O esperado e temido 2012
O ano de 2012 se aproxima mergulhado em discussões apocalípticas, profecias de povos antigos e opiniões de sinais positivos e de esperança
O ano de 2012 está em evidência, relacionado ao fim do mundo, e se tornou o centro das atenções dos esotéricos. Segundo o calendário Maia, o próximo ano é a chave para muitas mudanças e está associado ao fim de um ciclo. Para muitos esse final está inteiramente ligado à destruição da humanidade por uma série de eventos terríveis e de cunho catastrófico. Para outros, fica subentendido o fim da humanidade, como ela é hoje, dando início a um novo tempo de humanidade e espiritualidade do homem.
O que se pode afirmar, com certeza, é que há muito mistério envolvendo essas teorias. O ano de 2012 será – de acordo com pesquisadores, astrólogos e terapeutas – um ano de transformações, onde as probabilidades estarão mais destinadas a cumprir a missão de 2011. Segundo o terapeuta holístico Betho Junior, tudo o que tende a ocorrer ao longo do próximo ano significa uma grande explosão espiritual devido às conjunções planetárias e as transformações voltadas às cobranças espirituais. Além disso, a numerologia explica que 2012 será um ano ímpar, que correspondente à soma dos números 2+0+1+2 = 5.
“Por ser um ano 5, será um ano de grandes e consideráveis mudanças na vida das pessoas. Mudanças inevitáveis e necessárias e que será tolice lutar contra elas”, explica Betho Junior. O terapeuta holístico afirma também que 2012 será um ano bom para quem plantou boas sementes ao longo de 2009, 2010 e 2011 e ruim para quem plantou sementes ruins nesses últimos três anos.
Entretanto, se 2012 tende a ser um ano de transformações e consequencias, por qual razão se tornou o centro de discussões apocalípticas? Quem explica essa teoria é o historiador Adilson Silva Ramachandra, editor do Grupo Editorial Pensamento, de São Paulo. “[O ano] 2012, para os Maias, é um ano marcado em seu calendário de longa duração como o fim de um ciclo, o fim do Quinto Sol e o início de um Sexto Sol, que se inicia no ano de 3113 a.C e termina em 21 de dezembro de 2012”, afirma.
Com a virada do milênio, novas pesquisas relacionadas ao calendário Maia e ao ano de 2012 surgiram, além de documentários sobre as sete profecias Maias e outras produções que, nos últimos anos, viraram manias em canais de televisão. O assunto permeou dezenas de novas obras literárias e das páginas para as telas foi apenas um salto.
“Foi um passo natural na divulgação do assunto, se tornar roteiro de filme catástrofe produzido em Hollywood ou tema de programas populares, abordado de forma superficial e sensacionalista”, argumenta o historiador. Segundo ele, a forma com que a televisão abordou o assunto ocorreu de forma completamente distorcida, o que fez com que 2012 caísse na berlinda das discussões apocalípticas.
Quem não se lembra da profecia de Nostradamus (1503 – 1566), ao afirmar que o apocalipse se daria entre 1999 e 2000? O equívoco desse profeta embala muitas discussões, em sua maioria, de que a profecia Maia também será um alarme falso em dezembro de 2012. Com relação a isso, as opiniões dos entendedores do assunto são semelhantes.
Betho Junior explica que o ano 2012 se tornou alvo de vários comentários desastrosos, inclusive pelo fato de ser tachado como o fim dos tempos, mas de que vai haver outras transformações no decorrer do ano. “Acontecerão mudanças regidas pelos astros, planetas, energias e conjecturas estabilizadas pelo plano espiritual e não na questão material. Muito tem se dito a respeito em várias épocas, mas o homem prefere analisar de modo apocalíptico e não com o devido respeito humano da palavra”, opina.
Adilson observa também que não se trata de uma profecia, mas sim do fim de um ciclo, assim como o calendário Maia alega. “É o fim de um ciclo astronômico e o início de outro, portanto, ocorrerá aquilo que ocorre em grandes fins de ciclo, transformações físicas gerais, como também na consciência humana”, diz.
Quanto ao fim do mundo em 2012, muitas pessoas acreditam que esse ainda não seja o ano final. Ao contrário disso, a humanidade ainda crê num final bom, de paz e esperança para todos. Assim espera a fisioterapeuta Andresa Bianchi Ferreira, moradora da capital paulista. Com muito humor, ela se diz descrente no fim do mundo e destaca a evolução do homem. “Não acredito que o planeta Terra irá acabar. Porém, se acabar, não tem problema, pois já estão vendendo viagens para Marte”, brinca.
Já o professor de idiomas Orlando José Ribeiro dos Santos afirma não acreditar em qualquer tipo de profecia relacionada ao fim do mundo, embora respeite a crença de quem acredita. Para o morador de Ribeirão Preto, o ano de 2012 está cheio de expectativas boas. “Desejo saúde e disposição para aproveitar as oportunidades de trabalho que virão em 2012, além dos planos de fazer um curso de especialização em inglês no exterior”, enfatiza.
Para Janaína Domingues, 2012 chegará cheio de energias positivas e, como todo início de ano, deve servir ao propósito de reflexão sobre o que passou. “Um novo ano é sempre bom para pôr em prática coisas inacabadas, pois o brasileiro tem o péssimo hábito de começar e não terminar as coisas”, afirma a administradora de empresas.
Na opinião de Janaina, é errado pensar na destruição do mundo de uma vez só, pois isso já vem ocorrendo pela ação do homem. “Acho que isso [fim do mundo] já está acontecendo gradativamente, e somos nós mesmos que estamos fazendo isso, com tanta imprudência, com tanta criminalidade e com tanto desrespeito ao meio ambiente”, afirma.
As sete profecias Maias
Os antigos povos Maias – habitantes do sul do México e da América Central –, eram observadores do universo e, por consequência disso, grandes astrônomos. Com base em seus estudos, os Maias previram que, tendo como ponto inicial a civilização maia (3.113 a. C.) até o final de ano de 2012 d.C., o sol emanaria raios mais intensos ao planeta Terra. Desta forma, eles descobriram que o Sistema Solar se encontra no cruzamento entre duas galáxias, no qual as três galáxias irão se alinhar em 2012 e receberão um fluxo máximo de energia solar.
Ao fim de tudo, os Maias registraram em seu calendário que 2012 seria o fim de um ciclo, e, a partir de então, calcularam sete profecias para o acontecimento cósmico. São elas:
Primeira profecia Maia
Diz que o mundo materialista, hediondo e possuído pelo medo irá terminar num sábado (22/12/2012), o que implica numa escolha: desaparecer como espécie racional ou evoluir com todo o universo.
Segunda profecia Maia
Após o eclipse solar de 11 de agosto de 1999, a humanidade teria todo o seu comportamento modificado. A partir desse eclipse, os Maias entenderam que o homem perderia o controle das emoções.
Terceira profecia Maia
Afirma que uma imensa onda de calor aumentará a temperatura da Terra e modificará as ações da Natureza.
Quarta profecia Maia
As ações do homem contra a Natureza aliadas a um maior poder do sol causarão o derretimento dos polos e aumentarão o nível dos oceanos. Com o sol numa maior atividade, os ventos ficarão mais intensos e ocorrerão maiores erupções vulcânicas.
Quinta profecia Maia
Diz que a civilização regida pelo medo dará lugar a uma transformação simultânea, surgindo uma nova realidade.
Sexta profecia Maia
Ressalta que um cometa entrará na rota da Terra e colocará a humanidade em perigo.
Sétima profecia Maia
Desde o eclipse solar de 1999 até 2012, uma luz emitida do Sistema Solar combina todos os tipos de vida na Terra e permite uma evolução interna, o que irá produzir uma nova realidade.
Superstição, ajuda ou atrapalha?
Segundo o dicionário, “superstição” é um desvio do sentimento religioso, fundado no temor ou na ignorância, e que empresta caráter sagrado a certas práticas destituídas de qualquer transcendência. Em outras palavras, superstição é uma crendice e o fim do mundo, muito se relaciona com este tipo de crença.
Com a proximidade de mais uma virada de ano, a superstição vem à tona nesse período, ainda mais se tratando de que o ano seguinte é acreditado como o possível ano do Apocalipse. Para Betho Junior, a superstição não ajuda e também não atrapalha, já que se manifesta para colocar limites no ser humano. Adilson Ramachandra, por sua vez, afirma que ser supersticioso não é bom, pois atrai perturbações e impede a pessoa de ver a verdade ligada ao fato.
Para começar 2012 com o “pé direito”, como se diz, sem muito acreditar no fim da humanidade, basta – antes de tudo – respeitar o direito do próximo e não ultrapassar os limites da igualdade, bem como se conectar com o mais íntimo de nossa própria consciência, mesmo 2012 sendo o fim de um ciclo, conforme prevê a astrologia.
Francisco de Oliveira Cano tem 25 anos, é graduado em Relações Internacionais e se diz bastante supersticioso. De acordo com o brasileiro, que atualmente vive em Madri, tudo o que está relacionado com mistério e misticismo lhe chama a atenção. “Acredito que muitas “superstições” são verdadeiras e podem influenciar a nossa vida. Um bom exemplo é a lua. Se está provado cientificamente que a lua influencia as marés nos oceanos, por que não influenciaria nossas vidas também?”, afirma.
Para Francisco o ano de 2012 será marcado pelo fim de uma era, assim como fala o calendário Maia, e acreditando nos resultados da numerologia, observa a data mais esperada 21/12/2012. “Se somada esta data, temos o número 2, que fala justamente sobre a cooperação, adaptabilidade, super sensibilidade, união, receptividade, equilíbrio e amor. Acho que o final de 2012 será marcado de maneira mais intensa pela nossa busca espiritual”, finaliza.
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Texto: Fernando Belezine (colaborador)
Fotos: Ibraim Leão e divulgação