Novos ares

Novos ares

Há seis anos, banda ribeirãopretana mudou a sonoridade, o nome e a cidade, para tentarem o sucesso na capital

Nos dias de hoje, pode parecer insensato deixar tudo pra trás e viver de música numa cidade grande e distante de casa, mas foi exatamente o que fizeram os integrantes da banda Doutor Jupter, afinal, “todo artista tem de ir onde o povo está”, como cantou Milton Nascimento, na canção “Nos bailes da vida”.

“Saímos, de certa forma, do que podemos chamar de uma ‘zona de conforto’. Tínhamos um nome na região de Ribeirão Preto, discos que foram lançados e alcançaram certo reconhecimento, mesmo que regional, e encaramos uma nova jornada em busca até de um autoconhecimento. Um novo tudo, pra nos renovarmos como pessoas e músicos”, conta Ricardo Massonetto, vocalista da banda.

Foi nessa busca que a banda mudou de cidade, de sonoridade e de nome. De 1998 a 2005 a banda se apresentava com o nome de Sociedade Urbana, influenciados pelo rock nacional da década de 80, especificamente Paralamas dos Sucessos e Legião Urbana. “Gostamos de muita coisa mesmo! Mas, unânimes, podemos citar os Beatles, Creedence, Strokes, Los Hermanos e Beirut”, aponta Ricardo.

Em 2006, quando a banda saiu de Ribeirão Preto, as coisas eram um pouco diferentes no meio musical. Desde então, os meios de divulgação dos trabalhos artísticos, incluindo as redes sociais, aumentaram muito. Em seis anos tudo mudou muito e muito rápido. “Talvez, se levarmos em conta a realidade de hoje, com o ‘Boom’ da internet;  das redes sociais e outras revoluções tecnológicas que possibilitam uma rápida difusão de qualquer informação ou trabalho artístico, essa mudança não faça tanto sentido. Mas quando decidimos sair da cidade foi porque julgávamos necessário nos aproximar um pouco mais do ‘olho do Furacão’. E hoje vivemos como uma família mesmo”, ressalta.

As realizações
Se por um lado a mudança se fez necessária, por outro, foi a maior dificuldade pela qual a banda já passou. 

Foram dias de sofrimento com a falta de dinheiro, a insegurança e a adaptação em uma cidade que, segundo os integrantes, é um mundo. “Criamos algo totalmente novo, em busca de uma realização pessoal e profissional, deixamos para trás nossos amigos e nossa família e tudo o que tínhamos de história.  Encaramos de tudo que possa imaginar”, lembra Massonetto.

Passadas as primeiras dificuldades e após começar a tocar na noite paulista, a banda, em 2009, passou a compor as próprias canções e lançou um EP (Extended Play) contendo quatro faixas, que foram produzidas pelo ex-guitarrista da banda IRA!. “Em algumas faixas ele também tocou. E essa etapa foi uma grande escola pra banda. Acho que foi muito importante também na formação do conceito para o primeiro álbum, que lançamos no ano passado”, explica.

As aventuras cotidianas dos integrantes da banda incluiam não somente a mudança de ares mas, também, de sonoridades. Encontrar um produtor para o primeiro lançamento foi um desafio.  Em 2009, quando a banda decidiu gravar o que havia composto, alguns nomes, principalmente o de Edgard Scandurra, surgiram. Depois de tantas tentativas de contatos frustradas, devido aos vários projetos em que Scandurra estava participando, o baterista Mateus Briccio, por sorte, encontrou com o tão sonhado produtor andando pelas ruas de Vila Madalena. “O Mateus quase jogou o carro em cima dele para conseguir abordá-lo”, lembra Ricardo.

“Ele [Edgar Scandurra] é um cara bem quisto pela cena alternativa atual. Trabalha com artistas como Jeneci, Bárbara Eugênia, Arnaldo Antunes, Karina Buhr e muitos outros”, ressalta.O contato com Scandurra deu certo, a banda conseguiu produzir o primeiro EP e fez dois shows com o ídolo. “Foi muito bacana! O cara é um ser humano fantástico”, conta.

Primeiro álbum
O lançamento oficial do disco homônimo da banda aconteceu em setembro do ano passado, em Ribeirão Preto, no Teatro Santarosa. “Nunca nos afastamos dos amigos e da cidade, mas o lançamento do álbum foi uma realização extra que pudemos apresentar para as pessoas que continuaram acreditando em nós. Pudemos apresentar uma realização para quem sempre nos apoiou”, explica o vocalista.

Expectativas
A banda está aguardando o resultado do concurso do festival “Música Pra Todo Mundo”, promovido pela Oi. “Estamos ansiosos com esse resultado. Tivemos o prazer de ser selecionados numa lista de 30 artistas, dentre 840 participantes de todo o Brasil”, pontua.

Segundo o regulamento, a curadoria do concurso elegerá duas atrações e dois suplentes, enquanto dois artistas serão escolhidos pelo voto popular, que foi realizado no site da organização. “Conseguimos uma votação muito expressiva: 4.497 votos. Pelos critérios, temos grandes chances. E além dos votos, entre os finalistas, temos o perfil mais visitado no ‘Oi Novo Som’. Espero que isso pese a nosso favor. Se conseguirmos, iremos tocar na primeira edição do festival ‘Música Pra Todo Mundo’, no segundo semestre de 2012, no Rio de Janeiro. Os vencedores também assinam contrato com o ‘Selo Oi Música’, que vai bancar a gravação de um disco com produtor, clipe, assessoria de imprensa, enfim, um belo empurrão”, finaliza Massonetto. 

A banda, formada por Ricardo Massonetto nos vocais, gaita, banjo, guitarra e violão, Marcio Gonzales nas Guitarras e Banjo, Mateus Briccio na bateria e Dudu Massonetto no Contra-baixo, tem apresentação em Ribeirão Preto marcada para o dia 4 de dezembro deste ano, no Theatro Pedro II. Será o show de gravação do 1º DVD de Doutor Jupter.

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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação

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