Novo mínimo deve impactar consumo

Novo mínimo deve impactar consumo

Paulistas ganham 7,18% a mais desde o dia 1º; piso nacional foi aumentado em 6,78%

O reajuste dos salários mínimos nacional e regional (de São Paulo) não deve provocar impactos inflacionários significativos. O valor a mais pode impulsionar o comércio com pequeno aumento de vendas, mas sem força para ampliar o custo de vida.

A opinião é do professor e economista Jair Casquel, que acredita em uma pressão maior dos preços de produtos cartelizados. “O que deve influir na inflação são os aluguéis e preços de produtos de cartéis e oligopólios”, avalia.

Para o economista, em estados mais pobres pode até ocorrer algum impacto, mas em regiões mais desenvolvidas os novos valores dos pisos nem funcionam muito mais como indexador. “Até pode existir um impacto psicológico e até eleitoral, mas de pouca significância”.

O novo piso nacional teve reajuste de 6,78%, passando de R$ 678 para R$ 724, o que deve injetar mais R$ 28,5 bilhões na economia quando forem feitos os pagamentos de fevereiro. Além deste valor, quatro estados têm pisos regionais.

Em São Paulo, a lei sancionada em dezembro pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) elevou o salário mínimo regional de R$ 755 a R$ 810 na primeira faixa e de R$ 765 para R$ 820 na segunda faixa, com reajuste de 7,18%.

O aumento deve beneficiar cerca de 7 milhões de trabalhadores pelo Estado. Instituído em 2007, o salário mínimo paulista contribui para que os trabalhadores  da iniciativa privada que não são protegidos por lei federal, convenção ou acordo coletivo recebam mais que o piso nacional.

De acordo com projeção do economista César Concone, da Secretaria estadual do Emprego e Relações do Trabalho (SERT), aproximadamente R$ 400 milhões serão injetados na economia em função do aumento. “Na realidade tivemos um acréscimo arredondado de 7,28%”, completou Concone.

Outros estados

Além de São Paulo, aplicam salários mínimos regionais os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, os empregados domésticos recebem atualmente salário mínimo de R$ 770,00, o qual será reajustado somente a partir de fevereiro.

Já no Paraná, o salário mínimo dos domésticos (trabalhadores de atividades agropecuárias, florestais e pesca) é ainda maior – R$ 914,82, e será reajustado em maio.

Em Santa Catarina o piso já reajustado é de R$ 835. No Rio de Janeiro o valor cogitado é de R$ 802,00.

Em São Paulo, são duas as categorias de piso salarial definido pelo governo
1ª faixa
Trabalhadores domésticos, serventes, trabalhadores agropecuários e florestais, pescadores, contínuos, mensageiros e trabalhadores de serviços de limpeza e conservação, trabalhadores de serviços de manutenção de áreas verdes e de logradouros públicos, auxiliares de serviços gerais de escritório, empregados não-especializados do comércio, da indústria e de serviços administrativos, cumins, “barboys”, lavadeiros, ascensoristas, “motoboys”, trabalhadores de movimentação e manipulação de mercadorias e materiais e trabalhadores não-especializados de minas e pedreiras.

2ª faixa
Operadores de máquinas e implementos agrícolas e florestais, de máquinas da construção civil, de mineração e de cortar e lavrar madeira, classificadores de correspondência e carteiros, tintureiros, barbeiros, cabeleireiros, manicures e pedicures, dedetizadores, vendedores, trabalhadores de costura e estofadores, pedreiros, trabalhadores de preparação de alimentos e bebidas, de fabricação e confecção de papel e papelão, trabalhadores em serviços de proteção e segu¬rança pessoal e patrimonial, trabalhadores de serviços de turismo e hospedagem, garçons, cobradores de transportes coletivos, “barmen”, pintores, encanadores, soldadores, chapeadores, montadores de estruturas metálicas, vidreiros e ceramistas, fiandeiros, tecelões, tingidores, trabalhadores de curtimento, joalheiros, ourives, operadores de máquinas de escritório, datilógrafos, digitadores, telefonistas, operadores de telefone e de “telemarketing”, atendentes e comissários de serviços de transporte de passageiros, trabalhadores de redes de energia e de telecomunicações, mestres e contramestres, marceneiros, trabalhadores em usinagem de metais, ajustadores mecânicos, montadores de máquinas, operadores de instalações de processamento químico e supervisores de produção e manutenção industrial.

Revide On-line
Texto: Guto Silveira
Fotos: Arquivo Revide

 

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