar que a Fundação conta com o apoio precioso de diferentes setores da sociedade, que, desenvolvendo atividades distintas, complementam-se para formar esse modelo de sucesso em que se transformou a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.

A Fundação tem importantes parcerias com os governos federal, estadual e municipal. Diversos partidos políticos dão suporte à instituição, com o empenho de vereadores e deputados para conseguirem verbas, através de emendas parlamentares, e viabilizar o evento. Empresários também investem na causa, com patrocínios para o evento. As escolas públicas e particulares, faculdades e universidades, os artistas e a sociedade civil têm papel fundamental nesse processo. “Eles nos ajudam em vários aspectos. No projeto de madrinhas e padrinhos, por exemplo, algumas pessoas disponibilizam um pouco do seu tempo e de seus recursos para serem anfitriões dos escritores convidados. Assim, os visitantes conhecem a cidade através dos olhos de seus moradores, o que torna a experiência mais acolhedora e pessoal. Além de nos ajudar muito na parte operacional, a ação nos rendeu elogios por parte dos convidados”, afirma Heliana.

Segundo Edgard de Castro, a evolução do evento é notável em todos os segmentos, desde a infraestrutura, passando pela organização, pelos palestrantes, pelas apresentações e pela aceitação do público. Segundo o vice-presidente, a 10ª edição promete superar todas as expectativas. “Participar da Feira é garantia de bons momentos de estudo, cultura e entretenimento. Fomos testando métodos para chegar à fórmula ideal e acreditamos que conseguimos. O conceito que permeia nosso trabalho é a inclusão. A Feira é feita para que todos possam ter acesso à leitura e à arte, independente de idade ou classe social. É a participação da população e o seu entusiasmo diante do conhecimento que torna esse evento tão especial”, indica.

Para o futuro, a Fundação já tem planos consolidados. Entre eles, está a criação das “Casas de Leitura”, um local semelhante a uma biblioteca, onde as pessoas podem consultar os títulos ou levá-los para casa. A meta é inaugurar cerca de cinco espaços até a Feira de 2011. Outro projeto da Fundação é sua sede própria. Isabel destaca que esses são apenas alguns dos itens de uma imensa lista que a entidade preparou para dar continuidade às ações culturais, que são extremamente relevantes para a cidade, para a economia e, principalmente, para a formação de cidadãos esclarecidos e atuantes.

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