Música e literatura
Shows e auditórios lotados na Feira do Livro 2012
"Quem não se interessa por livros perde a oportunidade de sonhar”. A preciosa frase proferida por Ariano Suassuna para um auditório lotado define muito bem a proposta da Feira de resgatar o livro como uma ferramenta de educação e de formação de uma sociedade baseada no conhecimento e na cultura.
Autor da famosa peça — o Auto da Compadecida —, Ariano Suassuna é um dos maiores romancistas, dramaturgos e poetas vivos da literatura brasileira que, aos 85 anos, destila sua sabedoria com pitadas de bom humor. Por várias vezes, a palestra no Theatro Pedro II foi interrompida pelos risos e pelos aplausos da plateia.
Esse tom informal e reflexivo esteve presente nos 600 eventos que ocorreram durante os 11 dias da Feira. Muita gente fez uma ginástica para acompanhar as palestras e os eventos, deixando um pouco de lado os afazeres profissionais. Afinal, não é todo dia que se pode ver de perto, Miguel Nicolelis, um cientista de expressão internacional, ouvir a densa poesia de Ferreira Gullar, considerado o maior poeta vivo do país, ou compartilhar a visão abrangente de um antropólogo de peso como Roberto da Matta. “A população se enxerga na Feira do Livro”, comentou o jornalista Marcelo Canellas que particpou de uma palestra sobre a TV.
Um dos espectadores mais assíduos este ano foi o jornalista Gustavo Junqueira que abriu espaços na agenda profissional para comparecer às palestras. Entre outras, Gustavo assistiu a de Zuenir Ventura, Sônia Bridi, Eliane Castanhêde, Ferreira Gullar e Júlio Chiavenato. “Foram dias intensos, sacudindo a cabeça com conhecimento e opiniões de primeira, ouvindo gente que tem o que dizer, consumindo ideias, satisfazendo com alimentos culturais uma esfomeada voz interior, cada vez mais exigente. Em 2013, certamente, estarei de novo driblando compromissos para me enfiar, de alguma maneira, na plateia e escutar gente que merece ser escutada”, resumiu o jornalista em seu blog.
Assista o vídeo:
Artistas consagrados
Depois que terminam as palestras, as mesas redondas e os salões de ideia começam os shows. A Feira do Livro possibilita que uma expressiva parcela da população assista, gratuitamente, aos shows dos melhores artistas brasileiros. As apresentações são ao ar livre, na esplanada do Theatro Pedro II, sem qualquer tipo de privilégio. É preciso chegar cedo para conseguir um bom lugar. A programação da 12ª edição foi aberta com o “Seu Jorge”, um artista da nova geração que consegue uma identificação muito forte com o sentimento popular. Talvez isso explique a grande quantidade de pessoas que foram assistir ao show, um dos mais concorridos da Feira deste ano.
A sequência diversificada contemplou diferentes segmentos de público para apreciar a boa MPB de Moraes Moreira, o fino do romantismo na voz de Zizi Possi e a nova perfomance de Mallu Magalhães, que começou a chamar a atenção da juventude na internet, cantando em inglês. Representando a velha guarda, também cantaram na Feira artistas conhecidos da MPB. O tempo passa, mas a voz de Gal Costa continua afinada. A emoção foi tanta que Jair Rodrigues desceu do palco para cantar no meio da plateia. A programação fechou com esplanada lotada para ouvir o Skank, que há 20 anos se mantém entre as melhores bandas do pop rock nacional.