O mestre da moda
Aposentado há três anos, o estilista mantém sua marca e já ganhou eternidade com o termo “vermelho Valentino”
No topo da alta-costura, o italiano Valentino Garavani, conhecido apenas como Valentino, criou um dos maiores impérios do mundo da moda, na década de 1960. Desde criança o estilista era amante das artes, da arquitetura, do cinema e de desenhos, paixões que o ajudaram a formar sua bagagem para, antes de completar 18 anos, cursar moda em Milão, na Itália.
Depois de formado, Valentino rumou a Paris, onde estudou na Câmara Sindical da Alta Costura. Graças ao primeiro lugar em um concurso de estilismo, em 1952, conseguiu um trabalho no ateliê de Jean Dessès, com quem aprendeu técnicas de drapeados e referências exóticas. Depois, seguiu o francês Guy Laroche, colega da maison Dessès, para ajudá-lo na abertura de seu ateliê próprio, auxiliá-lo nas criações e atuar na área comercial.
Em 1959, Valentino voltou à Itália para investir na sua primeira coleção, que já foi um sucesso. De jovem criador em ascensão, passou a ser considerado um mestre da costura italiana. Com talento nato e amadurecido, criava vestidos muito bem cortados, equilibrados, exatos nas proporções, além de extremamente femininos e diferenciados, pois o estilista sempre teve em mente que “um homem não gostaria de sair com uma mulher que parecesse outro homem”.
Contagiado pela francesa Diana Vreeland, um dos maiores ícones da moda do século XX, Valentino deixou-se apaixonar pela cor vermelha, a qual fez referência ao bom gosto, à sedução e à elegância, criando, então, o “vermelho Valentino”, termo usado com firmeza e com naturalidade até hoje. O grande passo de Valentino na parcela glamourosa do mundo da moda foi através da falecida atriz Elizabeth Taylor, que se encantou pelo trabalho do estilista enquanto filmava “Cleópatra”, sendo a primeira de uma longa lista de estrelas, beldades, e socialites que logo se tornaram clientes do italiano.
Mal havia começado a carreira com a sua luxuosa alta-costura, Valentino captou os movimentos do mercado e, na primeira metade dos anos 60, lançou a coleção prêt-à-porter. Nessa mesma época, o então estudante de arquitetura Giancarlo Grammetti uniu-se a ele e passou a atuar como diretor comercial da grife, sendo responsável direto pela expansão internacional da marca — que se iniciou nesta década — e vindo a ser seu parceiro e sócio por muitos anos.
Em 1968, Valentino lançou a coleção Valentino’s White, onde o famoso “V” apareceu pela primeira vez. Já na década de 1970, teve o lançamento de sua coleção masculina prêt-à-porter e também do primeiro perfume, além da inauguração das primeiras boutiques nas cidades de Roma e Milão. A expansão da marca continuou com a abertura de boutiques nos Estados Unidos e Japão. Nos anos seguintes, introduziu em sua linha produtos como jeans, braceletes, colares, camisetas e uma linha de decoração.
Nos opulentos anos 80, Valentino tornou-se o primeiro estilista italiano aceito sem restrições no universo da alta-costura, onde apenas maisons locais francesas podiam integrar, cumprindo uma série de pré-requisitos. Os anos seguintes foram repletos de campanhas e de desfiles magníficos, criações deslumbrantes e amizades com as beldades mais famosas, de diferentes gerações, como Jackie Kennedy Onassis, Julia Roberts e Anne Hathaway.
Ao completar 45 anos de carreira, em 2008, o estilista deixou a direção criativa da grife, transferindo o cargo para os designers Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri. A despedida terminou com seu último desfile Haute Couture (alta-costura), no qual 30 modelos entraram na passarela exibindo idênticos vestidos de cor “vermelho Valentino”.