O caminho da prevenção

O caminho da prevenção

O Aconselhamento Genético do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto presta serviços de identificação e prevenção ao indivíduo

Atualmente, estima-se que entre de 5% e 10% de muitos cânceres estejam associados à predisposição hereditária. Nos últimos anos, houve avanços significativos no conhecimento dos mecanismos moleculares que provocam a doença. As descobertas originaram testes moleculares de diagnóstico de predisposição hereditária para diferentes tipos de câncer e estimularam o desenvolvimento de programas de avaliação clínica e aconselhamento genético de famílias em risco. Em 2004, foi estruturado o Aconselhamento Genético de Síndromes de Câncer Hereditário, especializado em serviços preventivos.

Com ambulatório no Hospital das Clínicas (HC) e laboratório no Hemocentro de Ribeirão Preto, o Aconselhamento é um dos poucos no Brasil com completa estrutura. Composto por três frentes — Medicina Genética, Enfermagem e Biomedicina (pesquisas) —, a equipe é atualmente liderada pelo médico geneticista Victor Ferraz, especializado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; por Milena Flória-Santos, enfermeira geneticista, chefe do Departamento de Enfermagem Maternal-Infantil e Saúde Pública da Faculdade de Enfermagem da USP-RP; e por Wilson Araújo Silva Jr., biomédico, professor de pós-graduação da USP-RP e um dos idealizadores do serviço de aconselhamento. Além dos três profissionais, o grupo conta com mais sete membros, entre médicos oncologistas, enfermeiros, professores e biomédicos, além de alunos dessas áreas.

O encaminhamento do paciente para o aconselhamento é feito através da rede pública de saúde (SUS ou Prefeitura), após diagnóstico clínico do médico especialista, com indícios de câncer hereditário. Segundo Victor, fatores simples geram suspeita de câncer hereditário. Um deles é a recorrência de casos na família ou o desenvolvimento da doença na juventude. “Quando o paciente se encaixa em alguma síndrome de câncer hereditário, significa que ele pode passar 50% da predisposição aos filhos, mas não quer dizer, necessariamente, que eles terão câncer”, afirma Victor.

Através de recursos laboratoriais que identificam se há mutação gênica, é possível fazer uma triagem familiar e, consequentemente, a prevenção. “O laboratório se compromete a fazer um acompanhamento desses pacientes, pois o câncer tem elevado índice de cura quando identificado na fase inicial”, completa Wilson. Entre 150 e 200 famílias foram ou estão sendo atendidas desde 2004.

Segundo Wilson, todo câncer é genético, já que a doença representa uma alteração no DNA do indivíduo. “Praticamente todos os tipos de câncer estão englobados na síndrome hereditária, mas apenas 10% desses códigos de predisposição são conhecidos”, explica o pesquisador. O levantamento do histórico familiar e a utilização de testes genéticos permitem a identificação de uma parcela significativa de indivíduos que possuem alto risco de desenvolvimento de câncer.

O envolvimento de uma equipe multidisciplinar tem extrema importância para cada etapa do aconselhamento e para seu efeito global. “Inicialmente, quando é feito o pré-teste, o médico geneticista orienta o paciente sobre os procedimentos que deverão ser feitos e, quando tomada a decisão, sabe de todas as limitações. Algumas síndromes têm prevenção mais agressiva, outras não. Isso precisa ser informado ao paciente”, revela Victor. Outro esclarecimento está ligado ao diagnóstico adequado e seguir com uma frequência ideal dos exames. “Porém, quando o caso chega para teste genético, é preciso saber das implicações e das decisões em relação ao resultado”, explica o geneticista. Neste momento, o respaldo social e ético é fundamental.

Segundo Milena, as famílias dirigidas ao aconselhamento precisam de suporte em diferentes aspectos. “É muito importante que este auxílio seja oferecido. Outro ponto fundamental é estabelecer  uma comunicação direta para informar corretamente esses pacientes para que tomem as decisões adequadas”, diz a enfermeira. Informações: (16) 3602.2598.

Atente-se
Alguns sinais de alerta podem ser úteis na identificação de portadores de síndromes de câncer hereditário

No indivíduo
- Tumores primários múltiplos
(no mesmo órgão ou em
órgãos diferentes)
- Tumores bilaterais em órgãos pares
- Tumores multifocais
- Diagnóstico de câncer em
idade precoce
- Tipo histológico raro
- Tumor em indivíduo de sexo
normalmente não afetado
- Tumor associado com defeitos congênitos
- Tumor associado com lesões
precursoras herdadas
- Tumores associados a lesões
cutâneas relacionadas às síndromes

Na família
- Dois ou mais familiares de primeiro grau com tumores na mesma
localização ou tumores relacionados
- Dois ou mais familiares de primeiro grau com tumores raros
- Dois familiares em duas gerações com tumores da mesma localização ou relacionados
- Evidência de transmissão
autossômica dominante
- Constelação de tumores característicos de uma síndrome específica

Com o compromisso de:

                                                        

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