O interlocutor da campanha
A exemplo do que ocorreu em 2002, o deputado federal Antonio Palocci foi convocado para ser o interlocutor da campanha da pré-candidata do PT com o empresariado
Em 2002, na época em que era prefeito de Ribeirão Preto, Palocci foi chamado pelo então candidato Lula para coordenar o programa de governo da sua campanha à presidência. Com a vitória, comandou a equipe de transição do novo governo. Mesmo não sendo economista, foi escolhido por Lula para ocupar o Ministério da Fazenda onde adotou uma política que visava ao superávit primário e o combate à inflação.
Apesar de algumas conversas e especulações para que fosse o candidato do partido ao governo de São Paulo nesta eleição, o deputado optou por concorrer à re-eleição. Na condição de candidato a deputado federal e coordenador de campanha, Palocci desempenhará papel semelhante em favor de Dilma Roussef, fazendo a interlocução da candidata do PT, principalmente, junto ao empresariado nacional. Palocci integra o comando da campanha por uma decisão do presidente Lula e de Dilma Roussef e será uma espécie de âncora para a iniciativa privada.
Para vários empresários que representam setores da economia nacional, a presença de Palocci significa uma referência de bom senso entre os dirigentes do Partido dos Trabalhadores, mas o deputado não quer ficar com a fama de especialista na intermediação das reivindicações do empresariado para o governo.
Em entrevista, o empresário gaúcho Jorge Gerdau recorreu a uma citação bíblica para contextualizar a importância e a influência de Palocci na formação de um novo governo petista. “Diga-me com quem tu andas e te direi quem tu és”, declarou Gerdau, acrescentando que a participação de Palocci no comando da campanha acalma os ânimos do mercado.
Empresários como o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, comungam da mesma visão e veem o ex-ministro da Fazenda como um avalista do programa econômico, um político com histórico de interlocução, flexibilidade e abertura que a iniciativa privada espera encontrar no novo governo, em caso de vitória nas próximas eleições.
Apesar de essa função ser a mais destacada pela mídia, Palocci possui boas relações no Congresso e com os partidos de oposição, incluindo nessa lista o pré-candidato à presidência do PSDB, José Serra, que algumas vezes elogiou publicamente a atuação do ex-prefeito de Ribeirão Preto à frente da política econômica do governo do Lula.
Desde que assumiu essa função de coordenador de campanha, Palocci conversa quase que diariamente com a ex-ministra sobre a agenda, encontros com empresários e não negocia nada sem antes consultar Dilma. Sua atuação é no sentido de encontrar ponto de equilíbrio até mesmo nas questões mais espinhosas.
Desde que foi convocado, Palocci administra uma jornada dupla de deputado e coordenador da campanha. Entre as suas diversas atribuições, negocia o futuro programa de governo de Dilma Roussef com os aliados do PMDB. O deputado sabe que a montagem de uma plataforma de campanha é uma tarefa complicada que exige ponderação para obter o equilíbrio das forças que compõem a aliança de partidos que vai apoiar a candidata.
Novata em disputas eleitorais, a candidata Dilma Roussef tem aproveitado a experiência dos companheiros de partido, entre eles, o próprio presidente Lula. Um dos fundadores do PT, em 1980, Palocci participa de campanhas eleitorais desde 1988, foi duas vezes prefeito de Ribeirão Preto, deputado estadual e federal por duas vezes.