O Brasil está mais velho
Mudança demográfica das próximas décadas exige ajustes nos sistemas de bem estar social
Definitivamente, o Brasil está se tornando um país mais velho. Não é nenhuma referência aos 513 anos completados em abril, mas sim, ao número de idosos que é crescente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o número de idosos mais que dobrou: enquanto em 1991 o número era de 10,7 milhões, o Censo de 2010 apontou 23,5 milhões de brasileiros com idade acima de 60 anos. O percentual de idosos na população está aumentando. Dados projetados para 2012 apontam que 7,4% da população tem mais de 60 anos. Em 2060, o percentual vai triplicar, atingindo 26,7%.
Essa mudança no perfil da população deverá ser acompanhada de políticas públicas para a saúde da população mais velha e terá impactos na previdência social, segundo a economista Natália Nunes Ferreira Batista, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, FEA-RP. Em 2012, a Previdência Social beneficiou 29 milhões de pessoas e contabilizou, no regime de previdência de quem trabalha no setor privado, um déficit de R$ 42 bilhões. Outros R$ 58 bilhões correspondem ao rombo da previdência do funcionalismo público.
De acordo com a economista da FEA-RP, o governo precisa fazer mudanças constantes na previdência afim de tornar o sistema sustentável. “Como a expectativa de vida está aumentando, o governo precisa acompanhar e fazer ajustes constantes no sistema previdenciário”, analisa.
Segundo Natália Batista, além da expectativa de vida que está aumentando, há outros fatores importantes na equação. O índice de fertilidade é um deles. Em 2013, o índice está em 1,77 filho por mulher. A projeção para 2030 é 1,5 filho por mulher. A taxa decrescente vai influenciar na previdência, pois no futuro, menos jovens irão contribuir para o sistema. “Em alguns países do continente europeu, já há programas de incentivo para as famílias terem mais filhos, o que no futuro representará diferenças importantes na previdência”, conclui a professora. Outro peso importante na previdência é a taxa de informalidade. Se o trabalhador é informal, logo, ele não contribuirá para o sistema previdenciário.
Os impactos do envelhecimento da população não ficam somente na área econômica. A saúde pública também terá que se adaptar à nova realidade. De acordo com o geriatra Dr. André Felipe Junqueira dos Santos, apesar do recente crescimento do percentual de idosos, a saúde pública do país ainda não está preparada para a nova realidade. “O país precisa de uma estrutura para promover o bem-estar desta população”, afirma o geriatra.
A qualidade de vida do idoso não está atrelada somente ao funcionamento do coração ou se ele está andando bem ou não, salienta o médico, está vinculada também a prática de atividades esportivas e a convivência e integração na sociedade.
As adaptações, segundo Dr. André Felipe, passam também pela estrutura física dos hospitais, inadequadas, hoje, e nas próprias residências. “O idoso precisa de um ambiente saudável e que promova sua autonomia”, completa. Com a mudança demográfica o Brasil precisará se adaptar aos novos tempos, se quiser tratar bem dos seus idosos. “As pessoas precisam ter consciência de que o idoso não é um adulto mais velho”, conclui.
Revide On-line
Texto: Brunno Vogah (Colaborador)
Fotos: Arquivo Revide/Arquivo Pessoal