Não há vagas!
Ribeirão Preto cria metade dos postos de trabalho em relação à 2012
O número de vagas de trabalho em Ribeirão Preto teve uma baixa de quase 50% nos últimos 12 meses. Foi esta a conclusão de uma pesquisa divulgada dia 08, pelo boletim Mercado do Trabalho.
A pesquisa analisou os dados do mês de junho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com relação ao município e região de Ribeirão Preto, estado de São Paulo e Brasil. O boletim foi realizado pelo Centro de Pesquisas em Economia Regional (CEPER/FUNDACE), que reúne pesquisadores da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade da USP Ribeirão Preto (FEA-USP).
Essa retração de 50% corresponde à criação de postos de trabalho, isto é, foram criados menos vagas de emprego em Ribeirão Preto de junho de 2012 a junho de 2013. Os dados mostraram que em junho do ano passado, 10 mil postos de trabalhos foram criados em todos os setores; contra 5 mil vagas abertas este ano.“Deve-se entender que houve uma redução do ritmo de contratações, mas que o efeito líquido de criação de empregos ainda é positivo”, afirma o economista Guilherme Byrro Lopes (foto à esquerda). Ao participar desse estudo, Lopes constatou também que a fraca tendência na criação de postos de trabalho foi observada tanto no estado de São Paulo quanto no Brasil todo. Portanto, segundo ele, dois motivos foram os responsáveis por desencadear a retração: um mercado de trabalho já aquecido e uma fraca expectativa de crescimento econômico no país.
Só que mesmo com essa queda, Ribeirão Preto ainda conseguiu ter um leve saldo positivo diante dos dados. Enquanto no mês de junho de 2012 não houve praticamente nenhuma criação de vagas, em junho passado foram criados 80 postos de trabalho. Todos os setores apresentaram melhora, exceto o comércio.
Lopes explica que alguns segmentos do comércio varejista tiveram mais desligamentos do que admissões, resultando em um saldo negativo de postos de trabalho. “Vestuário, calçados, artigos de viagem e artigos recreativos de esporte estão mais associados às mudanças de estação e de moda, que geralmente vem com aumento nos preços e que podem enfraquecer as vendas”.
Os setores de eletrodomésticos, equipamentos de áudio e vídeo, móveis e artigos de iluminação, em linha com o setor de construção civil menos aquecido no ano, também tiveram cortes de postos de trabalho. Já as grandes lojas e os shopping centers tendem sempre a contratar menores números de funcionários, reduzindo os postos de trabalho.
Para Marcelo Bosi Rodrigues (foto à direita), economista do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarp), o consumidor não está comprando tanto como antes. Questões como inflação, aumento do Dólar e até mesmo a crise na Europa têm gerado um ambiente negativo. “Isso faz com que as pessoas fiquem inseguras em consumir e o mercado fique inseguro ao investir”, pontua.
Desta forma, o reflexo é visível na geração de empregos, pois o comércio é o grande gerador de vagas de trabalho. Entretanto, conforme explicou Rodrigues, ‘o lojista contrata menos, mas não demite’. “Não é um cenário de crise, mas é um cenário chato, no sentido de que deveria haver crescimento”, finaliza.
Revide Online
Texto: Fernando Belezine (Colaborador)
Fotos: Arquivo Revide