No ritmo da saúde
Especialistas apontam os principais problemas que afetam o coração e dão algumas dicas preciosas para manter esse órgão vital funcionando, em plena capacidade
Quem vê Alexandros Spyridon Astrulakis hoje, aos 62 anos e esbanjando saúde, não imagina o susto que o empresário levou há dez anos. Em um dia comum, enquanto colocava a moto na caminhonete para levá-la para a revisão, sentiu uma dor forte e aguda no peito. “Fiquei com medo e, para piorar, estava em uma fazenda, ou seja, sem assistência especializada por perto. Sentei e tentei me acalmar, descansei um pouco e fui buscar ajuda na cidade. Do consultório do cardiologista fui direto para o hospital”, recorda. Foi constatada uma obstrução em duas artérias coronárias — uma com 92% e outra com 82% de bloqueio — e a solução encontrada foi a implantação de dois stents, mecanismo utilizado para aliviar o fluxo sanguíneo.
Depois de recuperado, o empresário não conseguia acreditar que tinha sido vítima de um problema cardiovascular. “Tinha conhecimento sobre o assunto, alguns amigos e parentes já haviam passado por situações semelhantes, mas eu não imaginava que algo assim poderia acontecer comigo. Não apresentava sintomas nem me enquadrava nos fatores de risco. Apesar de ter sido fumante por 30 anos, já tinha parado há dez, o trabalho no ramo do agronegócio, mesmo estresante, exigia muito do meu físico, eu me cuidava bem e os exames apontavam baixo nível de colesterol. Foi realmente uma surpresa”, ressalta Alexandros. O momento de dificuldade foi um divisor de águas. “Ouvir sobre a doença é diferente de sentir. A dimensão é outra e não vale a pena pagar para ver”, comenta. Decidido a manter sua qualidade de vida, o empresário começou a praticar exercícios, cuidar da alimentação e contar com um acompanhamento médico periódico. As melhorias são visíveis e, segundo ele, fazem toda a diferença.
Casos como o de Alexandros são mais comuns do que se pensa. Apesar de não haver um número oficial, pois há divergências de diagnóstico, grande parte das internações atualmente é decorrente de doenças relacionadas ao coração, como hipertensão arterial e doença coronária, que podem levar a derrame cerebral, infarto agudo do miocárdio e morte súbita. A diabetes, o colesterol elevado e a obesidade também são devastadores, se não controlados. O mecanismo de veias, artérias e músculos, tão complexo e elaborado, é, ao mesmo tempo, extremamente delicado. Qualquer anomalia pode resultar em prejuízos irreversíveis. Assim, as doenças cardiovasculares são apontadas como a principal causa de mortalidade no mundo.
Em 1990, em países em desenvolvimento, 9 milhões de mortes foram registradas. Para 2020, a projeção de mortalidade é de aproximadamente 19 milhões. No Brasil, o cenário não é diferente. Números do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS) indicam que ocorrem aproximadamente 300 mil óbitos ao ano por essa mesma razão.
Os números são altos e preocupantes. Por isso, os especialistas alertam a população: é hora de reverter esse quadro. “Para viver mais e melhor, é preciso cuidar bem do coração. Não há outro jeito. Algumas pessoas, mesmo sabendo do perigo, insistem em ignorá-lo, negligenciando sua saúde. Todos estão suscetíveis. Porém, cada um decide qual rumo tomar: do combate e da prevenção ou da conivência com a doença”, explica o cardiologista Dr. Fernando Roselino (CRM.SP 49840), que possui 29 anos de experiência na especialidade. Isso porque, além do fator genético, que é muito importante, os distúrbios relacionados ao coração são resultado de maus hábitos de vida, como o estresse e o sedentarismo. “O indicado é controlar o peso, fazer exercício físico regularmente, alimentar-se com produtos frescos e saudáveis — como frutas, legumes e vegetais, evitando os industrializados e ricos em gorduras —, não fumar e manter as taxas de glicose e colesterol nos níveis normais. O fator psicológico também influencia. Portanto, deve-se dormir bem, enxergar a vida de uma forma mais positiva e alegre, fugindo do estresse”, reforça Dr. Roselino.
Ainda segundo o especialista, os homens são os mais atingidos por essas enfermidades, mas numa proporção bem menor do que nas décadas anteriores, e o risco tende a aumentar conforme a idade. Dados evidenciam que um homem de 55 anos, por exemplo, tem de 4 a 10% de risco de ter obstrução coronariana grave. Por isso, o médico destaca que os exames de controle, como o teste ergométrico, são essenciais. A tecnologia avançada permite que o diagnóstico seja feito precocemente e com precisão, aumentando as chances de cura total. Quanto mais cedo a avaliação cardiológica começar, melhor, especialmente se houver histórico familiar. Além disso, o cuidado deve ser periódico para que, se algo for identificado, o profissional possa indicar um tratamento e o paciente possa promover as correções necessárias de forma segura.
Ainda falta informação
Segundo o cardiologista Dr. Fernando Nobre (CRM.SP 22313), que atua na área desde 1978, a desinformação da população ainda é o principal vilão no combate às doenças cardiovasculares. “Nossa preocupação é que, sem conhecimento, a população não se cuide adequadamente, propiciando, assim, condições para o desenvolvimento de vários problemas”, revela o especialista. Para identificar o nível de compreensão dos moradores de Ribeirão Preto sobre o assunto, o médico participou de uma pesquisa realizada na cidade pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, através da Fundação do Coração (FUNCOR), em 2009. Foram 600 entrevistados, representando 382 mil pessoas, que tiveram que responder à seguinte pergunta: “pelo que você sabe ou já ouviu falar, quais são os fatores que aumentam os riscos de uma pessoa ter infarto do coração ou derrame cerebral?”. As percentagens levantadas com as respostas não foram nada animadoras (veja o quadro).

Com os resultados do estudo em mãos, os especialistas se viram diante da seguinte questão: “Quais medidas devem ser tomadas para reverter esse processo?”. Para Nobre, a solução está em criar um processo de educação populacional efetivo. “As pessoas precisam saber sobre os tipos de comportamento que podem ser prejudiciais à saúde. Muita gente acredita piamente que nunca vai sofrer um infarto, mas essa certeza não existe. A prevenção é sempre o melhor caminho”, finaliza o especialista.
Atenção aos sinais
Dr. Fernando Roselino lista alguns dos sintomas que podem indicar o início de um problema cardiovascular
• Diminuição da capacidade de exercer atividades cotidianas
• desconforto ou dor torácica, que piora com esforços
• palpitações
• dores de cabeça
• sudorese fria e palidez
Lista do supermercado
Seis refeições diárias, respeitados os preceitos da pirâmide alimentar e as características individuais, contribuem significativamente para a manutenção saudável do organismo. É o que aponta a nutricionista Isadora Miranda da Cruz Ortolan (CRN: 18854). A pedido da Revide, a especialista listou cinco alimentos que não podem faltar no cardápio de quem quer manter o coração saudável.
Azeite de oliva: é rico em ácidos graxos monoinsaturados, ajuda a manter os níveis de colesterol total dentro dos limites normais e aumenta os níveis do HDL (o colesterol bom).jpg)
Salada de soja: comprovado alimento com eficácia na redução dos níveis de colesterol sanguíneo, pela ação de proteínas e isoflavonas nela contidas
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Farelo de aveia: alimento muito rico em fibras solúveis e com maior capacidade de diminuir o colesterol sanguíneo, reduzindo a absorção de colesterol e retardando a digestão das gorduras
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Salmão: importante redutor do perfil lipídico, com efeito na redução da viscosidade do sangue, no relaxamento das artérias, na redução da pressão arterial e também com efeitos antiarrítmicos e anti-inflamatórios
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Suco natural
de uva: através dos flavonoides nele contidos, atua como alimento antioxidante, reduzindo o risco de doenças cardiovasculares
Texto: Paula Zuliani
Fotos: Julio Sian e Carolina Alves