O déficit de iniciativas

O déficit de iniciativas

Topografia de buraco e falta de árvores contribuem para sensação de abafamento em Ribeirão Preto

A insuficiência de áreas verdes públicas e particulares — espaços urbanos livres de edificação e com presença considerável de vegetação e solo permeável — representa um grave problema para a qualidade de vida dos 605 mil habitantes (IBGE/2010) de Ribeirão Preto, apesar disso, não existem políticas públicas expressivas ou ações da sociedade civil organizada para solução desse problema.

A cidade possui uma topografia tipo “panela” (está situada em um buraco) e isso contribui para a sensação de abafamento vivenciada, principalmente, nos dias de verão, quando a temperatura média ultrapassa os 33º C. Para piorar, os índices de arborização são insatisfatórios.

Além de oferecer sombra, as árvores fazem a oxigenação do ar e aumentam a umidade devido à evapotranspiração foliar, ainda reduzem a intensidade de ruídos e da poluição do ar, melhoram o solo, diminuem o impacto da água da chuva, contribuem para a manutenção da fauna e criam espaços de sociabilização. Vem daí a importância de preservar espaço na frente ou nos fundos das construções para o plantio.

A Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) recomenda 15 m² por habitante de área verde pública. No município, segundo dados da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), este índice chega a 27 m² de área verde/habitante, calculado segundo critério e metodologia do Programa “Município Verde Azul”, do Governo do Estado de São Paulo. Ainda assim, há quem conteste esse percentual, afirmando que o cálculo se baseia em uma média total do território de Ribeirão Preto, uma área de aproximadamente 650 km², desconsiderando enormes vazios vegetativos em zonas urbanas de alta concentração populacional. “O índice de 27 m²/hab de área representa área verde constituída/formada e não as em forma ção, ou seja, os plantios recentes. Exclui-se desse total as áreas verdes das calçadas, e Áreas de Preservação Permanente (APPs) não constituídas, ou seja, que não possuam árvores. O número foi fiscalizado e auditado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente”, argumenta a secretária municipal do Meio Ambiente, Mariel Silvestre.

Na zona oeste, por exemplo, onde estão as mais altas concentrações verdes da cidade, a taxa populacional é menor. O resultado para quem vive em bairros como o Jardim Recreio, é uma sensação térmica de 4º C a menos do que nas demais regiões da cidade. “O Campus da USP é uma das maiores áreas verdes contínuas da cidade, com 189 hectares, correspondendo quase a 20% da reserva total do município”, diz o professor do departamento de biologia da USP-RP, Milton Groppo.

Segundo o ex-diretor de Gestão Ambiental da SMMA, Edmur Manfrim, os projetos existentes não são executados corretamente por falta de condições técnicas e estruturais, pois as áreas verdes recompostas requerem manutenção (água, poda e eliminação de pragas). “O Cobertor Verde foi um projeto de recuperação de áreas degradadas e conservação das existentes que contava com a participação popular, entre elas, entidades civis e religiosas. Além de contribuir com o meio ambiente, complementava as aulas de educação ambiental, pois escolas públicas participavam e palestras eram proferidas antes do plantio. O início do projeto foi feito na Zona Leste, com intuito da proteção do Aquífero Guarani, no entanto, abrangia todo o município e, com ele, reforçávamos várias áreas (como a Via Norte) consideradas Áreas Verdes Públicas (AVPs), mas onde faltam árvores. Infelizmente, todos esses projetos estão parados na Prefeitura”, aponta Edmur.

Segundo dados da SMMA, no período de setembro de 2010 a março de 2011 foram plantadas na área urbana do município de Ribeirão Preto 16.530 mudas, em AVPs e APPs. O programa divulgado pela secretaria atualmente é o “Vamos Arborizar Ribeirão Preto” que, segundo Mariel, encerrou o levantamento de informações técnicas de AVPs na zona Leste.

“Foi um trabalho de campo de mais de dois meses. Agora, criaremos um cronograma de plantio de 10 mil mudas até março/2012. Atualmente, a equipe de campo está realizando o mesmo levantamento nas AVPs da zona Sul, em seguida virão as zonas Oeste e Norte”, afirma a secretária.

Fora essas iniciativas públicas, há algumas atuações voluntárias esporádicas de cidadãos e outras, de particulares, vinculadas ao licenciamento ambiental para o loteamento de novas áreas. Ainda assim, há bairros novos da cidade onde a falta de árvores chega a ser assustadora, caso do Jardim Paulo Gomes Romeo inaugurado recentemente e praticamente sem nenhuma área verde.

CONTEÚDO EXTRA

Município Verde

De acordo com o programa Município Verde Azul, do governo do Estado de São Paulo, a quantidade de vegetação varia com a condição climática, topográfica e hidrológica da região. A média ideal seria 72 m²/hab, considerando a biomassa da copa e levando-se em conta o índice fotossintetizante.

A meta da SMMA é alcançar 100 m²/ hab e há trabalhos feitos nesse sentido, mas ações, tanto públicas quanto civis, são escassas e sem continuidade. É o caso de programas de plantio como o "Cobertor Verde", implantado em setembro de 2009 pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em parceria com a Secretaria Municipal da Educação, e do "Projeto Onda Verde Ambiental", lançado em junho de 2010 numa ação integrada das secretarias municipais do Meio Ambiente e da Infraestrutura.

Em 2008, a SMMA publicou uma cartilha que ensina a forma correta de plantio nas diferentes áreas urbanas (vias públicas, calçadas, etc). Quem quiser tomar uma "atitude verde", pode conferir a cartilha no endereço eletrônico https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/smambiente e pegar mudas no Horto Municipal.

Segundo informações do site da prefeitura, o Viveiro de Mudas tem capacidade atual de produção de mudas para arborização urbana e reflorestamento ciliar de aproximadamente 120.000 mudas/ano.

É permitido ao público acesso a um espaço reservado para escolha da árvore ideal para ser plantada nas calçadas e no local o munícipe também recebe orientações técnicas para o plantio. As mudas são gratuitas.


Solicitação de mudas

Os pedidos para entregas de até 03 mudas podem ser feitos diretamente ao Horto Municipal.

Os pedidos de entrega de mudas acima de 03 devem ser feitos à Divisão de Áreas Verdes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Os pedidos de mais de 20 mudas dependerão de análise da Divisão de Áreas Verdes, quanto ao local para o plantio, bem como projeto técnico para execução do plantio e manutenção do mesmo. Nestes casos, o plantio somente pode ser feito com aprovação de projeto técnico em parceria com a Prefeitura de Ribeirão Preto.

Fica lançada, assim, a ideia da ação voluntária por uma Ribeirão mais verde.

Município Verde

De acordo com o programa Município Verde Azul, do governo do Estado de São Paulo, a quantidade de vegetação varia com a condição climática, topográfica e hidrológica da região. A média ideal seria 72 m²/hab, considerando a biomassa da copa e levando-se em conta o índice fotossintetizante. A meta da SMMA é alcançar 100 m²/ hab e há trabalhos feitos nesse sentido, mas ações, tanto públicas quanto civis, são escassas e sem continuidade. É o caso de programas de plantio como o "Cobertor Verde", implantado em setembro de 2009 pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em parceria com a Secretaria Municipal da Educação, e do "Projeto Onda Verde Ambiental", lançado em junho de 2010 numa ação integrada das secretarias municipais do Meio Ambiente e da Infraestrutura.

Em 2008, a SMMA publicou uma cartilha que ensina a forma correta de plantio nas diferentes áreas urbanas (vias públicas, calçadas, etc). Quem quiser tomar uma "atitude verde", pode conferir a cartilha no endereço eletrônico https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/smambiente e pegar mudas (até três por cidadão) diretamente no Horto Municipal. Acima desse número é preciso solicitar à Divisão de Áreas Verdes da SMMA. Fica lançada, assim, a ideia da ação voluntária por uma Ribeirão mais verde.

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