O interlocutor da transição
Holofotes novamente se voltam ao político que nos bastidores participou ativamente da articulação da campanha da candidata eleita: Antonio Palocci Filho
Poucos dias após o pleito que elegeu Dilma Rousseff à cadeira majoritária do Executivo, os holofotes novamente se voltam ao político que nos bastidores participou ativamente da articulação da campanha da candidata eleita: Antonio Palocci Filho.
Conhecido como um homem comedido, de muita discrição, o ex-ministro da Fazenda não passou despercebido pela mídia nacional, que já especula e tenta prever o papel que o ribeirãopretano terá na administração petista, a partir de janeiro de 2011.
Por mais diferentes que sejam as tendências e visões dos veículos de comunicação a respeito do ex-ministro, todos concordam que caberá ao médico sanitarista, já designado pela presidente eleita como homem responsável pela transição entre os governos Lula e Dilma, uma das concorridas vagas do primeiro escalão do governo no ano que vem.
A revista “Isto É Dinheiro”, de 10 de novembro, traz uma edição especial que tenta traçar o cenário nacional a partir da vitória de Dilma nas urnas. Com a matéria “Qual será o poder desse homem?”, deixa clara a importância crescente de Palocci aos olhos da presidente eleita. O economista Milton Gamez já vislumbra, entre as expectativas que rodeiam o ex-ministro para o próximo mandato, o papel de avalista que desempenhou quando Lula assumiu pela primeira vez a presidência da República, em que aplacou os temores dos financistas em relação à suposta política econômica heterodoxa dos petistas. Em contato com homens fortes da economia, Palocci tem conseguido dirimir as dúvidas existentes no setor econômico em relação ao futuro governo de Dilma Roussef.
Segundo a revista, a aposta mais forte dos políticos de Brasília para o destino de Palocci é a Casa Civil, mas não se descarta o Ministério da Saúde, sobretudo como estratégia para evitar que, ao assumir o Ministério mais nevrálgico e com maior poder de decisão em relação aos demais, o político possa ofuscar a força da própria presidenta eleita, sem mencionar que pela própria trajetória de José Serra (PSDB), concorrente de Dilma ao cargo majoritário do Executivo no último pleito, o Ministério da Saúde ainda favorece a popularidade, ao trazer o ônus dos ataques aos quais estão sempre sujeitos os ministérios da Casa Civil e da Fazenda.
A revista “Veja”, que circulou no mesmo dia, expande o leque de possibilidades para Antonio Palocci em relação ao próximo governo: destaca que o nome do político é cotado para os ministérios das Relações Institucionais, da Saúde e para a Secretaria Geral da Presidência. A revista define Palocci como “a chave mestra do governo Dilma”.
A revista “Isto É”, também do dia 10 de novembro, estampa Palocci na capa, com a chamada “O Homem Forte da Transição”, definindo o coordenador desse período, nas páginas internas, como “O Senhor da Credibilidade”. A transição de governo, iniciada em 8 de novembro, põe nas mãos do grupo do qual Palocci participa as missões de coordenar a comissão técnica que cuidará da transição de governo; avaliar as atuais políticas dos ministérios para garantir a continuidade das ações ou as correções necessárias; traçar as ações prioritárias para os quatro primeiro meses do governo Dilma; evitar que cargos nos ministérios e empresas estatais sejam loteados entre partidos aliados e criar uma via de comunicação positiva do governo com os demais setores da sociedade, sobretudo com o empresariado.
Entre as justificativas da revista “Isto É” para o crescimento de Palocci no cenário político brasileiro atual está o fato de, no meio empresarial, seu nome ser considerado “quase uma unanimidade”, gozando da mesma credibilidade nos mais variados setores, desde o mercado de capitais até as alas mais radicais da oposição como as de sindicalistas. A matéria foi respaldada em entrevista realizada com 30 personalidades que são referência em diversos segmentos. Os resultados foram considerados espantosos, uma vez que o homem forte da transição acumulou críticas positivas até de políticos da oposição.
Trajetória política
Como grande parte dos profissionais da classe, Palocci ingressou na política ainda no período estudantil. Foi vereador de Ribeirão Preto em 1989 e 1990, deputado estadual de 1991 a 1992 e prefeito do município de 1993 a 1996. Neste mesmo ano, seu trabalho de apoio às micro e pequenas empresas foi reconhecido, e Palocci foi contemplado com o prêmio Juscelino Kubitscheck. Um ano antes, já havia recebido o prêmio Criança e Paz em reconhecimento à sua atuação em benefício da infância. Em 1998, assumiu novamente uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em 2000, esteve à frente do Executivo ribeirãopretano pela segunda vez, de onde saiu para realizar a transição entre os governos Fernando Henrique e Luiz Inácio Lula da Silva. Em janeiro de 2003, assumiu o Ministério da Fazenda, onde permaneceu até 2006. Em 2008, foi eleito novamente deputado federal.
Liderança
“A presença do Palocci no governo federal é extremamente importante para Ribeirão e para o Brasil. Além de conhecer bem nosso país, tem intimidade com a cidade e participa de forma muito positiva na busca de soluções. Mesmo sendo uma prefeita de partido de oposição ao governo federal, sempre fui bem tratada em Brasília em todos os ministérios. A liberação dos 52 milhões para obra de combate a enchentes só foi possível graças ao seu empenho pessoal em colocar um assessor para acompanhar passo a passo cada fase da documentação. Sou testemunha disso e agradeço em nome da cidade, que vinha sofrendo há 80 anos com constantes enchentes. A presidente Dilma terá um grande líder ao seu lado, que a ajudará a conduzir o país rumo ao desenvolvimento. Ribeirão Preto terá um grande filho abrindo portas para nossa cidade.”
Dárcy Vera, prefeita de Ribeirão Preto
Equilíbrio
“Palocci representa equilíbrio e bom senso em uma eventual participação no governo Lula. Seu trânsito com os diversos setores da sociedade o faz um político incomum. Sua inabalável credibilidade junto à comunidade internacional o torna único entre
os vários homens públicos brasileiros. Torço para que Palocci ocupe uma posição de relevância no governo Dilma.”
Omilton Visconde Junior, presidente da Segmenta Farmacêutica
Credibilidade
“Nossa expectativa em
relação à participação de Antonio Palocci no governo Dilma é a melhor possível, levando em consideração sua excelente participação no governo Lula, o que demonstra capacidade, credibilidade e comprometimento com o
nosso país.”
José Roberto Pereira Alvim,
diretor presidente da Construtora Pereira Alvim
Benefícios
“Depositamos uma enorme expectativa em relação ao Palocci, principalmente no que diz respeito a importância do cargo que venha a assumir, e de sua consequente influência em esfera federal, para viabilizar melhorias para Ribeirão Preto e região em áreas relevantes como infraestrutura e educação.Ele poderá empenhar esforços para a vinda de uma universidade federal para a região, ou até mesmo para o necessário aeroporto internacional, importante projeto aguardado por todos e que certamente sairia do papel por meio de uma maior representatividade em Brasília.”
José Renato Magdalena,
diretor da Copema
Influência
“Nossa expectativa no que diz respeito à possibilidade do Palocci assumir um cargo estratégico em nível Federal é que ele, sendo um político muito influente no governo, possa melhorar a qualidade dos investimentos públicos, da infraestrutura nacional; simplificar e reduzir a carga tributária. Palocci, ciente da importância política de Ribeirão Preto, certamente estará atento às necessidades da cidade e da região, independentemente de questões partidárias locais.”
Eduardo Marchesi de Amorim, diretor do FIESP/CIESP-Ribeirão Preto
Experiência
“Considero Antônio Palocci Filho um político experiente e muito preparado para administrar uma pasta no primeiro escalão do governo federal. Ele sempre valorizou as aç-ões municipalistas e tenho certeza de que Ribeirão Preto terá atenção especial, assim como recebe na atual condição de deputado federal. As obras antienchentes no município, por exemplo, estão em ritmo acelerado devido à sua articulação política em Brasília.”
Cícero Gomes da Silva,
presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto