Negócios em alta
Ribeirão Preto fecha o ano de 2018 como o 14º município brasileiro que mais abriga empresas; para especialista, crescimento econômico é reflexo de otimismo da sociedade
Mesmo em meio à lenta recuperação da economia brasileira, o número de empresas de Ribeirão Preto encerrou 2018 em alta. A cidade fechou o ano com 109.372 negócios ativos, com avanço de 15% em relação a 2017, segundo levantamento do Empresômetro, ferramenta do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A cidade é a quarta do Estado de São Paulo em número de empresas, atrás apenas da capital, Campinas e Guarulhos. No quadro nacional do levantamento, ela aparece como o 14º município do Brasil com maior potencial para os empresários. “Desde novembro, verificamos uma maior confiança da sociedade em uma retomada do crescimento. Neste contexto, o aumento de empresas ativas é um resultado condizente com o período que vivemos”, analisa o economista Edgard Monforte Merlo, professor da FEA-RP/USP.

O cenário econômico favorável permite a inovação e o desenvolvimento de empresas recém-inauguradas, como a companhia dos sócios Rafael Guimarães, Ana Paula Naccarato e Sérgio Luiz Camargo. A iniciativa, focada no desenvolvimento de produtos aliados à conscientização do consumidor, oferece objetos produzidos a partir da borra de café, que são transformados, por exemplo, em joias, relógios e brincos. “Assumimos um papel diferente em relação a outras empresas da cidade. Queremos proporcionar ao consumidor a oportunidade de fazer escolhas sustentáveis em suas decisões de compras. Ribeirão Preto nos permite ter acesso à matéria-prima, mas o grande desafio, ainda, é padronizar e ter escala na produção”, ressalta Sérgio.
A marca está no mercado há cerca de um ano. Mesmo com pouco tempo de vida, a expectativa dos responsáveis é positiva. Sérgio acredita que 2019 será um ano de bons resultados. “Ainda que Ribeirão Preto seja um polo regional, percebemos uma diferença muito grande em comparação a outros países, por exemplo, de reconhecer um produto sustentável. Precisamos desenvolver esse conhecimento na população”, afirma.
DOMÍNIO DOS MENORES
Os pequenos e médios negócios dominam o movimento da economia na cidade. Na divisão por natureza jurídica, os Microempreendedores Individuais (MEI) são maioria e respondem por 55% dos negócios, seguidos das Sociedades Limitadas, com 24%. “A maior parte dessas empresas são fruto dos esforços de empreendedores que estão tentando montar e oferecer prestação de serviços e comércio para a sociedade”, comenta o economista.

De acordo com Rogério Galvão, presidente da Associação de Microempreendedores Individuais e Microempresas de Ribeirão Preto e Região, o grande nicho de empresas que abriram na cidade se deve ao crescimento dos bairros, além da crise no mercado de trabalho, que também contribuiu com o surgimento de novas companhias. “Hoje, há cerca de 35 mil microempreendedores individuais na cidade. Depois de 2013, muitos trabalhadores desempregados começaram a querer abrir o próprio negócio e isso foi possível em virtude de não haver tanta burocracia”, destaca.
Rogério garante, porém, que apesar das facilidades é preciso estar atento às necessidades administrativas. Segundo ele, muitos MEI não possuem prática empresarial e, por isso, perdem o CNPJ, o que acarreta dívidas tributárias. “A maior vantagem de ser MEI é que ele pode mudar de categoria empresarial, passando de microempreendedor para microempresa automaticamente. Essa é uma das preocupações da associação, pois se os processos tributários são mudados, o empresário deve sempre acompanhar. Hoje, de cada 10 MEIs, dois viram ME no primeiro ano. Em cerca de três anos, a cada três empresas abertas, duas fecham as portas por erro de gerenciamento, ou por conta da crise dos setores”, finaliza.

Com experiências anteriores na área comercial e em marketing direcionado ao mercado profissional da estética, Luciano Piacenti escolheu Ribeirão Preto para o novo empreendimento. “É um lugar com alto nível de desenvolvimento, qualificação de profissionais, grandes universidades e muitas empresas bem-sucedidas. Aliado a isso, é uma excelente cidade para morar, com extraordinária qualidade de vida e maravilhosa para criarmos nossos filhos”, observa o empresário responsável por uma plataforma criada exclusivamente para o mercado da estética no Brasil. A empresa desenvolverá, em 2019, um aplicativo que permitirá aos profissionais mais proximidade com os clientes. “O objetivo da empresa é ser a melhor ferramenta de apoio aos profissionais da estética no Brasil e entregar muito valor a esse mercado”, conclui.

Serviço e comércio na liderança
Segundo o Empresômetro, no topo das atividades econômicas estão serviços (51% das empresas) e comércio (35%). Para Edgard Monforte Merlo, o resultado é considerado um sinal positivo para o começo do ano, mas manter esse ambiente favorável aos negócios vai depender da capacidade do novo governo em resolver problemas como redução da dívida pública e atração de novos investimentos externos. “O primeiro semestre vai ser um período do ano fundamental para observarmos a capacidade do novo governo em superar esses desafios. Se isto ocorrer, principalmente com a volta de investimentos, podemos assistir a uma melhora ainda maior na economia. Vamos acompanhar esse momento e seus desafios”, afirma o economista.

Edgar Pereira Filho, proprietário de uma loja de cartuchos no centro da cidade, diz que, desde 1999, o mercado tem sido favorável ao seu negócio. “Minha expectativa para 2019 é positiva. Com governo novo, estou mais confiante”, diz o microempreendedor, que aposta na inovação como o principal diferencial para prosperar no mercado.
Texto: Bruna Romão | Fotos: Ibraim Leão, Julio Sian e USP