Novo aprender

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Com a volta às aulas programadas para o final de janeiro e o início fevereiro, escolas, pais e alunos planejam a retomada do ensino presencial em Ribeirão Preto em um cenário impactado pela pandemia

Texto: Gabriela Maulim
Colaboração: Marina parada


Praticamente um ano após a pandemia de Covid-19 causar a suspensão das aulas presenciais em Ribeirão Preto, o setor da Educação se prepara para o retorno em 2021. Escolas públicas, particulares, professores, pais e alunos iniciaram, desde o ano passado, o planejamento para esse processo de retomada, seguindo os protocolos de saúde necessários para o controle do vírus, que já contaminou mais de 40 mil ribeirãopretanos e matou mais de mil pessoas na cidade. Mesmo com a aprovação da CoronaVac pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) neste último domingo, 17, a vacinação de faixas etárias abaixo dos grupos de risco ainda não tem data para ocorrer, portanto, o ensino terá de usar todos os recursos disponíveis para proteger funcionários, alunos e famílias da doença.

Priscilla Michelle da Cruz, mãe das alunas Gabrielly da Cruz Judice, 17 anos, que está no 3º ano do Ensino Médio, e Isabelle da Cruz Coalho, 11 anos, que cursará, em 2021, o 6º ano do Fundamental, espera que a reabertura das escolas seja feita de forma consciente. “Se houver o retorno das aulas, que seja uma decisão responsável com todos os cuidados necessários para a segurança dos alunos, professores e funcionários. Esperamos um ensino de qualidade para recuperar o ano de 2020”, diz Priscilla, que ainda considera o retorno difícil e arriscado. A mãe acredita que será preciso uma readaptação dos estudantes e dos professores. “Sem vacinação, sinceramente, acho que será um caos, um risco muito grande, mas, esperamos que haja uma readaptação”, conclui.

Em relação ao ensino em 2020, Priscila diz que o aproveitamento não foi satisfatório. “Tive de optar em colocar uma professora particular para dar aula em casa para não prejudicar muito o ensino delas. Foram muitas dificuldades, como em auxiliar o aprendizado, explicar conteúdos, e conciliar o horário de aula on-line com a rotina da casa. Os professores foram muito importantes neste período, pois deram o seu melhor para atender os alunos”, finaliza.

ANSIOSOS PARA O RECOMEÇO 

Fernanda Crespo Zoppi e os filhos Enrico Crespo Zoppi, de oito anos, que está no 3°ano do Fundamental, e Isabella Crespo Zoppi, seis anos, que cursa o 2° ano do Fundamental, estão ansiosos para esta nova etapa. Segundo Fernanda, a família optou por esperar a chegada de 2021 para as crianças voltarem à escola. “Estamos um pouco temerosos, mas crendo que retornar à escola é a melhor opção. É um momento delicado, em que a família e a escola precisarão estar unidas para lidar com todos os desafios que podem ocorrer neste tempo de pandemia”, comenta a mãe. Ela acredita que as crianças terão algumas restrições, mas espera que elas aproveitem os amigos, as aulas e que possam brincar e aprender. “As crianças são muito adaptáveis. Com certeza, sentirão o distanciamento com os amigos e o uso continuo de máscaras. Os professores terão novos desafios e precisarão de estratégias diferentes para acolher as crianças e lidar com questões emocionais como medo, ansiedade e luto, mantendo o distanciamento sem perder a alegria e cuidado”, aponta.

De acordo com a mãe, na medida do possível, Enrico e Isabella tiveram um bom aproveitamento em 2020. “Na escola deles, houve grande empenho dos professores para tornar as aulas agradáveis e interessantes e eu pude também os acompanhar nas atividades. O maior desafio foi a adaptação do início, em mantê-los concentrados na aula e falta que sentiram dos amigos e do contato”, conta Fernanda.

Ainda segundo ela, os professores foram fundamentais para orientar e guiar as aulas e o aprendizado das crianças. Sou muito grata pelos meus filhos terem tido professoras que se empenharam, se reinventaram e mantiveram o ânimo neste momento tão complicado que estamos vivendo”, enfatiza Fernanda.

AVAL ESTADUAL 

Segundo a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), a volta às aulas presenciais nas escolas da rede pública estadual de ensino estão previstas para o dia 1º de fevereiro e nas duas primeiras semanas, “as escolas receberão até 35% de sua capacidade de alunos por dia. Após esse período, se uma área estiver nas fases vermelha ou laranja do Plano São Paulo, as escolas da educação básica, que atendem alunos da Educação Infantil até o Ensino Médio, poderão receber, diariamente, até 35% dos alunos matriculados. Na fase amarela, elas ficam autorizadas a atender até 70% dos estudantes; e na fase verde, até 100%. Os protocolos sanitários devem ser cumpridos em todas as fases”, informou a pasta.

Também foi anunciado investimento de R$ 80 milhões para o programa de ampliação de oferta de vagas em creches escolares. Segundo Doria, é preciso critério para que essa volta ocorra. “A Educação é fundamental para todos nós que somos pais, temos filhos que há mais de 12 meses estão distantes de suas aulas, do ensino, de seus professores e que precisam, com critério, com planejamento retomarem suas aulas”, disse o governador na ocasião.

Para a retomada, de acordo com o Estado de São Paulo, a Seduc-SP adquiriu e distribuiu uma série de insumos destinados tanto aos estudantes quanto aos servidores, como 12 milhões de máscaras de tecido, mais de 440 mil face shields (protetor facial de acrílico), 10.740 termômetros a laser, 10 mil totens de álcool em gel, 221 mil litros de sabonete líquido, 78 milhões de copos descartáveis, 112 mil litros de álcool em gel, 100 milhões de rolos de papel toalha e 1,8 milhão de rolos de papel higiênico.

As instituições de Ensino Superior poderão funcionar na fase amarela com até 35% das matrículas, e na fase verde, com até 70%. Nas etapas vermelha e laranja, elas não estão autorizadas a funcionar. Cursos superiores específicos da área médica têm o retorno presencial autorizado em todas as fases do Plano.

ENSINO MUNICIPAL

Em Ribeirão Preto, a rede municipal de ensino comunicou que as aulas serão retomadas no dia 8 de fevereiro para o Ensino Fundamental, e no dia 1º de março para o Infantil, seguindo todos os protocolos sanitários e de segurança. “Os detalhes referentes ao retorno presencial serão anunciados em coletiva de imprensa”, afirmou a pasta.

ORIENTAÇÕES 

Na última semana, o secretário Estadual da Educação, Rossieli Soares, homologou a deliberação do Conselho Estadual da Educação sobre o retorno das aulas presenciais em São Paulo. As orientações, publicadas na edição do Diário Oficial de 16 de janeiro, valem para as unidades da rede estadual, privada e, também, para as escolas da rede municipal, caso não haja conselho municipal de educação. “Queremos as escolas abertas com todo o protocolo para evitar contaminações. Sabemos que nas escolas o risco de contaminação é baixo, fato comprovado quando nosso monitoramento aponta para nenhuma transmissão dentro do ambiente escolar desde o retorno opcional das atividades, em setembro passado”, destaca o secretário.

Segundo o texto, neste ano, a carga horária mínima anual obrigatória será de 800 horas para o Ensino Fundamental e Médio, sendo, no mínimo, um terço dessas horas realizadas de forma presencial. As demais horas poderão ser cumpridas remotamente. Presencialmente ou de forma remota, a frequência mínima dos alunos nas aulas deve ser de 75%. Com a comprovação de atestado médico, alunos que fazem parte do grupo de risco poderão realizar as aulas exclusivamente por meios remotos.  

NADA SERÁ COMO ANTES

A professora do Estado de São Paulo Cassia Daniella Pavanin de Souza Pinho, que dá aula para o 5° ano do Ensino Fundamental I, pensa que, depois desse período de distanciamento, a volta às salas de aula é essencial. “Precisamos dessa volta. Existem alunos com depressão, síndrome do pânico, ansiedade, mas, claro, tem de ser uma volta consciente, com todos os cuidados. O ano de 2020 foi bem estressante, tanto para nós, professores, como para os alunos. Tivemos de aprender ‘na marra’ a ministrar aulas remotas. Trabalhamos muito além da carga horária estipulada, sem finais de semana ou feriados”, revela.

A professora conta que precisou fazer cursos na área da tecnologia para dar melhor suporte aos alunos.“Estudei bastante sobre recursos tecnológicos, sei que a educação não será mais a mesma, o ensino híbrido veio pra ficar, e temos de nos inteirar para que nossos alunos sejam bem informados e capacitados”, afirma a professora.

Além da adaptação em relação às aulas remotas, a professora explica que também precisou lidar com as dificuldades dos pais, que precisaram fazer o papel dos educadores em algumas ocasiões. “Muitos pais não possuem aptidões para ajudarem os filhos, outros não possuíam equipamentos como celular, tablet ou computador. Muitos, ainda, não têm preparo para auxiliar os filhos. Sempre argumentam que há tempos saíram da escola e que não sabem ensinar”, conta a docente que disse ainda, que nesse período de aulas remotas, o calor humano dos alunos, os questionamentos sobre a matéria dada e as conversas em sala de aula estão entre as coisas que mais fizeram falta.

Cassia também acredita que precisará haver um processo de readaptação para os alunos. “Sei que estão ansiosos em voltar para a escola, mas sei nada será como antes. Nada de abraços, troca de materiais e de lanches, enfim, tudo o que eles mais gostam. Por isso, eles precisarão de um tempo para se adaptarem a essa fase”, explica.

Como parte da preparação para este ano, a professora diz que essas questões serão abordadas com conversas e regras de convivência. “Trabalharemos, primeiramente, com conversas, estipulando regras de convivência para o momento que vivemos. Falaremos da importância desses cuidados. Todos já sabem o que está acontecendo. Muitos, inclusive, perderam amigos e familiares. Então, a minha expectativa é que essa aceitação será bem tranquilo”, finaliza.

PREPARADOS PARA O ANO

As escolas particulares da cidade também tiveram de se adequar às normas e aos protocolos de saúde. Os colégios estavam autorizados a voltarem às aulas presenciais desde outubro do ano passado. Neste ano, a maioria terá aulas presencias, além de continuarem com as online para alunos que se enquadram no grupo de risco. É o caso da Escola SEB – Unidade Ribeirânia, que, desde o início das aulas em 2020, não registrou nenhum caso de Covid-19. “Nós retornamos no dia 18 de outubro, dentro das normas de segurança. Fizemos uma parceria com o Hospital Albert Einsten, obedecendo aos protocolos adotados por eles, garantindo a segurança de nossos alunos, professores, colaboradores e todos os que entram na nossa escola. O procedimento conta com relatórios diários dos que participam da comunidade escolar. Nossos alunos e pais se sentiram seguros e felizes”, ressalta Célia Cristina Zanchetta Borges, diretora da Unidade. 

Para receber os alunos em 2020, a diretora informa que houve um ajuste estrutural, além de orientações fornecidas para colaboradores, professores, alunos e famílias. De acordo com Célia, o SEB está 100% preparado para receber os estudantes em 2021.  “Neste ano, nós vamos voltar dentro do que os órgãos responsáveis permitirem, mas a nossa escola está pronta para receber todos os alunos, caso seja autorizado”, comenta.

O Colégio Auxiliadora é outra instituição que está pronta para receber os alunos. A volta, que também seguirá as recomendações dos órgãos responsáveis, está programada para ocorrer no dia 28 de janeiro. Segundo a diretora pedagógica Luciana Tomaz Marques Orsini, o objetivo é continuar desenvolvendo um trabalho de qualidade e manter os bons resultados que foram alcançados em 2020. “Além disso, esperamos esperança e otimismo para um ano no qual o ser humano demonstre seu lado afetivo, que foi florescido diante desta situação. De forma geral, que a educação possa contribuir para a superação desses desafios, formando indivíduos mais empáticos, com valores morais e de respeito”, declara.

Neste novo ano, a diretora explica que o colégio dará continuidade às metodologias e estratégias que foram usadas durante o ensino remoto, buscando, sempre, a formação integral do aluno – uma formação humana e com excelência acadêmica. “Como a filosofia Salesiana valoriza a união entre as pessoas e uma formação integral do ser humano, acredito que o ensino remoto nos mostrou como essa prática é importante e precisa ser cada vez mais fortalecida. Além disso, ficou evidente que a tecnologia não é apenas um recurso, mas sim um meio essencial para auxiliar na educação”, destaca Luciana.

Ainda de acordo com a diretora, os pais e os alunos podem esperar uma estrutura condizente com todos os protocolos de saúde. “O Colégio Auxiliadora está apto para receber os alunos que optarem pela volta presencial, com todos os protocolos de higiene e de segurança da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as orientações do Plano São Paulo, do Governo do Estado de São Paulo. Contudo, nossa preocupação vai além, pois, diante de tudo que estamos passando, sabemos a importância de cuidar, também, do estado emocional dos pais, dos alunos e dos colaboradores. Por isso, valorizamos e praticamos nossa pedagogia do acolhimento”, acrescenta a diretora.

PERÍODO DE DESAFIOS

Para a professora do Colégio Auxiliadora Luciana Barbosa Pizorusso Azevedo, o professor terá um papel ainda mais determinante nessa retomada em 2021. “Em sala de aula, será necessário promover a escuta e o olhar atento, possibilitando ajuda diante de qualquer dificuldade. Como mediador do estudante nos ambientes que favorecem a aprendizagem e por meio das metodologias ativas, o professor oportunizará ao aluno o protagonismo nesse processo de ensino-aprendizado”, descreve.

Para ela, 2020 se mostrou desafiador. Apesar disso, as expectativas são boas para 2021, que necessitará de cuidados dobrados em relação aos protocolos de saúde. “Foi desafiador, pois, em um curto espaço de tempo, tivemos de nos adaptar a um ambiente virtual que utiliza novas metodologias e novas ferramentas tecnológicas. Assim, dia a dia, fomos nos capacitando e nos ambientando a essa forma inovadora de oportunizar o aprendizado e o conhecimento”, comenta.

Já a diretora e mantenedora do Colégio Queiroz Brunelli (CQB) e unidades Primeiros Passos, a professora Nilcéia Queiroz Brunelli diz que 2020 foi um ano muito difícil em todos os aspectos, entretanto, afirma que não foi um ano perdido. “Vivenciamos um dos maiores desafios na área da educação, mas apesar de tudo não foi um “ano perdido”. Enfrentamos a situação provocada pela pandemia transportando o ambiente de aprendizado, para a casa de cada aluno da nossa escola. As aulas em ambiente virtual são uma realidade nas nossas unidades desde março de 2020, as nossas quatro unidades realizaram um trabalho incansável, foi um esforço em conjunto que uniu escola e famílias para garantir a qualidade e a continuidade dos estudos e acima de tudo o suporte emocional nesse momento de grande fragilidade”, comenta.

A diretora afirma que está confiante para a nova etapa que se iniciará em 2021. “Nosso corpo docente está preparado. O sistema híbrido é uma realidade que deu certo nas nossas unidades. Investimos em tecnologia, treinamento, adequação dos espaços, equipamentos e materiais para higienização e planejamentos pedagógicos, garantindo as necessidades acadêmicas e emocionais de cada aluno. Graças ao esforço da comunidade científica, a vacina está chegando. Estamos confiantes em um ano mais leve, porém, temos a consciência de que vamos levar um tempo para voltarmos à rotina escolar que conhecemos. Estamos atentos a cada pronunciamento e determinação do Governo para nos adaptarmos à nossa ‘nova realidade’ imposta pela pandemia”, conclui.

DE MÃOS DADAS COM O NOVO

A diretora do Ateneu Barão de Mauá - Ensino Médio, professora Vera Carlotti, conta que, antes da pandemia a instituição já tinha o objetivo de implementar aulas à distância. “Sempre antenado com as mais modernas tendências pedagógicas, o Ateneu Barão de Mauá se preparava, há algum tempo, com projetos para aulas híbridas, mas, com suporte de nossas áreas de Tecnologia de Informática e de Educação, houve uma migração rápida para as aulas virtuais que foram necessárias para o momento da Pandemia”, explica.

A instituição está equipada para receber os alunos presencial e digitalmente. “Estamos preparados para retorno presencial e on-line. Nossa estrutura física e pedagógica está treinada para receber todos os alunos da forma necessária. Temos esperança de que retornaremos presencialmente, nem que seja com grupo de alunos. Tudo dependerá das vacinas e da evolução da pandemia. A equipe de gestores da Barão de Mauá, que monitora o desenrolar da pandemia, está reunida constantemente, orientando-nos e assessorando nossas decisões”, afirma.

Hubert Basques, diretor geral do Colégio FAAP de Ribeirão Preto, conta que a instituição foi pega de surpresa, mas conseguiu se adaptar rapidamente. “Fomos todos tomados de surpresa. O mundo todo. Entretanto, nosso time da FAAP conseguiu alterar todo o modelo presencial para as aulas remotas em apenas quatro dias, mantendo o mesmo padrão de qualidade que é tradição da instituição há mais de 73 anos”, explica.

Houve um esforço da equipe para oferecer o melhor aos alunos, desdobrando as habilidades e aprendendo coisas novas. “Sem dúvida foi desafiador. Nosso time docente e de tecnologia se desdobrou com maestria para viabilizar esta nova condição imposta pela pandemia”, conta Hubert que acredita na evolução e inovação da instituição e da equipe da escola.

Consciente, o diretor relembra os desafios do ano que passou e busca olhar para o futuro. “O ano que passou nos trouxe desafios importantes. Aprendemos muito com eles e evoluímos nossa escola. Estamos certos de que os nossos alunos terão uma jornada espetacular neste ano, com muito aprendizado e uma visão mais moderna do mundo e das carreiras profissionais”, relata Hubert. A instituição sente falta dos alunos e do dia a dia de trabalho e estudos. “Estamos todos ansiosos por retornar às atividades presenciais, por acolher os nossos alunos com todo o carinho e cuidado”, encerra.

 

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