Novos velhos problemas
Depois do recesso, o ano começa para os vereadores; retomada tem duas “pautas bombas” herdadas dos últimos anos: IPTU e Previdência, que prometem polêmicas em 2019
A Câmara dos Vereadores de Ribeirão Preto iniciou oficialmente os trabalhos do ano de 2019 na terça-feira, 5 de fevereiro, em sessão que elegeu os representante das 21 comissões permanentes e do Conselho de Ética do Legislativo. Essa foi a primeira sessão ordinária do ano, visto que a primeira reunião parlamentar foi convocada no dia 10 de janeiro, em caráter extraordinário. Na sessão extra, que ocorreu durante o recesso, no primeiro mês do ano, os vereadores votaram pela manutenção do desconto do Imposto Territorial Predial e Urbano (IPTU) Verde na cidade. Depois, o projeto foi barrado pela Justiça após recurso do Executivo.
O início movimentado marca mais um ano de queda de braço entre a Câmara e a Prefeitura. Além da necessidade da administração municipal em aprovar de revisões no IPTU, o déficit na previdência municipal também preocupa. Propostas como a imposição de um teto para os aposentados e um novo regime de complementar serão discutidos ainda em 2019.
LIDERANÇAS
O prefeito Duarte Nogueira (PSDB), por sua vez, comemora a escolha do primeiro líder governista na Casa desde a posse da atual gestão, em 2017. André Trindade (DEM) comenta que não teme represálias do plenário, de maioria oposicionista. “Saí da minha zona de conforto para tentar ajudar Ribeirão Preto. Não tenho preocupação eleitoreira. O que eu quero é fazer a cidade andar. Não aceitaremos, também, tudo o que a Prefeitura mandar. Tenho minha autonomia”, afirma Trindade.
Nos bastidores, vereadores dizem que André Trindade pegou uma verdadeira “batata quente” nas mãos. Ser líder governista com tantas pautas polêmicas não será tarefa fácil. Apesar de o democrata manter boas relações com todos, muitas pautas do Executivo não são bem vistas — principalmente em uma câmara com um presidente assumidamente oposicionista.}
O vereador Lincoln Fernandes (PDT), que comandará a Casa em 2019, afirma que faz oposição ao Palácio do Rio Branco desde o primeiro dia em que assumiu o mandato. “Não posso mudar minha postura parlamentar porque cheguei à presidência. Oposição não é ser inimigo, oposição é ser questionador, fiscalizador e ter coragem para ser combativo para melhorar a qualidade de serviços do governo”, argumenta Lincoln.
Texto: Paulo Apolinário | Foto: Pedro Gomes