Novos esportes olímpicos

Novos esportes olímpicos

Caratê, skate, surfe, escalada e beisebol: essas cinco modalidades farão sua estreia nos Jogos Olímpicos do Japão, em 2020

Apesar dos infinitos ângulos que se pode dar ao olhar, especialmente quando o objeto em questão é de uma grandiosidade indiscutível, é difícil contestar o saldo positivo dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Os críticos mais céticos insistirão em chamar a atenção — com razão — para os elevados gastos públicos envolvidos na realização do evento, assim como para o desempenho brasileiro abaixo da meta estabelecida pelo Comitê Olímpico, que era a de estar entre os 10 primeiros no quadro geral de medalhas. Já os otimistas preferirão ressaltar que a 13ª posição do Brasil no ranking significa o melhor resultado do país na história das Olimpíadas, assim como os sete ouros conquistados — incluindo o inédito desempenho dourado da seleção de futebol, extremamente aguardado.


Em um cenário que permite inúmeras avaliações, o destaque alcançado pelo esporte antes, durante e depois dos Jogos é mais do que evidente. Os diversos exemplos de mudança de vida atrelados às modalidades esportivas servem de inspiração para pessoas de todas as idades, especialmente para as crianças e os jovens, que têm a vida inteira pela frente para partir em busca de um sonho semelhante. Nesse sentido, a edição olímpica do Rio de Janeiro foi histórica, graças aos números impressionantes relacionados a ela e, junto com eles, a diversidade de histórias. Foram mais de 10.500 atletas competindo, sendo 465 brasileiros que, pela primeira vez, representaram o país em cada uma das 42 modalidades inclusas.


Entre elas, o Rio de Janeiro sediou a disputa por medalhas em cinco novas modalidades — badminton, ginástica de trampolim, golfe, hóquei sobre grama e rugby. Os atletas brasileiros não se destacaram nesses esportes, o que, de fato, era esperado, uma vez que não possuem tradição em solo nacional. Ainda assim, a inserção das modalidades é válida porque amplia as possibilidades, não apenas entre os atletas profissionais, mas, principalmente, aos olhos do público, que ganha a oportunidade de descobrir, por causa da visibilidade olímpica, uma nova afinidade esportiva.


Depois de muita luta junto a diversas entidades do mundo inteiro, o caratê foi oficialmente aceito como esporte olímpico. Ainda há algumas definições em andamento, como adaptações de regras e equipamentos obrigatórios durante o combate, mas a disputa por medalhas na edição de Tóquio já é uma certeza. “Este é um sonho que alimento desde os 15 anos, quando competia. Agora que o desejo virou realidade, a responsabilidade aumenta”, comemora o atual técnico e coordenador da seleção brasileira de caratê, Ricardo Aguiar.


A paixão do carateca pelos esportes começou ainda na infância, graças a uma vizinhança ilustre. “Morava na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, bem próximo ao ginásio. Ali, junto com um grupo de atletas, dei meus primeiros passos no atletismo”, revela Aguiar, que também comanda a Seleção Paulista e a equipe de Ribeirão Preto de Caratê. O ex-atleta ainda passou pelo futebol antes de descobrir o esporte se tornaria parte fundamental de sua vida. “Gostava muito e assistia constantemente filmes de luta. No intervalo, imitava os golpes dos atores. Certo dia, acertei a mesinha da televisão, que caiu e quebrou. No dia seguinte, minha mãe me matriculou em uma academia”, diverte-se o treinador.


De lá para cá, o caratê foi ganhando cada vez mais importância em sua rotina. As competições no esporte foram incorporadas aos seus principais objetivos ainda na juventude. “Do período em que competia trago muitas recordações. Entre as principais está a conquista do primeiro título internacional, o Pan Americano da Argentina, em 2000. Para merecer a medalha de ouro, tive que suportar uma lesão na mão”, lembra Ricardo. A disputa do bronze, no Mundial da Alemanha — perdido, aliás — também foi marcante: além do público que acompanhava pela TV em todos os cantos do globo, o ginásio estava lotado, com cerca de 15 mil pessoas. A carreira como atleta seguiu até 2008 e deu lugar, imediatamente, ao papel de treinador, que culminou, em 2013, na chegada ao comando da seleção brasileira. 


Quando os Jogos Olímpicos Rio 2016 começaram, o caratê já havia tido sua estreia confirmada para 2020, em Tóquio. “Sempre acompanhei as Olimpíadas e esta edição teve um sabor especial por causa da nova condição do caratê. Confesso que o que vi no Rio de Janeiro me surpreendeu positivamente, mostrando do que o nosso país é capaz”, frisa o treinador, ressaltando que ouviu os melhores comentários possíveis dos amigos de outras modalidades envolvidos diretamente na competição. Ricardo comemorou muito a decisão final do Comitê Olímpico Internacional.


Segundo Aguiar, uma série de reuniões, que já começou, definirá o novo planejamento do caratê brasileiro, que deve ser colocado em prática logo depois do Mundial da Áustria, em outubro desde ano. O técnico, que comanda um instituto que leva seu nome em Ribeirão Preto, promete uma busca forte pelas vagas olímpicas. Antes mesmo dessa corrida começar, já dá para comemorar um belo crescimento do caratê brasileiro, que atualmente está bem colocado no ranking mundial, tanto nas categorias de base quanto nas competições adultas.


Ainda de acordo com o treinador, falta apoio ao esporte no Brasil. “Alguns atletas recebem bolsa graças ao programa do Governo Federal, mas precisariam de mais do que isso. Já melhorou muito, se compararmos ao que ocorria cinco anos atrás, mas sabemos que, para sonhar com uma medalha olímpica, o investimento precisa ser diferente, principalmente, no que diz respeito à estrutura, aos treinamentos, aos intercâmbios, entre outros itens”, reforça Ricardo, destacando que o sofrimento na base é maior ainda. 


Mesmo assim, o técnico acredita que é possível buscar a sonhada medalha olímpica em Tóquio. Para isso, toda a tranquilidade, a serenidade e a disciplina aprendidas com o caratê serão colocadas à disposição do esporte. “O caratê nos proporciona o equilíbrio do corpo e da mente: comportamento, autoestima, controle do próprio corpo e das atitudes são alguns dos benefícios da modalidade. Esses ingredientes exigem prática diária”, ressalta Aguiar. Sem antecipar quem são suas apostas para 2020, destaca que há muito tempo pela frente. 


Tempestade olímpica

Quem acompanha o surfe mundial, sabe muito bem que os brasileiros estão roubando a cena. Nomes como Gabriel Medina, Adriano Souza, o Mineirinho, e Felipe Toledo fazem parte da chamada “Brazilian Storm”, a tempestade verde e amarela que passou a dominar as praias que compõem o Circuito Internacional organizado pela World Surf League. Integrante da liga mundial desde 1992 —antes mesmo que ela fosse assim chamada — o analista de sistemas Robson Machado acompanhou de perto a consolidação dos atletas nacionais no esporte. “Os garotos de hoje seguem a trilha aberta com muito esforço pelos surfistas que vieram antes deles e, certamente, garantirão um futuro promissor às próximas gerações do surfe brasileiro”, avalia Robson, que, apesar de não ser surfista, acabou direcionando seus esforços no rumo da nova modalidade olímpica. O analista, que já praticou natação, é operador do sistema de pontuações e sabe como ninguém o caminho a ser percorrido para vencer cada campeonato.


De acordo com ele, o desejo de ver o surfe entre as modalidades olímpicas é compartilhado por atletas e profissionais envolvidos com o esporte. “Com certeza, o surfe só tem a crescer com sua nova condição”, pontua Robson. O analista aposta que as estrelas do surfe brasileiro da atualidade, todos com 20 e poucos anos, chegarão no auge da sua condição física a 2020. “Certamente, surgirão, também, novos nomes nesse cenário, uma vez que o trabalho que vem sendo feito é muito consistente”, acrescenta Robson. No entanto, o surfe ainda precisa de mais apoio e patrocínio, como grande parte dos esportes no Brasil, especialmente, nas categorias de base. O analista de sistemas, que mora em Ribeirão Preto desde os dois anos de idade, gostaria de ver mais esforços direcionados à motivação da criançada, tanto nas piscinas quanto nas quadras, campos e ginásios.

O retorno do beisebol

Entre as cinco novidades, uma delas é, na verdade, um retorno. O beisebol/softbol já foi modalidade olímpica em cinco edições anteriores, sendo Pequim, em 2008, a última delas. O retorno do esporte aos Jogos Olímpicos foi bastante comemorado na vizinha Guatapará, ou mais especificamente, na colônia de Mombuca, cujos criadores trouxeram na bagagem, diretamente do Japão, a paixão pelo beisebol. O gosto pela modalidade foi passando de geração em geração, e ainda persiste. “O amor pelos esportes me levou a cursar Educação Física e a trabalhar com isso. Jogo beisebol desde os sete anos. Esse hábito me deu amigos que trago comigo ainda hoje”, afirma Julio Koojiro Ebisawa, que integra o Departamento de Beisebol da Associação de Mombuca.


Segundo ele, é preciso aproveitar essa oportunidade para desenvolver o beisebol no Brasil. “Temos alguns atletas de destaque no cenário mundial, mas não se pratica muito beisebol por aqui. Talvez isso aconteça porque o esporte é muito caro, exige equipamentos importados e não tem apoio ou patrocínio para isso”, destaca Júlio, salientando que a falta de apoio não é uma exclusividade do beisebol. O educador físico defendeu oficialmente o esporte na infância e na pré-adolescência, período do qual sente saudade e que permitiu que ele conhecesse muitos lugares Brasil afora. Ainda hoje, o beisebol ocupa uma parte importante dos seus domingos com os amigos.

Doses de aventura

Skate e escalada também têm presença já garantida nos Jogos Olímpicos do Japão, em 2020. De acordo com o Comitê Olímpico Internacional, esses são esportes com forte apelo jovem, o que está em consonância com as intenções dos organizadores, que pretendem garantir maior atenção do público mais novo. 


Entre os skatistas, a mudança divide opiniões: enquanto muitos temem as novas regras e os sistemas de pontuação que serão adotados, ainda em definição, outros identificam mais chances de reconhecimento para a modalidade. Ainda não é possível tirar uma conclusão definitiva, pois há muitas decisões a serem tomadas até 2020. Fato é que o Brasil possui nomes de ponta entre diversos estilos do skate e deve chegar a Tóquio com novas chances de medalhas.
Fechando a lista está a escalada esportiva, em plena expansão no mundo, e no Brasil também. A expectativa é que as cinco novidades agreguem mais 400 atletas à próxima edição das Olimpíadas e 18 disputas por medalhas. 

Modalidades paralímpicas

Os Jogos Paralímpicos Rio 2016 estão na reta final e devem garantir ao Brasil o melhor posicionamento no quadro geral de medalhas da história. Confira todas as modalidades da competição:

Atletismo
Basquete em cadeira de rodas
Bocha
Canoagem
Ciclismo de estrada
Ciclismo de pista
Esgrima em cadeira de rodas
Futebol de 5
Futebol de 7
Goalball
Halterofilismo
Hipismo
Judô
Natação
Remo
Rugby em cadeira de rodas
Tiro com arco
Tiro esportivo
Triatlo
Tênis de mesa
Tênis em cadeira de rodas
Vela
Voleibol sentado

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