Na trilha do feminino
Acompanhe entrevista do portal da Revide com as profissionais Dea e Mariza
Facilitadoras do curso “Modernas Mulheres na Trilha do Feminino”, realizado em oito encontros semanais, Déa Mara Bertini Bó (piscóloga e psicopedagoga) e Mariza Helena Ribeiro Facci Ruiz (educadora em florais de Bach, doula e terapeuta em Core Energetics) encontraram nos arquétipos femininos das deusas gregas uma forma de estudar e aprofundar o entendimento sobre si próprio e promover mudanças significativas de comportamento.
Psicóloga e doula, Eleonora de Deus Vieira de Moraes — uma das participantes —, trabalha essencialmente com mulheres, no resgate da valorização do papel do feminino na cultura contemporânea, e resolveu aprofundar seu entendimento do universo feminino, para ampliar a consciência e fortalecer a mulher que existe em si própria, e contribuir com sua profissão.
“É fantástico o quanto me identifico com os arquétipos e com toda simbologia presente nas estórias das deusas gregas. De fato, são como fragmentos de espelho, onde vemos partes de nós refletidas, nos permitindo entender muito mais de nós mesmas, descobrindo a predominância ou a necessidade de desenvolver mais este ou aquele arquétipo para encontrar o equilíbrio. Sou Ártemis ao defender as causas das mulheres, ao vencer o cansaço e botar meu tênis pra correr na rua. Sou Héstia, ao cuidar dos detalhes sagrados da minha casa, ao fazer com prazer um belo prato de comida, sou Deméter, na relação com meus filhos e no trabalho. Falta-me Atenas, no planejamento do meu dia-a-dia e na disciplina, e por aí vai”, explica.
Para a psicóloga, o curso foi transformador, ampliou sua visão da vida, de si e do outro. “Toda mulher deveria viver este curso para curar o feminino tão distorcido e empobrecido na nossa cultura, para valorizar-se e aceitar-se por inteiro. O aprendizado é para vida toda. Um dos maiores ganhos é conseguir entender e respeitar as outras mulheres à minha volta, dentro de suas próprias predominâncias de arquétipos. Entender que somos únicas, livres e maravilhosas, até mesmo nas nossas diferenças. Isto, por si só, já é libertador”, finaliza.
A seguir, acompanhe entrevista do portal da Revide com as profissionais Dea e Mariza.
Qual a origem deste trabalho com as Deusas?
Mariza Ruiz - Conversávamos (eu e Dea) sobre fazer um trabalho com as mães. Chegamos à conclusão que mãe era algo que vinha depois, depois da mulher, depois do feminino. Então, por que não falar do feminino? Algo universal que diz respeito a homens, mulheres e mães. Então pensamos nas Deusas. As Deusas gregas que estão mais próximas de nós e que representam emoções que também são universais, que possuem características que podemos encontrar dentro de nós. Que podem nos ajudar a entender um pouco melhor de nós mesmas, coisa tão necessária!
Com quais Deusas vocês estão trabalhando?
Dea Bertini Bó - Com as Deusas Chamadas Virgens: Ártemis, Atenas e Héstia, ou seja as que têm capacidade de concentrar atenção naquilo que lhes importa sem se deixarem afetar pelos outros.
Com as Deusas Vulneráveis: Demeter, Hera que dependem de serem realizadas em seus relacionamentos(filhos, marido, família).
Com a Deusa Alquímica Afrodite que procura intensidade em seus relacionamentos, mas valoriza a criatividade e é receptiva a mudanças.
Quais fontes de referência para a construção deste trabalho?
Mariza Ruiz – A Mitologia Grega, Estudos sobre os mitos femininos que moldam nossa vida, estudos sobre a nova psicologia que molda a mulher moderna.
Quais as características comuns entre as Deusas e a mulher contemporânea?
Dea Bertini Bó - A mulher hoje pode ser: Ártemis, mulher que gosta do contato com a natureza, que gosta da solidão, para quem o casamento e os filhos importam pouco, pois a liberdade é fator primordial; Atena, ligada ao trabalho, à correria das cidades, à vertigem das competições, ao intelecto, para quem casamento e família também ficam em segundo lugar; Héstia, ligada ao lar e à casa, preocupada com valores espirituais, para quem o casamento e filhos são descartáveis ou Hera, ligada ao poder e ao casamento, a mulher Grande por detrás de um Grande homem, para quem valores morais são importantes, inclusive família e filhos. Ainda pode ser Demeter, a mãe zelosa e superprotetora, para quem ter filhos é tudo ou Afrodite, a sedutora, para quem o amor e os relacionamentos são o que importa. A mulher pode ser muito de uma e pouco de outra ou um pouco de cada uma.
Fazer a ligação da mulher atual com as Deusas Gregas significa dizer que o arquétipo feminino permanece o mesmo ao longo do tempo?
Mariza Ruiz- As deusas representam a forma que o arquétipo feminino assumiu na estórias da mitologia grega. Essas Deusas têm características que reconhecemos em nós mulheres , hoje e sempre. Podemos perceber as Deusas ao observarmos as mulheres a nossa volta, ao assistirmos a filmes que tratam do feminino. Marilyn Monroe, por exemplo, representa uma Afrodite em seu aspecto menos saudável. Além disso, podemos observar em nós no decorrer de nossa vida, quando somos mães, quando nos casamos, quando assumimos uma profissão. E há o que existe de inato em nós, o essencial, o mais verdadeiro.
De que forma o reconhecimento desses arquétipos pode contribuir para solução de problemas de comportamento social?
Dea Bertini Bó - Uma vez que nos damos contas das influências que recebemos dessas Deusas, uma vez que possamos perceber as qualidades e as não qualidades que herdamos delas, é possível atuar sobre isso, ou seja, levar em conta o que temos de mais forte, aquilo com que mais nos identificamos e procurar desenvolver características que nos faltam, sem abdicar do que realmente somos. Vamos pensar em uma mulher como Héstia para quem ambição, competitividade, valorização de poder são coisas dispensáveis. Ela deverá buscar um trabalho onde poderá encontrar calma e paz. Talvez deva desenvolver em si características mais maternais como Demeter para atuar como professora, ou cuidadora de crianças e integrar-se melhor à sociedade. Pensando na relação com a família, Demeter, que dá imenso valor aos filhos, pode se manifestar na mulher superprotetora, o que impede que se desenvolvam e que tenham limites, precisará desenvolver em si características das deusas mais independentes.
O que a participação neste processo oferece de positivo às mulheres contemporâneas?
Mariza Ruiz - Ganhamos conhecimento sobre nós mesmas, entendimento do feminino em nós e como ele se manifesta. Para integrar o que de bom for, para entender qual Deusa se assemelha a nós, para honrar o que realmente somos, para agregar qualidades de que necessitamos.
Como avaliam, o resultado deste trabalho?
Dea Bertini Bó - A experiência tem sido excelente, observando que estamos contribuindo para que cada uma vivencie aspectos delas mesmas, trazendo com mais força o que lhes é inerente e podendo experimentar e desenvolver outras qualidades. O trabalho promove autoconsciência e vivência enriquecedora para nós e para as participantes.
Mariza Ruiz – Tem sido fascinante. Trabalhar com mulheres e com o feminino é algo muito gratificante. As mudanças vão acontecendo na medida em que cada uma identifica qualidades ou não qualidades em si mesma e percebe que a mudança é possível. Quando digo cada uma falo também de nós que somos apenas as facilitadoras. Penso que o mundo precisa desse feminino integrado que acolhe. Através de uma consciência mais focada chegaremos a isso.
Alguma mudança para a próxima turma?
Mariza Ruiz e Dea Bertini Bó - O trabalho não é estanque. Vamos acrescentando coisas a partir do que observamos no grupo. Vamos crescendo juntamente com o grupo, sempre. As turmas vão continuar às quartas-feiras das 20 às 22 horas. Pretendemos fazer de tempos em tempos, worhshops aos sábados, durante todo o dia, para vivenciar melhor os arquétipos.