Nada a comemorar

Nada a comemorar

Cada habitante de Ribeirão Preto consome diariamente 400 litros de água diariamente. 200 litros acima da média nacional

No dia 22 de março, desde 1992, é celebrado o Dia Mundial da Água e, a cidade de Ribeirão Preto não tem muito o que comemorar. Cada habitante de Ribeirão Preto consome hoje 400 litros de água diariamente e, segundo o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), é 200 litros a mais que média nacional. Além disso, a cidade ocupa hoje a 71ª posição no ranking das cidades com mais de 20 mil habitantes do Pacto das Águas. Chegando a receber nota zero na avaliação das metas e programas municipais no quesito: Existência de Programa/Projeto de Proteção de Nascente; Projetos de Saneamento Implantados ou em Implantação; e Existência de Programa/Projeto de revitalização de córregos urbano. A cidade, no ranking do projeto Município Verde-Azul, ocupa a posição de número 56. Ambos são programas da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Para Manoel Eduardo Tavares Ferreira, presidente da Associação Ecológica Pau Brasil, Ribeirão Preto é uma das cidades que não tem muito o que comemorar no Dia Mundial da Água. “Estamos superexplorando o Aquífero Guarani. Hoje, 45% da água se dispersa antes mesmo de chegar às casas e, assim como aconteceu aos Estados Unidos, corremos o risco de perder o nosso aquífero pela contaminação dos lixões da cidade” alarma o presidente.

Renato Crivelenti, assistente técnico do DAEE-BPG (Departamento de Águas e Energia Elétrica da Bacia do Pardo Grande) e secretário adjunto do Comitê da Bacia Hidrográfica do Pardo, explica que a perda de água ocorre principalmente no sistema de distribuição da cidade, através de vazamento nas redes, reservatórios e adutoras.

“O DAERP já vem combatendo esta perda de água através do controle e monitoramento de todas as fases de distribuição da água. Mas ainda é preciso muito mais investimento em reservatórios, macro e micromedição, distribuição da água por região, redução da pressão e maior fiscalização para diminuir as fraudes”, conta o secretário.

Para Manoel Eduardo Tavares Ferreira presidente da ONG Pau Brasil, os problemas com relação ao aquífero são diversos. Manoel conta que há 30 anos a ONG já havia alertado sobre as situações e os riscos dos famosos “lixões”. Outro problema apontado por Manoel é a velocidade com que a cidade retira a água. “É mais rápido do que a água pode ser reposta”, diz.

Para o ambientalista, a solução imediata seria a não ocupação da zona leste. “A preservação daquela região seria fundamental, já que o terreno é arenoso e a recarga é mais fácil. Nas outras regiões, o terreno é rochoso. E isso dificulta bastante”, explica Tavares.

Outra situação preocupa o ambientalista. No caso do definhamento do aquífero uma opção seria a utilização do Rio Pardo, mas, como o próprio presidente da ONG alertou, o rio está com apenas 1/3 de toda sua água. “Água que, por falta de preservação, perdemos ao longo dos últimos anos”, aponta.

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As notícias de falta de água na USP e o rebaixamento das bombas do poço por conta do baixo nível do Aqui fero Guaraní repercutiram na mídia. No entanto, Renato Crivelenti ameniza. “Não corremos o risco de ficar sem o Aquífero Guaraní, mas temos que continuar com as campanhas para esclarecer a população da importância desta água. Para isto, temos que investir mais no controle da distribuição e monitorar todos os poços e lixões existentes, restringir novos poços e planejar a ocupação do uso do solo na Zona Leste, área da recarga do Aquífero”, conclui.

Entenda o Pacto das Águas
O Pacto das Águas é um programa da Secretaria do Estado do Meio Ambiente que visa a recuperação ou a conservação da qualidade das águas nas cidades paulistas. E foi criada em 2009 após o 5º Fórum Mundial das Águas, em Stambul, na Turquia. Na ocasião, prefeitos e outras autoridades locais e regionais de diferentes partes do planeta lançaram o Consenso das Águas de Istambul – IWC, um conjunto de estratégias para gestão da água. O Programa instituiu três eixos de ações:
- Água e saneamento (abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, disposição de resíduos sólidos);
- revitalização de bacias hidrográficas;
- e projetos estratégicos locais relacionados com recursos hídricos tais como educação ambiental (principalmente campanhas para prevenir e reduzir a perda e o desperdício de água) e recuperação de mata ciliar.

Rosa Mancini, responsável pela Coordenação da Assessoria de Águas do Estado explica que a definição dos três eixos foi importante para cobrir a função da água em todas as suas ocorrências e meios, seja urbano ou rural, antes e depois do uso. “A questão do saneamento ambiental, tratada no primeiro eixo, é fundamental para a qualidade e disponibilidade hídrica, neste item buscamos ações das Prefeituras referentes ao abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, elaboração dos Planos de Saneamento, coleta e disposição de resíduos sólidos que são cobertos pelos números apresentados por estas ações e por índices construídos pela CETESB. A questão da proteção das águas, disposta no segundo eixo, também é fundamental.  Fica impossível pensar em água dissociada do verde, das matas ciliares, da proteção das nascentes e parques e unidades de conservação urbanos.

O terceiro e último eixo visa incentivar que as administrações municipais se debruçassem sobre o tema água, identificassem as pressões sobre o recurso natural de forma a definirem suas próprias ações e metas para solução de problemas específicos locais” explica a coordenadora.

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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação

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