O jovem e o trabalho

O jovem e o trabalho

O “Aprendiz Legal” é um exemplo do quanto a competitividade profissional integra o mercado de trabalho no mundo

A cada dia, a competição cresce no mercado de trabalho em um nível acirrado, e diante deste cenário  muitos jovens saem em busca de emprego, se deparando com as dificuldades do primeiro emprego. Em Ribeirão Preto e região, é grande a oferta de empregos tanto quanto é grande o número de jovens que compõem este cenário. Só no município, 4.300 jovens fazem estágio em empresas. Segundo uma pesquisa realizada em toda a região pela InterScience Informação e Tecnologia Aplicada, mais da metade – 64% dos estagiários – foram efetivados com carteira assinada; deste percentual, 15% receberam melhores ofertas de emprego após o fim do período de estágio.

O “Aprendiz Legal”, programa de preparação e inserção de jovens no mercado de trabalho apoiado pela Lei 10.097/2000, é um exemplo do quanto a competitividade profissional integra o mercado de trabalho no mundo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), apontam que o potencial de contratos de aprendizagem de todo o país é de 1,2 milhão em setores como agropecuária, comércio, construção civil, indústria de transformação e serviços. O número de oportunidades beneficiará jovens da faixa de 15 a 24 anos, correspondente a 19,8% da população do Brasil. O programa facilita a inclusão de larga faixa de jovens no mercado de trabalho que talvez não teriam essa chance sem ele.

Segundo Alberto Londres, supervisor do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), unidade Ribeirão Preto, o empresariado e os órgãos públicos de Ribeirão Preto caminham juntos na tendência da preparação de mão-de-obra especializada e encontram nos jovens estudantes o material humano ideal. Alberto ainda diz que devido ao porte e a importância econômica, Ribeirão Preto oferece diversas opções de estágios em várias áreas.

No entanto, quando se trata de mercado de trabalho, muitos jovens esbarram na ‘temida’ experiência, requisitada na maioria das entrevistas. Isso se torna, de fato, um grande entrave na busca do emprego. “Podemos suprir a falta de experiência com bastante sucesso através do estágio, já que ele oferece embasamento prático das teorias que são vistas nas salas de aulas”, explica o supervisor do CIEE.

Apesar da falta de experiência ser, em certos pontos, um obstáculo para estudantes que queiram ingressar no mercado, Alberto acredita que conseguir um emprego ou mesmo um estágio está mais fácil hoje em dia. “Apesar do grande número de jovens e da grande procura por colocação no mercado de trabalho, as empresas têm sido bastante receptivas”. Ele ainda declara que o aquecimento do mercado reflete a necessidade de mais pessoal nos quadros das empresas, além da crescente participação de órgãos públicos, como prefeituras, no programa de estágio.

A estudante de jornalismo, Jéssica Barbosa, trabalha desde os 16 anos de idade e diz não ter encontrado dificuldades para conseguir um emprego. Hoje, com 20 anos, é auxiliar financeira de uma empresa de consultoria jurídica e acredita que o mercado de trabalho sempre foi competitivo. “As empresas estão procurando pessoas cada vez mais qualificadas, consequentemente as pessoas estão se qualificando cada vez mais. Onde há a competitividade, quem se destaca, ganha”.

Estudante de administração, Raphael José Ferreira e Silva trabalha há pouco mais de um ano como auxiliar de departamento pessoal numa empresa de Pontal. Com 22 anos, ele afirma que o mercado de trabalho para o jovem está mais acirrado. “As empresas procuram cada vez mais profissionais capacitados devido à competitividade do mercado, ou seja, elas procuram sempre os melhores profissionais para que possam ter as melhores ideias”, declara.

Além do trabalho, Raphael participa também do “Programa Escola da Família”, programa social do Estado que tem como objetivo proporcionar diversas atividades pedagógicas aos finais de semana, o que garante ao estudante uma bolsa na faculdade. Trabalhando com carteira assinada semanalmente e prestando serviço aos finais de semana no “Escola da Família”, Raphael consegue conciliar o trabalho e cursar uma faculdade sem grandes obstáculos.

Na contramão deste cenário, a jovem Suelen Santos Jardim, de 22 anos, afirma que ser desanimador procurar emprego em Ribeirão Preto, e que os demais jovens de baixa renda que ainda não cursam uma faculdade se sentem desacreditados e sem oportunidade. A jovem ainda explica que já teve de optar por qualquer emprego mesmo sem perspectiva. “Quando a empresa não exige que o candidato seja universitário ou profissional formado, o processo seletivo tem número ainda maior de candidatos, o que eu acredito que seja um fator negativo”, explica.

A situação apontada por Suelen também faz parte do cenário que engloba a posição do jovem no mercado de trabalho. Com o aumento da competitividade, é consequente também o grande número de pessoas disputando vagas, o que acarreta na ascensão do nível de exigência das empresas. Mas se o jovem não trabalha, como então adquirir experiência? De acordo com Alberto Londres, esse paradoxo infelizmente é uma realidade, e que uma saída para driblar a situação do desemprego e também da falta de experiência é o estágio. “O estágio oferece essa experiência ainda durante a formação acadêmica. Quando sair da universidade, o estudante já contará com um diferencial importante em relação a outros colegas que não passaram pela experiência”, ressalta.

Saia na frente
Alberto Londres elencou algumas dicas importantes para ajudar o jovem a enfrentar a competitividade do mercado atual. São elas:
- Melhorar sempre, dentro das possibilidades;
- Fazer cursos, participar de palestras e workshops;
- Ter conhecimento do mundo atual;
- Domínio da língua pátria e, se possível, noção de alguma estrangeira;
- Saber ouvir as coisas certas

Revide On-line (Colaborador: Fernando Belezine)
Foto: Júlio Sian

*Publicada em  13/06/2011 

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