Novos rumos
Encontro de empresas discute qualificação e remuneração de mão de obra
Foram cerca de 100 participantes, de 80 empresas de Ribeirão Preto e da região, dos mais variados setores da economia: serviço, ensino, metalúrgico, saúde, usina, tecnologia, público, alimentício, construção civil, calçadista, bebida, educação, agronegócio, farmacêutico, financeiro, editorial e químico.
Segundo Jorge Ruivo, presidente da consultoria de gestão empresarial e de Recursos Humanos organizadora do evento, setores de serviços de TI e de construção civil, particularmente, têm sido fortemente demandados em Ribeirão Preto e, por consequência, tem mais carência de mão de obra especializada.
Para ele, foi notório o interesse dos participantes pela gestão de salários em suas empresas e a necessidade de uma ferramenta que atualize a decisão de atrair e reter os profissionais. A cidade e região já praticam patamares de remuneração semelhantes aos das grandes capitais e isso se deve, em parte, ao êxodo de profissionais em busca de melhor qualdiade de vida.
“Esses profissionais que saem de São Paulo para outros locais, principalmente para o interior paulista, em busca de melhor qualidade de vida, tem levado consigo os padrões de ganhos, fazendo com que as diferenças existentes fiquem cada vez mais niveladas”, afirma Ruivo.
O interior paulista hoje detém empresas do porte das instaladas em grandes capitais e, na opinião do presidente, a carência de mão de obra se faz presente em todos os setores, sendo necessária uma reestruturação urgente para a formação e treinamento de novos profissionais.
“É a primeira vez que todos os setores econômicos estão a plena carga. Logicamente, aqueles que demandam grandes quantidades de mão de obra, como os da construção civil e o de bioenergia, sofrerão mais. Até mesmo a mecanização das usinas de açúcar e etanol não deixará desempregados, como se esperava cinco anos atrás. A chegada de novos negócios exigirá das empresas agilidade nas avaliações e decisões sobre como remunerar, quem treinar, como estimular o desenvolvimento e o desempenho de seus colaboradores, para que os investimentos necessários sejam traduzidos em resultados”, ressalta Ruivo.
Formar, treinar e acompanhar, dos níveis básicos aos de gestão, no entanto, leva tempo — a previsão é no mínimo cinco anos — demanda custo e pode até siginificar prejuízo pela volatilidade da mão de obra em função do volume de ofertas.
“Os investimentos em treinamentos foram deixados de lado nas últimas duas décadas e agora sofreremos com essa decisão, que na época significou sobrevivência. Agora precisamos de técnicos, muito mais do que profissionais de nível superior e a única alternativa será buscar essa mão de obra no concorrente, o que também se traduz em aumento nas folhas de pagamentos, porque ninguém troca seis por meia dúzia no pleno emprego”, argumenta o presidente.
Neste cenário, as empresas que não estiverem em condições de atrair e reter mão de obra, aparelhadas com ferramentas que indiquem como e quanto pagar, certamente terão problemas, tanto em preencher posições como também em manter seus colaboradores.
O novo momento, por muitos citado como do “apagão da mão de obra”, exige cautela e, principalmente, políticas racionais de gestão de pessoas. Ferramentas como a Pesquisa 2011 de Remuneração e Benefícios on line do Interior Paulista, apresentada no evento de ontem, serão cada vez mais utilizadas pelas neste contexto.
“Essa pesquisa vem sendo realizada há mais de cinco anos ecria a facilidade do gestor tomar decisões seguras para a contratação e retenção de seus colaboradores, utilizando uma ferramenta, acionada por meio de usuário e senha, com acesso a um seguro banco de dados”, explica Ruivo.
A adoção de medidas que equilibrem a rentabilidade das organizações e sua gestão de pessoas, segundo o presidente da consultoria, será essencial em curto prazo.
“A racionalização de processos (administrativos e operacionais) será pauta dos próximos anos. E a revisão de processos para formulação de programas de remuneração, como a implantação de programas de carreiras, que explorem além do trivial júnior, pleno e sênior já existentes, deve contribuir para a diminuição da rotatividade no trabalho”, finaliza.
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Texto: Yara Racy | Fotos: Ibraim Leão
Publicada em 15/07/2011