Na direção certa

Na direção certa

Especialistas que atuam em Ribeirão Preto explicam como funciona o coaching e o que fazer para buscar mais informações




Origem e evolução

Ao contrário do que muitos pensam, o termo coaching não vem do esporte. A palavra, na verdade, vem da Inglaterra e de carruagens do século XVI, conduzidas pelo “coach”. Essa origem deixa mais claro o objetivo principal do processo: conduzir o indivíduo ou a empresa de um ponto A, onde está atualmente, a um  ponto B, onde se quer chegar em determinado tempo. No século XIX, por volta de 1850, o termo era empregado em universidades inglesas e se referia aos tutores, responsáveis por facilitar a aquisição do conhecimento. Foi só nos anos de 1950 que o coaching passou a ser entendido como uma habilidade de gestão de pessoas. Cerca de 10 anos depois, já nos Estados Unidos, a palavra passou a designar também um conceito de vida, semelhante ao que significa atualmente. Na década de 70, o coaching desembarcou no Brasil e, aqui sim, encontrou no esporte um campo aberto — por isso, a confusão com o “técnico esportivo” não é rara no país. Uma década depois, na década de 1980, o coaching executivo ganhou espaço e não parou mais de expandir.


termo tem inspiração inglesa, a proposta atual surgiu nos Estados Unidos e, no Brasil, sua chegada aconteceu através dos esportes. O coaching virou febre e, hoje, está presente nas empresas que buscam melhorar os processos de desenvolvimento. Diversas pesquisas comprovam que a atividade vem crescendo a cada dia e se tornando parte da rotina no universo corporativo. Segundo uma pesquisa publicada recentemente, os brasileiros são os que mais acreditam no coaching no mundo. No país, 77% dos executivos e líderes que já passaram pelo processo conseguiram transparecer os resultados para seus subordinados.

No entanto, há muita dúvida sobre o que o termo significa. A confusão mais frequente, segundo os profissionais da área, é que ele seja uma espécie de terapia ou de consultoria. Na verdade, esta é a maior preocupação dos coaches, especialistas no assunto. Diferente das atividades citadas, o coaching é um processo que envolve técnicas e ferramentas próprias com uma finalidade bem definida: tirar o indivíduo, a empresa ou o grupo de profissionais do estado atual para conduzí-lo ao lugar almejado, ao alcance de uma nova meta.

O primeiro passo é realizar uma entrevista para medir o nível de satisfação do indivíduo ou da empresa. A partir daí, o profissional fará um planejamento utilizando as técnicas mais adequadas para fazer com que o cliente alcance o objetivo. Para que a meta seja atingida, o comprometimento entre coach e coachee, o indivíduo em desenvolvimento, é fundamental. De acordo com Marco Meda, habilitado pela Sociedade Brasileira de Coaching com certificação reconhecida internacionalmente, o profissional dessa área deve saber fazer as perguntas certas para colocar a empresa ou o profissional em ação, e na direção correta. “Buscamos, dessa forma, transformar o potencial humano — os talentos e as competências individuais — em resultados mensuráveis”, argumenta Meda.

Cada sessão, que inicialmente possui periodicidade semanal, é dividida em três partes: tarefa da sessão anterior (parte I), tema principal da sessão, incluindo técnicas e ferramentas específicas (parte II) e aprendizado, mensuração de metas e definição de novas tarefas (parte III). “Semanalmente, fazemos o acompanhamento dos resultados. Assim é o meu trabalho com o ‘professional’ e ‘executive’ coaching, direcionados a gestores de empresas e negócios”, esclarece Meda, destacando que essas duas áreas são o foco de sua atuação. O profissional recomenda que seja feito um planejamento de, pelo menos, 10 sessões e o processo todo pode durar em média de 3 a 6 meses. No entanto, cada caso é avaliado individualmente.

Para o empresário Ricardo Amadeu da Silva, que passou a liderar o próprio negócio em 2000, o contato com o coaching surgiu em 2012, quando Marco Meda iniciou um trabalho de consultoria no ALL Group. “Na sequência, fiquei interessado pelo trabalho de coaching que ele desenvolve e iniciamos o processo”, relata o empresário. O objetivo de Ricardo era encontrar novas ferramentas para gerir a equipe e enfrentar os desafios do mercado de maneira mais eficiente. Em plena evolução, o presidente do grupo já desenvolveu uma série de habilidades e competências pessoais, inclusive emocionais, o que refletiu diretamente na performance da equipe inteira. “Estou bastante satisfeito com os resultados que já conquistei. Considero que minha sensibilidade e minha percepção estão mais apuradas e isso reflete, inclusive, na minha vida pessoal”, acrescenta Ricardo, que não pretende interromper seu processo de coaching.

No campo empresarial, algumas pesquisas já comprovam a eficiência desse processo. Uma pesquisa realizada pela PUC Campinas concluiu que 100% dos executivos que passaram por coaching aperfeiçoaram a capacidade de ouvir. Entre os 10 profissionais consultados, oito afirmaram ter melhorado a flexibilidade e a aceitação a mudanças. Produtividade e capacidade de relacionamento também evoluíram, na opinião dos entrevistados.

O processo pode ser adotado por quem está em busca de equilíbrio ou de mudança pessoal. Este é o foco do life coaching, especialidade da coach Madalena Costa, membro da Sociedade Latino Americana de Coaching. Administradora de empresas, atua nas áreas de tecnologia e gestão de pessoas e teve o primeiro contato com o coaching, em Londres, há cinco anos. A profissional direcionou as atividades à nova área há um ano, época em que também mudou-se para Ribeirão Preto. “Além de buscar mais qualidade de vida, a escolha por esta cidade vai ao encontro do meu novo foco profissional. Já reconhecido e difundido em São Paulo, o coaching está ganhando cada vez mais espaço no interior”, afirma Madalena, que define o processo como “a arte de despertar as pessoas para as possibilidades e, então torná-las realidade”.



Em seu escritório, está acostumada a receber muitas pessoas em busca de informações sobre o assunto. “A maioria do público ainda não tem muita certeza sobre o que é o coaching. Quando descobrem que se trata  de um processo  em favor do desenvolvimento, capaz de libertar o potencial de uma pessoa para aumentar a sua performance, com técnicas e ferramentas próprias, que apresentam resultados certeiros quando há comprometimento, ficam surpresas com o que podem alcançar”, argumenta.

Mudar de vida, melhorar como pessoa e profissional e ter mais qualidade de vida é uma busca comum entre os interessados em life coaching. “No entanto, poucos sabem exatamente aonde querem chegar ou o que desejam alcançar. Assim, uso as metodologias adequadas para levar essas pessoas à reflexão sobre o que realmente querem e, juntas, trabalhamos para alcançar as novas metas”, explica Madalena.

Entre os clientes do escritório da especialista, as mulheres são maioria. A advogada Daniela Nicoleto e Melo se interessou pelo coaching em uma conversa informal. “Na prática, posso dizer que é um processo muito estimulante. Incentiva a analisar as experiências de forma crítica, inventariando erros e acertos, para, dessa forma, focar nossas metas e torná-las viáveis dentro do prazo definido por nós mesmos”, avalia Daniela. Para a advogada, a provocação que o coaching faz é necessária para quem quer sair da zona de conforto. “Descobrimos que, por comodismo, deixamos nossas competências e nossos talentos guardados. Método altamente racional, lógico e objetivo, o coaching nos auxilia a colocar esse potencial em prática”, revela a advogada, que está confiante de que atingirá as metas que propôs no tempo estipulado.

Atuando nas duas frentes, Cristiane Romano direcionou a carreira para o coaching há dois anos. A profissional trabalha com consultoria na área empresarial com foco em comunicação interpessoal. “As técnicas de coaching complementaram de forma ideal os cursos que eu já ministrava. Passei a atuar, também como ‘executive’ e ‘life’ coaching. Atualmente, também sou docente da matéria em cursos de pós-graduação em Gestão de Pessoas”, acrescenta a coach, acostumada a lidar com vários perfis de clientes. A formação na área cresceu consideravelmente. Uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Coaching mostrou que, de 2005 a 2011, o número de coaches aumentou 207%. “Essa profissão contribui para o desenvolvimento comportamental de qualquer pessoa, seja um executivo ou um profissional liberal. As sessões podem ser direcionadas à liderança, comunicação, organização ou foco, entre outros temas”, esclarece Cristiane.

Por se sentir insegura na vida profissional, Renata de Assis decidiu procurar um coach. “Não sei separar o lado pessoal e o profissional. Por isso, essa incerteza estava afetando minha vida como um todo”, explica a estudante de Direito, que já atua na área. Renata se sentiu à vontade durante o processo e se surpreendeu com o avanço conquistado. “Aprendi a visualizar meus pontos individuais com mais clareza, a ter mais autoconfiança e a me conhecer melhor. Depois que descobri que possuía uma série de habilidades ainda desconhecidas, senti que tenho capacidade para enfrentar qualquer obstáculo”, garante.

Texto: Luiza Meirelles
Arte: Adriano Chereguini
Fotos: Julio Sian e Carolina Alves
Modelo: Nayara Donegá (www.dotmarketing.com.br – tel.: (16) 3446.5742)

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