Natureza em miniatura
Perfeita réplica de árvores cultivadas em vasos, o bonsai expressa a planta em seu porte original da forma mais bela possível
À primeira vista, o bonsai se parece com uma árvore de brinquedo, ou então, uma réplica bem sucedida capaz de atrair os olhares mais curiosos. Mas na verdade, o bonsai é uma árvore em miniatura, cultivada em vasos, e a técnica artística utilizada em seu cultivo, simula os padrões do crescimento natural.
Apesar da forte associação entre o cultivo do bonsai e a cultura japonesa, sua origem é indiana, mas se resume, historicamente, à China. Os japoneses foram os responsáveis pela incorporação e aperfeiçoamento dessa arte. Já no Brasil, o bonsai chegou pelas mãos desses orientais no início do século passado, quando o país recebeu imigrantes do mundo todo.
A palavra Bonsai tem origem no mandarim “pen-jing” ou “pun-sai”, uma junção de dois ideogramas provenientes do japonês que significam “Bon” – vaso ou recipiente e “Sai” – cultivo, árvore.
Exímio conhecedor das técnicas “bonsaístas” e adepto dessa arte, desde 1987, o professor de bonsai Helenir Candido, também presidente do Clube do Bonsai de Ribeirão Preto, explica que uma espécie pode viver séculos se bem cuidada. “Um dos bonsais mais antigos do Brasil, desde a semente, é um pinheiro negro japonês com mais de 60 anos pertencente ao mestre Hidaka. Em Ribeirão Preto, temos bonsais com cerca de 40 anos, quanto aos importados do Japão, há espécies com mais de 200 anos”, afirma.
Helenir, que também ministra cursos periódicos de bonsai no SESC há 12 anos, atribui o desenvolvimento e a duração da espécie devido a sua forma correta de cultivo. “O cultivo de um bonsai se dá com terra granulada, limpa, esterilizada e misturada com pedriscos (grãos de dois a cinco milímetros). Deve ser exposto ao sol aberto no mínimo meio período, de preferência a manhã toda”, orienta.
Como o Brasil é um país de climas opostos, o cultivo do bonsai sofre pouca interferência em relação a essa gradual alternância climática, como aponta Helenir. “No clima frio, podemos ter quase todas as espécies; já no clima mediano, podemos cultivar todas as espécies. No clima quente (Nordeste, por exemplo) limitam-se as espécies da flora local e mais algumas das zonas tropicais”, explica o bonsaísta.
Das muitas espécies de bonsais existentes no mundo, o professor Helenir destaca as internacionalmente usadas como o Pinheiro Negro Japonês (obrigatório em toda coleção), Ácer, Olmo, Sakurá, Gingko, Marmeleiros e Juníperos. Quanto às espécies brasileiras, destacam-se a Jabuticaba, Pitanga, Figueira, Caliandra, Pitecolobium, entre outras.
Por representar uma árvore da natureza em miniatura, o bonsai possui alturas variadas e está classificado em cinco tamanhos. São eles: Mini – 15 cm, Pequeno – 30 cm, Médio – até 45 cm, Grande – até 60 cm e Gigante – acima de 60 cm, podendo atingir até dois metros.
Os vasos são a base para esta arte. Helenir aponta que os vasos da região de Tokoname, no Japão, são os melhores do mundo, mas que no Brasil existem vasos e ceramistas muito bons também. Os formatos são variados, podendo ser quadrados, redondos, ovais, retangulares, orgânicos e, inclusive, vasos de cerâmica de média e alta temperatura.
Para Helenir, a arte de cultivar bonsais não se limita apenas em plantar uma árvore e esperar seu crescimento, tampouco um hobby. Para ele, há muito mais que dedicação por trás dessa arte oriental. “O cultivo do bonsai é, para mim, uma arte superior, sublime, que educa e ensina, capacitando cada vez mais o potencial do homem”, resume.
O consultor financeiro Fabiano Ricardo de Brino se interessou pela arte do bonsai no final de 2002. Inicialmente, teve o incentivo do tio e da esposa, além da forte influência de Helenir Candido e de outros “bonsaístas” que vieram a se tornar amigos. “Combinávamos de nos reunir aos finais de semana para trocar experiências e, com isso, a motivação aumentava até o ponto onde fundamos o Clube do Bonsai de Ribeirão Preto, em abril de 2007, que hoje é uma referência nacional dentro da arte do bonsai”, conta Fabiano.
Apaixonado pela arte das árvores em miniatura, o consultor e também membro do Clube do Bonsai de Ribeirão Preto possui uma vasta coleção de bonsais em seu quintal, contando com 40 pré-bonsais (plantas ainda no início do trabalho) e aproximadamente 30 exemplares com um tempo maior de cultivo, já formatados no estilo de bonsai.
“Dentro da minha coleção, tenho exemplares de outros “bonsaístas”, peças com 30, 40 anos de cultivo como, por exemplo, um Fícus (figueira) de 36 anos, um Ácer de 32 anos e uma Ume (cerejeira) de mais de 20 anos de cultivo”.
Fabiano relata também que, através destes oito anos de dedicação à arte “bonsaísta”, sua visão de mundo mudou e muito. Segundo o consultor, o bonsai é uma forma de cultivar amizades, valorizar a natureza e, principalmente, promover a mudança de comportamento. “O bonsai traz agregado à sua arte, toda a filosofia dos japoneses. A arte promove reflexão, educação, estudo constante e respeito pelo tempo”, finaliza.
Revide On-line (colaborador: Fernando Belezine)
Fotos: Júlio Sian e Ibraim Leão
*Matéria publicada em 04/03/2011