O dinamismo das micro e pequenas empresas
De acordo com os dados do Sebrae de Ribeirão Preto, as micro e pequenas empresas representam 99,8% do total de estabelecimentos da cidade
Texto: Pâmela Silva | Fotos: Carolina Alves e Ibraim Leão
Ilustrações e diagramação: Lucas Chaibub
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Em um grupo de dez pessoas, pelo menos a metade já pensou ou ainda pensa em se tornar um empreendedor de sucesso. Seguir os sonhos, enfrentar as dificuldades, empreender e, principalmente, manter um negócio ainda é um grande desafio para muitos deles. Entretanto, este objetivo está cada dia mais fácil de ser alcançado, já que atualmente existem inúmeros projetos que auxiliam os pequenos e micro empreendedores a colocarem suas ideias em prática.
De acordo com os dados do Sebrae de Ribeirão Preto, as micro e pequenas empresas representam 99,8% do total de estabelecimentos da cidade, sendo de fundamental importância para fomentar o desenvolvimento e para contribuir para o avanço econômico do município. “Maioria de uma região, as micro e pequenas empresas são importantes geradores de emprego e de circulação de dinheiro no município”, explica o gerente regional do Sebrae de Ribeirão Preto, Rodrigo Matos do Carmo.
Segundo os cálculos do órgão, só no ano passado, o Sebrae atendeu mais de dez mil empresas, que atualmente contam com o auxílio de profissionais para continuar o projeto de forma segura. “Conseguimos diminuir a mortalidade empresarial nos primeiros anos e fortalecer a gestão das empresas por meio de projetos setoriais, como médico-hospitalar, metal mecânico, comércio de confecções, entre outros”, acrescenta o gerente.
O economista da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), Fred Guimarães, acredita que o incentivo à proliferação das micro e pequenas empresas na economia da cidade é fundamental para criar um ambiente de negócios saudável, diversificado e com nível de formalização elevado. “O estímulo ao empreendedorismo fortalece a economia do município, incrementa a geração de empregos e cria um espírito desafiador nas pessoas. A ideia investir em uma pequena empresa, trabalhar todos os dias pela consolidação do negócio no mercado é razão suficiente para se qualificar no mercado de trabalho”, esclarece Fred.
Formada em administração de empresas e disposta a integrar a lista dos empreendedores de sucesso, Lucia Helena Borges dos Santos iniciou a carreira vendendo ovos de Páscoa e roupas de fabricação própria. Depois, atuou como administradora da empresa do marido e, vendo de perto a queda do mercado, resolveu se preparar para iniciar um negócio próprio. “Sempre fui empreendedora. Quando comecei como vendedora, tentei inovar para me destacar e atender melhor ao cliente. Depois de anos de trabalho, decidi iniciar um negócio totalmente diferente. Então, aos 50 anos de idade, matriculei-me no curso de eventos e abri a Sequoia Eventos”, lembra.
Essenciais para a economia regional, os pequenos negócios têm sido alvos frequentes de políticas específicas para facilitar a sobrevivência, como, por exemplo, a Lei Geral para Micro e Pequenas Empresas, que garante facilidades tributárias, como o Super Simples. O Governo Federal também anunciou que está trabalhando para a criação de um ministério para os micro e pequenos empreendedores. “O objetivo é consolidar políticas públicas voltadas para as MPEs, o que é bom. Seria importante que as prefeituras também tivessem suas secretarias direcionadas às MPEs ou, pelo menos, uma diretoria voltada para elas”, argumenta o gerente do Sebrae.
Além disso, os novos empreendedores ainda contam com programas e projetos regionais que visam ao fortalecimento o desenvolvimento das micro e pequenas empresas da cidade, como o programa Movimento Empreendedor, a Sala do Empreendedor e o Programa Empreender, que trabalham para auxiliar e atender ao futuro empreendedor. “Esses programas são benéficos, pois a gestão de uma empresa é uma atividade complexa, que envolve o conhecimento de variáveis diversas”, argumenta Fred. Para o economista, a grande vantagem está em criar a cultura do planejamento e da realização de projetos que vislumbrem um rumo de segurança na condução do negócio.
Ribeirão Preto também possui inúmeras formalizações através do Micro Empreendedor Individual (MEI), o que auxilia na redução da informalidade. “Agora, nosso desafio é fazê-los crescer e prosperar. Temos também muitas empresas concentradas no comércio e no setor de serviços, que estão crescendo rapidamente”, revela Rodrigo.
Há três anos no mercado de eventos, Lucia revela que iniciou a Sequoia Eventos através do MEI. “O primeiro passo foi minha atualização profissional. Depois, pesquisei as possibilidades e encontrei os eventos corporativos como meu nicho de mercado. Busquei informações sobre as questões legais e descobri o MEI, nova categoria que me possibilitou iniciar a empresa com custo praticamente zero”, relatou. Mesmo com essa facilidade, é necessário que o futuro empreendedor trace um plano de negócio simples, mas objetivo, que mostre como a empresa irá funcionar. Além disso, conhecer o local, conversar com empresários do ramo e com os possíveis clientes são passos importantes para conquistar um lugar no mercado.
Para dar vida a uma empresa, é importante abrir o leque e expandir as ideias. À frente da Atlas Brasil, Marcos Coró é um empreendedor nato. O empresário iniciou sua história com uma empresa de consultoria em 1979 e, desde então, vem construindo uma trajetória de sucesso. “Com muito trabalho, consegui conquistar meu espaço nos negócios. Atualmente, tenho quatro empresas, e não paro de tentar melhorar cada uma delas diariamente”, acrescenta.
Segundo Coró, para se tornar um empreendedor, é necessário unir as três pontas de um triângulo: o saber, o saber fazer e o fazer. “Se tornar um empreendedor não é muito difícil, mas, para isso, é preciso equilibrar esse triângulo. Isso já é um bom começo para formar um empreendedor de sucesso”, orienta o empresário.
A persistência, inclusive financeira, é um dos quesitos mais importantes. Na opinião de Coró, investir tempo e recursos é imprescindível para virar referência no mercado. “Ao ver a falta de empreendedorismo resolvemos, através da Atlas, levantar da cadeira e auxiliar outras empresas. Hoje, ‘criamos’ empreendedores”, avalia.
O aumento de micro e pequenos empresários reflete em maior formalização e em tributos para o município, novas vagas de emprego e prestação de serviços com garantias ao consumidor, através da emissão de notas fiscais. Assim, o mercado se torna mais profissional, característica que melhora a qualidade dos serviços a longo prazo, já que a concorrência exigirá eficiência. “Devemos ganhar em produtividade com profissionais mais ágeis, técnicos e éticos”, argumenta Fred.
Programas em Ribeirão Preto
Movimento Empreendedor: este projeto conta com a colaboração do escritório regional do Sebrae, da ACIRP, do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (SINCOVARP) e Casa do Contabilista, que trabalham em conjunto para auxiliar no desenvolvimento das micro e pequenas empresas de Ribeirão Preto. O programa promove ações para diversos públicos do comércio varejista, de serviços e de indústrias, além de visitas às empresas para divulgar a programação dos eventos.
Sala do Empreendedor: inaugurada em 2010, a sala informa os empreendedores sobre as vantagens e os benefícios de sair da informalidade. No local, é possível solicitar emissão da Inscrição Municipal do Contribuinte, declarar o faturamento anual, receber orientações sobre abertura, alteração e encerramento da empresa na Prefeitura, na Junta Comercial e na Receita Federal, além de participar de cursos gratuitos de gestão no Sebrae. Seu diferencial está no atendimento integral do futuro empresário por reunir, em um só local, profissionais de várias secretarias, possibilitando aos microempreendedores facilidade no contato com as áreas responsáveis.
Programa Empreender: busca facilitar o desenvolvimento e o fortalecimento das micro e pequenas empresas através do associativismo. Contando com a colaboração de um agente de desenvolvimento local da ACIRP e com 14 núcleos setoriais organizados, empresários do mesmo segmento se reúnem periodicamente para compartilhar problemas comuns e buscar soluções em comum.
Como fazer dar certo
Em meio às melhores percepções do empreendedorismo, as pessoas entendem que ter um negócio próprio é assumir responsabilidades. Confira algumas estratégias para ter um negócio próprio.
1 - Pesquise antes de decidir qual será o seu negócio. Saber o que já existe no mercado vai definir quais serão os diferenciais da nova empresa.
2 - Planeje montando um plano de negócios para saber a viabilidade da empresa, quais serão os investimentos, metas e como serão alcançadas.
3 - Calcule: considere todos os investimentos necessários para abrir o negócio e mantê-lo. Quais os custos fixos e variáveis e a previsão de ganho nos meses iniciais.
4 - Divulgue para os clientes potenciais utilizando sua rede de relacionamentos em busca dos primeiros clientes.
5 - Atenda bem e agregue serviços. Um bom atendimento pode ser um grande diferencial de uma empresa.
Tire as ideias do papel
Uma pesquisa sobre empreendedorismo nas universidades, realizada pela Endeavor Brasil, revela que seis em cada dez universitários brasileiros querem empreender. A confiança é superior em até 10% para os que cursam disciplinas ligadas a empreendedorismo ou participam de entidades estudantis, como empresas juniores. Em Ribeirão Preto, algumas instituições de ensino já incluíram o tema na grade curricular.
Aproveitar o tempo livre e investir em cursos rápidos também é uma boa iniciativa. Várias faculdades oferecem treinamentos e palestras que também favorecem o networking. Entre os cursos mais procurados estão Gestão de Vendas, Administração Financeira, Marketing, Estratégias nas Redes Sociais e Criação de Negócios Inovadores. “Investir em inovação e treinamentos é importante, pois agrega conhecimento teórico ao prático. O Sebrae também oferece treinamento, palestra e consultorias para empresários, além de orientação para quem quer iniciar o próprio negócio”, ressalta Rodrigo.
Prepare-se
Centro Universitário Barão de Mauá: Curso de Capacitação em Empreendedorismo e MBA em Gestão da Micro e Pequena Empresa
UNAERP: Pós-graduação – Educação a Distância (EAD) — em Gestão Estratégica de Micro e Pequenas Empresas
Moura Lacerda: MBA em Gestão Empreendedora e Criação de Novos Negócios
FAAP: Pós-graduação em Gestão Empresarial